quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cruzando o Rio Amazonas: de Manaus à Belém.


Passar quatro dias no rio Amazonas, vendo como vivem as populações ribeirinhas sentindo a brisa do vento, dormindo na rede. Há anos esse era um plano. Aí um dia a gente acorda com a cabeça virada e decide: vou lá! E fui. Como consegui pouca informação detalhada em blogs que me ajudassem, decidi fazer um “dia a dia” da coisa toda para ajudar outros malucos iguais a mim e outrxs que conheci no barco, que desejem conhecer esse pedaço inóspito e absolutamente encantador do Brasil.

Dia1: Manaus
Havia chegado em Manaus tarde no Domingo. Me instalei no (bom) hotel Roma, no centro, próximo ao porto e à praça do Teatro Amazonas. Logo pela manhã minha primeira preocupação foi ir até o porto de Manaus e me informar sobre as saídas para Belém. Dez minutos de caminhada e um calor de dar inveja ao verão carioca. Calor que frita por dentro, que faz suar cada pedacinho do meu corpo. Encharcado cheguei no porto e há uma entrada lateral, em meio a um caos de ambulantes e ruas em obras, chamado “central de venda de passagens hidroviárias”.  Dois guichês funcionando e duas atendentes não exatamente “receptivas”. Monossilabicamente ela ia respondendo as minhas perguntas. Me diz que os barcos para Belém saem QUARTAS E SEXTAS. Peço passagem para Quarta, na primeira classe (salão de redes climatizado, com ar condicionado). Custa R$ 200,00. Sem alimentação. Ela me diz que posso escolher entre dois barcos e aponta um quadro ao fundo onde há as fotos dos barcos. Escolho o maior, o Catamarã Rondônia, precavido contra superlotação. 

Catamarã Rondônia

A próxima etapa seria comprar a rede. Logo acima do porto, em uma rua cheia de camelôs a direita da saída, dezenas de barracas vendem redes. Comprei uma confortável por R$ 30,00, mais R$ 5,00 o par de cordas. Atenção, as cordas são INDISPENSÁVEIS para amarrar a rede no barco.
Saí em seguida caminhando pela orla lateral ao porto. É, na verdade, a continuação “extra-oficial” do porto de Manaus. Dezenas de barcos oferecendo viagens para vários locais, muita gente vendendo passagens para Belém e Santarem. E uma área bem empobrecida da cidade, um tipo de pobreza diferente do Sudeste, mais precarizada, mais miserável. Atravesso a rua e entro no mercado municipal de Manaus. Muitas bancas de peixes, carnes e  verduras. Há duas praças de alimentação bem simples. Parei em uma e o homem “dita” o cardápio. Pedi um Pirarucú, que vem com arroz, feijão e vinagrete. Comi uma porção bem servida e um peixe super gostoso por módicos R$ 15,00. E para acompanhar, guaraná Baré.



A tarde, visita ao famoso Teatro Amazonas, principal marco turístico da cidade. Há duas formas de visitação: com ou sem guia. A primeira sai a R$ 10,00 e a segunda a R$ 20,00. Optei pela segunda. Uma hora de passeio pela história do museu e por toda a ostentação dos barões locais do século XIX. Saindo do Teatro, a praça que o circunda, chamada Largo de São Sebastião, é um belo atrativo. Além de uma sorveteria com várias opções de sabores locais (tomei um maravilhoso sorvete de Cupuaçú com creme), o bar do Armando é a pedida para os amantes de botecões, como nós. Cerveja gelada, preço “salgado” estilo Sudeste (10,00 a Heineken, 8,00 a Antarctica) e salgadinhos incríveis.

