Estive duas vezes na Colômbia a
trabalho, sempre passando alguns períodos na cidade de Manizales, nas
montanhas, distrito de Caldas (para quem gosta de futebol, é a cidade do ONCE
CALDAS, campeão da Copa Libertadores de 2004). Um bela e pequena cidade
universitária de cerca de 300.000 habitantes, com muitos bares e uma vida
noturna agitada.
Mas em ambas as vezes tive a chance de
passar alguns dias em Bogotá. Uma cidade que nunca havia sido uma opção de
viagens para mim. Mas que conquistou definitivamente meu coração. Bogotá tem
surpresas a cada esquina, a cada passeio, a cada sorriso do lindo e caliente
povo colombiano. O aeroporto internacional fica a cerca de 20 minutos de táxi
do centro da cidade e é uma bela porta de entrada no país.
Uma boa forma de começar a conhecer a cidade é pela Praça do Palácio de Nariño, sede do Governo Colombiano. Ali você tem uma visão geral do centro
da cidade e começa a conhecer a história de lutas do povo colombiano.
Interessante que noite algumas pichações na praça com dizeres como “Gobierno
Paramilitar”. Muitos colombianos acusam o governo de estar implantando uma
“ditadura velada”com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos.
Palácio de Nariño
Saindo da praça, ao redor, há um
variado comércio de artesanato típico, roupas e souvenir em geral, ligados a
cultura indígena. Caminhe cerca de 15 minutos e chegará no tradicional bairro
de La Candelária. Este bairro é um dos orgulhos dos “bogotanos” pois representa
a reconstrução e a retomada do espaço publico depois de anos de conflitos
armados entre grupos de paramilitares e de muitas mortes pela disputa de poder
político no país. Entre a boemia e a cultura, La Candelária é um lugar que vale
um dia inteiro.
Para começar lá fica uma das maiores
bibliotecas públicas da América do Sul, a bliblioteca Luis Angel Arango. Ela
faz parte de um grande complexo cultural que compreende também o Centro
Cultural do Banco da Republica, o Museo del Oro e o Museo Botero. Entrei
rapidamente na Biblioteca e de cara impressiona pelo tamanho. Deixei a mochila
no guarda volumes (gratuito), dou uma volta pelo espaço, todo decorado com
quadros de artistas colombianos. Dali, é só atravessar a rua e adentrar no
Museu Botero.
Museo Botero
O Museu Botero é um lugar fantástico, que além de conter boa
parte do acervo do maior artista plástico colombiano também expõe peças de
Picasso e Dali. É um museu enorme em um antigo Casarão e vale um bom período do
dia de visitas.
Ao lado, o Museo del Oro expõe peças
de ouro encontradas em escavações de antigas civilizações Incas e Maias. É um
passeio ao mesmo tempo deslumbrante e chocante, pois a riqueza de detalhes e a
quantidade de peças deixa claro o quanto estas civilizações estavam avançadas e
a frente do seu tempo. Atravessando a rua, na esquina seguinte, você encontra o
Centro Cultural Gabriel Garcia Márquez. Um espaço dedicado a obra do artista
colombiano que conta com uma belíssima livraria de arte e filosofia.
Centro Cultural Gabriel Garcia Márquez
Caminhando bairro acima, encontrei
ruas de pedra, casarões antigos, muitos (sério, MUITOS) centros culturais
independentes, com peças e apresentações artísticas diversas em cartaz e bares.
Muitos bares. La Candelária tem um “quê” de Lapa com Santa Teresa, mas com mais
opções que os dois bairros cariocas. A Plaza Del Choro de Quevedo é um bom
ponto para começar a exploração de bares da região.
Plaza Del Choro de Quevedo
Claro que cada pessoa tem
seu boteco de estimação e eu, em Bogotá, elegi o Atico, perto da praça, minha
segunda casa. Botecao, com caixas de cerveja espalhadas, rock nos alto
falantes, bom pracismo, cerveja gelada (a Club Colômbia é a minha preferida,
mas a Águila e a Costeña são as mais
populares) e uma chincha maravilhosa.
Perto de La CANDELÁRIA, uma caminhada
não muito grande, fica o Mirante Montserrat. Você tem acesso pela estação Las
Águas do transMilenium, o sistema de ônibus interligados, tipo os “tubos” de
Curitiba. Uma das atrações turísticas de Bogotá, é um complexo de turismo em
uma montanha com acesso por um teleférico panorâmico. Tem restaurantes, igreja,
lojas e uma vista deslumbrante de toda a cidade.
Vista do mirante de Montserrat
Nesta mesma área fica, aos Domingos, o
Mercado de Pulgas San Alejo, um mercado enorme com toda a sorte de coisas e
badulaques possíveis – de roupas e tapeçarias a discos e pôsteres de filmes
antigos. Saindo pelo centro de Bogotá ainda é possível ver o belo Planetário da
cidade e a Plaza de Toros, hoje já desativada, mas com uma fachada que lembra o
Coliseum Romano. No centro você conhece uma outra Bogotá: cosmopolita, com
prédios modernos, ruas amplas e muita gente caminhando nas ruas, alem de um
sistema de transporte publico que flui rápido e funciona.
A noite também tive a chance de
conhecer a área mais “nobre”, a chamada Zona Rosa. Lá encontrei vários bares (é
cara, o colombiano é um povo que gosta – e muito – de beber) mas com um estilo
bem diferente de La Candelária – mais sofisticados e com um publico jovem mais
“arrumadinho”. O que não me impediu de descobrir uma pérola em suas ruas
arborizadas: o maravilhoso Bogotá Beer Company, com suas “jirafas” de chopp
Aguila de 5 litros gelado. E fechar a noite na bela Casa de la Cerveza, com uma
variedade de cervejas artesanais linda.
Também pude ir a uma partida do time da cidade, o Milionários (ou Milos, para os "hinchas") no estadio el Campin. Um estadio de médio porte, bem equipado e de fácil acesso pela estação El Campin de onibus. Dentro do estádio há muitas variedades de comidas, mais que em estadios brasileiros.
Bogotá é uma cidade feita para
conhecer a pé. Vale caminhar por suas ruas e conhecer cada canto, cada
cafeteria, cada bar e principalmente interagir com o lindo povo colombiano, o
mais agradável e alegre que conheci pela América do Sul.