Dia 2: Manaus
O dia começou com um pulo na praia da Ponta Negra. Distante do centro, é de fácil acesso por duas linhas de ônibus saindo da área central da cidade: 120 e 126. Cerca de 45 minutos de viagem e chegamos à praia, área nobre da cidade. Praia de rio É UMA DELÍCIA! Água quentinha, limpíssima e calma. Aluguei cadeira e barraca por R$ 15,00 e a cerveja gelada em lata saía a R$ 4,00 (preços pra lá de cariocas, viu...). Chama-me a atenção o traje dos trabalhadores da limpeza urbana que atuam na praia: cobertos da cabeça aos pés, com máscaras que cobrem parte do rosto, mangas compridas e luvas. Pergunto como se sentem e uma delas me fala que é “um calor desesperador”. Enquanto nos divertimos, seguimos reservando às classes trabalhadoras condições sub-humanas de trabalho.

Praia de Ponta Negra

A tarde, um passeio no Bosque da Ciência do IPAN. Entre meia hora e quarenta e cinco minutos de viagem com as linhas de ônibus 505, 515, 517, 600 ou 670 e entradas a R$ 5,00. Um belo exemplo da fauna e flora amazônica e um tanque onde os peixes-boi são a atração principal.
À noite, um pulo no bar do Gringo, duas quadras depois do Largo de São Sebastião, o point dos rockeiros Manauaras.

Dia 3: começando a viagem de barco.
O barco sairia ao meio dia mas na passagem estava escrito que o embarque deveria ser as 10:00 hs. Pontualmente nesse horário estava na entrada do porto. Entro e sou informado que o embarque não seria ali, mas na “Escadinha”, uma doca lateral seguindo a avenida do porto, em frente ao Mercado. Segui com a mochila pesada e um calor inacreditável e quando avistei um deck com muitos barcos e uma rampa, imaginei que seria ali. E era. O Catamarã era o último barco atracado. Segui e entrei por uma porta em que, dentro, havia carros e mercadorias pesadas. Uma pequena fila de pessoas se formava em frente a uma mesa em que havia duas mulheres e um homem. As pessoas em geral tem muitas malas. Ali o cara confere sua passagem e identidade e te entrega uma outra passagem, com seus dados preenchidos à mão. E NÃO TE AVISA uma coisa importante: que esta passagem deve ser guardada pois com ela você pode saltar do barco nas paradas e, principalmente, que você precisa entrega-la quando chegar a seu destino, na saída, obrigatoriamente. Atenção!
Entro por uma porta lateral no barco e subo até o terceiro andar, onde fica o salão climatizado das redes. No segundo andar fica o salão aberto das redes. O salão climatizado é grande e tem 4 ar condicionados estilo Split. Nas laterais os banheiros masculino e feminino. E duas portas de saída para o deck onde ficam a lanchonete com mesas e cadeiras e a escada para a “área de lazer” do barco, o teto. Aqui você tem uma pequena geral do barco.
Monto a rede em um canto próximo ao ar condicionado. O salão ainda está meio vazio e é fácil achar um lugar. Levei uma corrente com cadeado para amarrar a mochila em um ferro, no chão, por conta dos relatos de furtos de bagagens na viagem. Me arrependi logo no primeiro dia, pois rapidamente todos se conhecem e o barco se torna uma “comunidade”. 


Depois de instalado, vou para o deck ler e tomar um guaraná. Já passa de meio dia e nada do barco sair. Só sairíamos a uma da tarde. O salão já está mais cheio, mas não lotado. Duas tomadas são disputadas à foice para carregar celulares. No deck há mais duas tomadas, que rapidamente se tornam gambiarras cheias de benjamins e extensões.
No deck, que é a grande área de convivência do barco, ligando os dois andares e os camarotes, a música rola o dia todo. ALTA. O set list é recheado de tecno-brega, brega, forró, sertanejo, reggae e (o pior do) rock dos anos 80. Estes últimos, em especial, são de lascar. Aquelas bandas horríveis “new romantic” que tiveram um único sucesso tocam sem parar. Mas é divertido. As pérolas do cancioneiro mereciam virar um post a parte.   
Uma hora depois de sairmos de Manaus chegamos ao encontro das águas, dos rios negro e Solimões. Um dos vários caras com quem faço amizade no barco me conta que ali a profundidade chega a 70 metros. Já nas primeiras horas, muitas conversas. As pessoas procuram conversar, são carinhosas e receptivas. Muitas dormem no salão e outras bebem e ficam a toa no deck. As 19:30, uma TV em frente a lanchonete começa a passar o Jornal Nacional e, em seguida, a novela. Muita gente se junta para assistir a imagem ruim que de vez em quando cai. Então, o rapaz do bar vai e “cutuca” os fios da antena parabólica até a imagem retornar. Após o final da novela quase todxs vão dormir e fico vendo o futebol com uns 4 caras, bebendo a última cerveja de R$ 4,00 no deck. Quando entro para dormir, faz bastante frio no espaço. A rede me acolhe bem e a toalha faz as vezes de coberta. DICA: se for ficar na área climatizada, leve um lençol ou coisa parecida, pois à noite o ar condicionado fica frio.

Dia 4: seguindo pelo rio
Quando acordo, as 7:00 horas, estamos em Parintins. Descubro que o horário do café é das 5:00 as 7:00. Tomo um banho, o chuveiro é forte e a água morna para fria, o que é ótimo em um banheiro ainda mais quente que o sol lá de fora. O banheiro masculino cheira à banheiro químico de carnaval do Rio. Um rapaz limpa pelas manhãs, mas, mesmo, ao que parece, naquele horário ainda não havia passado.


Perto das 11:00 hs paramos em Juruti. Muita gente no porto tentando vender coisas. Como o pessoal com quentinhas não pode embarcar para vender dentro do barco, improvisam. Uma grande vara com um gancho onde penduram a quentinha e na ponta uma garrafa pet cortada onde a pessoa põe os R$ 5,00 e recebe, no caso, o troco. Tudo feito do cais para as sacadas do barco. Incrível a criatividade do povo. Vendedores de doces e açaí circulam dentro do barco neste momento.

 Parada em Óbidos: com a vara, as quentinhas são vendidas.

A esta altura já conheço várias pessoas. Muitas conversas. As pessoas rapidamente se aproximam e contam de suas vidas, de suas histórias. Parece que há uma vontade de compartilhar a vida entre aqueles que, por tantos dias, compartilham o mesmo espaço. Tive conversas que levarei para toda a vida com pessoas das mais distintas possíveis.
Perto de meio dia decido experimentar a quentinha do barco. O almoço é servido no primeiro andar e de duas formas. Em um refeitório há quentinhas, por R$ 8,00, de carne ou frango. No outro refeitório, um self service com poucas opções (arroz, feijão, macarrão, salada, carne, frango, farofa, vinagrete), por R$ 15,00. A quentinha vem toda entulhada com tudo misturado, mas mata a fome. Para as duas opções você compra o ticket na lanchonete do deck e depois desce para comer.
A tarde terminei de ler o primeiro livro que levei e fiquei papeando com o pessoal conhecido, bebendo e curtindo o visual do rio. No final da tarde chegamos em Óbidos e a Polícia Federal entrou. Pediu que desligassem a música e que ficássemos ao lado de nossa rede, perto de nossas malas. Revistaram algumas malas aleatoriamente e saíram. Depois permaneceram acompanhando o embarque de mercadorias (castanhas) que acontecia.
Passo parte da noite no teto do barco, deitado no chão admirando o céu mais estrelado que já vi na vida. Um cobertor de estrelas sem fim. E chegamos, por volta de 22:30 a Santarém. Como passaríamos a noite na cidade, decidimos sair para beber em terra. Eu e mais três pessoas. Para sair precisamos apresentar a passagem e a identidade. Caminhamos pela avenida próxima ao porto, bem deserta, até quase o centro. Não há bares abertos. Pegamos um taxi que, por R$ 12,00, nos deixa na bela e simples orla de Santarem, onde sentamos em um bar que fica em um píer, bebemos cerveja Tijuca e comemos deliciosas iscas de Pirarucú. Uma da manhã estávamos de volta, de taxi, para o barco e para mais uma noite bem dormida na rede, com o frio do ar condicionado. A área das redes estava bem mais vazia pois muita gente desembarcou em Santarém.

Dia 5: De Santarém rumo a Belém.
Apesar do barulho das pessoas, que começa já as seis da matina, acordei quase as 10:00 hs. O espaço já está bem mais cheio, muita gente embarcou durante a manhã em Santarém. Há muita gente circulando pelo espaço vendendo comidinhas. Tomo banho e vou para o deck ler com xs amigxs. Saímos de Santarém ao meio dia. Desço para almoçar e resolvo experimentar o self service. O salão tem cerca de 10 mesas e um bom ar condicionado, o que torna a refeição mais agradável. A comida é simples, mas gostosa. A vantagem é poder servi-la em um prato e comer quantas vezes quiser (#almagorda).

Self service do barco.

Durmo um sono pós almoço pesado e quando acordo, no meio da tarde, volto ao deck para ler e contemplar o visual com uma cerveja. A sensação que tenho constantemente em casa, no Rio de Janeiro, quando estou lendo ou estudando, de que o tempo voa ou que me falta tempo, aqui é inversa: o tempo passa lentamente, embalado pelo reggae e tecno-brega e pelo balanço do rio. 

Deck. Ao fundo, a lanchonete.

As 17:00 hs chegamos à Monte Alegre. Passamos uma hora na cidade, algumas pessoas descem e o sol começa a se por lentamente ao fundo. É um pequeno vilarejo de pesca. É muito interessante ficar vendo como é a rotina em um lugar desses, perceber o quão peculiares são as realidades de cada região, admirar o posto flutuante da Shell, o barco de camarão, as formas de “se virar” onde quase nada chega senão pelo rio.
O teto do barco fica cheio no final da tarde, todxs deitadxs ou sentados admirando o inesquecível pôr do sol que o Amazonas nos proporciona todas as tardes. Nesta noite rolou muito, mas muito papo, com muitas pessoas diferentes. O clima no barco já é de total comunidade, quase todxs se conhecem pelo nome, pessoas vão e vem das rodas de conversa tendo o céu coberto de estrelas acima de nós. Percebo que algumas mulheres, em especial as mais novas, se produzem muito. Trocam de roupa ao menos três vezes por dia, andam maquiadas e, a noite, põe suas melhores roupas. Todas exceto as “turistas”, as meninas que são de fora do país ou de outras regiões. Os homens tem um certo padrão: camisetas regata, cordões, bonés. Alguns, percebo, usam um boné diferente por dia. E muito, MUITO perfumados. Fomos dormir tarde e bebemos bem esta noite. 

Teto do barco.

Dia 6: O estreito de Breves.
As 5:30 da manhã um amigo que fiz na viagem, Chico, bate na minha rede e me acorda: “levanta carioca, não queria ver o nascer do sol”? Escovei os dentes rapidamente e subi com uma camisa de flanela, pois o ventinho da madrugada é frio. Vamos para o teto do barco e ainda está tudo escuro, um breu. As luzes ainda estão acesas no barco. Ficamos conversando sobre animais da floresta e tipos de peixe. Aprendi muito em cada conversa nesta viagem. Logo o céu escuro começa a ganhar uma leve tonalidade azul-alaranjada. O dia começa a raiar e um sol dourado e brilhante vai surgindo no horizonte. Daquelas cenas para guardar na memória para sempre.




Descemos as 7:00 hs para tentar ainda tomar café. Compro o ticket de R$ 2,00 no deck e desço. O café consiste em um café (fraco) com leite e um pão dormido, tipo daqueles de hambúrguer. Você pode ir à mesa e pôr margarina, se quiser. Chegamos logo em Gurupá, nossa última parada antes de Belém. Nela, pela primeira vez, não há pessoas no cais vendendo coisas ou entrando no barco para oferecer comidas e artesanato. Em meia hora saímos da cidade e agora seria direto no rio até Belém.
Perto do meio dia entramos no Estreito de Breves. É um canal onde o rio encurta sua largura e ficamos muito próximos das margens, apreciando de perto a selva e as comunidades ribeirinhas, assim como as dezenas de ilhas. Logo, começam a se aproximar os barcos a remo, pequeníssimos, com mulheres e crianças pedindo comida e roupas. As pessoas colocam seus donativos em sacos plásticos, amarram e jogam do barco. E os ribeirinhos saem remando atrás dos sacos que boiam pelo rio. Para alguns viajantes parece “parte da viagem”, coisa normal. Para mim, foi um dos momentos mais tristes. As crianças fazem um tipo de “coreografia” com as mãos, meio ensaiada, pedindo comida. Não se parecem em nada com populações miseráveis que vemos nas cidades do sul, mas sim com descendentes de índios que não tem outro acesso a mantimentos que não peixes, verduras e roupas senão pela boa vontade daqueles que passam pela “estrada” que margeia suas casas: o rio. E assim permanece por meio dia inteiro, o barco cruzando o estreito e barquinhos pequenos remando tentando alcançar as sacolas jogadas ao rio. Fiquei com a sensação de que ali se encontra um Brasil esquecido, onde nem políticas sociais nem os olhares de boa vontade chegam. 

Barcos a remo com crianças e mulheres. Estreito de Breves

Outro “fenômeno” do estreito: os pequenos barcos a motor que “perseguem” nosso catamarã, se amarram às boias na lateral do barco e escalam as paredes para embarcar e vender açaí, camarão e palmito. Os marinheiros permitem a abordagem. Assista aqui como isso acontece.
Seguimos viagem admirando os diferentes e infinitos tons de verde que a selva oferece. Assim como suas formas, sons, cheiros. Os sentidos agradecem.
Ao final da tarde, mais um pôr do sol cinematográfico. A esta altura, a viagem chegando ao final, muito mais gente que nos dias anteriores está no teto do barco, na “área de lazer”, conversando e trocando ideia. Adentramos a noite sob o tapete de estrelas ali, bebendo e ouvindo tantas histórias diferentes quando os tons de verde da mata. Ficamos um grupo, resistindo ao sono, bebendo até meia noite e meia, quando já “altos” decidimos dormir. 


Mas tinha a baía de Guajará. Uma região onde a maré é muito agitada e o barco balança muito. Deitamos mas as redes balançam de um lado para o outro, quase batendo umas nas outras, sem parar. É um balé bizarro no salão das redes, similar a um terremoto. Tento fechar os olhos e adormecer com o balanço, mas é difícil. Para estômagos sensíveis, atenção a este trecho. Mas, ao menos eu, consigo adormecer logo, mesmo com as sacudias – obra e graça do álcool consumido desde a tarde.

Dia 7: chegamos à Belém
Cinco e meia da manhã as luzes acendem e muita gente falando alto. Havíamos finalmente chegado à Belém. Ficamos no barco até amanhecer e desembarco as sete. Me despeço já cheio de saudades de tanta gente querida que conheci e admiro a recém inaugurada e belíssima estação hidroviária de Belém. Pego um taxi e em cinco minutos estou no (excelente) hostel Portas da Amazônia. Localizado na praça Frei Caetano Brandão, na cidade velha, fica privilegiadamente em frente ao Forte do Presépio e a cinco minutos de caminhada do mercado Ver-o-peso.
Depois de um sono rápido, rumo para a praça da República (ônibus da linha “telegrafo” me deixou lá em 15 minutos). Aos Domingos há ali uma grande feira de artesanato, com variadas opções. Dou um tempo no tradicional Bar da Praça, ponto de reunião de famílias e jovens da cidade. Em frente a praça fica o tradicional Cinema Olympia, o mais antigo em atividade do país (inaugurado em 1912).
Parto para o mercado Ver-o-Peso e de taxi chego rápido. O Ver-o-peso é uma tradição da cidade e se espalha pelas ruas da orla do rio com suas comidas, ervas e roupas. Caminho um tempo pelo mercado e sento em um quiosque mais próximo do rio. O prato de pirarucu é mais caro que em Manaus (R$ 25,00), mas maior. A cerveja, barata (R$ 4,00).

Cerveja no Ver-o-peso.

No final de tarde, seguindo recomendações de amigxs que fiz em um bar assistindo ao futebol, fui parar no baile/ domingueira de Reggae do hotel Goldmar. Baile animado com banda, a galera dançando reggae como se fosse forró e muita cerveja, com um deck nos brindando com o por do sol. O baile acaba as onze da noite e ainda deu tempo de uma esticadinha até o Palafita, na praça do hotel, onde aos Domingos também rola festa. Muita gente bacana e uma cervejinha nos ambulantes da praça para fechar a noite.

Dia 8: Belém.
Havia deixado a Segunda para conhecer vários pontos, como o Mangal das Garças e o Museu Emílio Goeldi. E fui surpreendido com a notícia que quase TODOS os museus e pontos turísticos fecham às Segundas para manutenção. Decidi então fazer o que sempre faço em viagens: ir até uma região central e andar a esmo. Da praça da Republica em direção à avenida presidente Vargas e dali entrando por ruelas e pequenas ruas até chegar no Ver-o peso. Cervejinhas, sol, papo com pessoas interessantes e o final do dia no Espaço das Docas, ao lado do mercado. Uma área nova da cidade, que emula Puerto Madero, em Buenos Aires. Bares sofisticados e a maravilhosa cervejaria Amazonas, com suas cervejas próprias e peculiares. Interessante que, em alguns passos e em poucos metros, saí do Ver-o-peso, com sua atmosfera e público populares e fui transportado para um mundo completamente diferente. A síntese de um país desigual em uma terra de contrastes.
Mas, mesmo assim: Belém é linda!

3 comentários:

  1. Amei a descrição dessa viagem que, com certeza, foi de descobertas. E Belém, minha cidade maravilhosa, é realmente linda e hospitaleira.
    Você é um sortudo. Parabéns!

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  2. Obrigado vanessa! Belém é maravilhosa!

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  3. The Portuguese had a brutal record in the Americas as a colonial power. The most horrendous abuses occurred in the colony of Brazil: natives were enslaved, murdered, tortured and raped in the conquest and early part of the colonial period and later they were disenfranchised and excluded from power. Individual acts of cruelty are too numerous and dreadful to list here. Portuguese Conquistadors in Brazil reached levels of cruelty that are nearly inconceivable to modern sentiments.

    Today, Portugal is the Biggest Racist country that i have ever lived in. I feared for my life there and i consider myself lucky that my family got out alive! I have never lived in such poverty (Sopas dos Pobres everyday) 40% unemployment rate and 60% of the population earn less than $932 USD per month, and that’s considered Middle Class here! Within the European Union it is the worst of the worst place to live in.

    The bottom line is the bulk of the People in the poor country of Portugal exist in a brainless comma that is fed by Ignorance, anti-Spanish hate, and severe Racism of pretty much everybody that isn’t Portuguese! And, Portugal started the Global Slave Trade in 1441 so it is definitely NOT a safe place for Blacks!!

    I found important websites that explain the Severe multi-generational Racism and Hate that exist in Portugal today, and i highly encourage all to read them and spread the word in order to avoid innocent, and desperate people from living or visiting there. Get educated on the Truths about Racist Portugal now.

    1) https://www.theroot.com/a-white-journalist-discovers-the-lie-of-portugal-s-colo-1790854283

    2) https://saynotoracistportugal.neocities.org/

    3) http://www.discoveringbristol.org.uk/slavery/routes/places-involved/europe/portugal/

    4)SOPAS DOS POBRES EVERYDAY IN PORTUGAL BECAUSE OF NON EXISTENT ECONOMY:

    https://www.noticiasaominuto.com/pais/764453/sopa-dos-pobres-foi-criada-ha-anos-mas-ainda-existe-problemas-persistem

    5) http://www.ipsnews.net/2011/10/portugal-crisis-pushes-women-into-prostitution/

    6) https://www.theatlantic.com/business/archive/2013/06/the-mystery-of-why-portugal-is-so-doomed/276371/

    7) https://portugaltruths.neocities.org/

    8) https://portugalwasabadcolonizer.neocities.org/

    9) https://portugalisxenophobic.neocities.org/

    10) https://portugalisaracistcountry.neocities.org/


    Be SAFE friends. Hugs.

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