1° dia, Sexta 13/04: Rio – Sta Cruz
Saímos do aeroporto do Galeão as 8 da noite. Depois de uma conexão em SP, a 1:30 da matina,
hora local, chegamos à Viru-viru (????!!!) aeroporto de Sta Cruz de La Sierra. Logo na porta do aeroporto combinamos um valor fechado com o taxista fomos para a cidade - ele aceitou receber em Dólar pois quando chegamos o câmbio estava fechado. E todos os taxis na Bolivia são com preço combinado - esqueça taximetro!
Quando chegamos, o hotel que reservamos na internet...não existia, estava fechado. Graças ao pai o taxista conhecia um próximo e acabamos caindo nele, mais caro (150 bolivianos), mas bonzinho. Estávamos mortos e
apagamos rápido.
Dica do dia: SEMPRE use o Booking, é a melhor alternativa para reservar hoteis ao redor do mundo!
2°dia, Sábado 14/04: Santa Cruz – La Paz
Saímos pra dar uma volta em Sta Cruz. A cidade parece aquelas
cidades ricas do interior de Minas. Muito comércio e casa de câmbio onde
aproveitamos pra trocar dólares por Bolivianos – moeda local (U$$ 1,00 = $B
8,00!!). Caminhando na praça principal, tivemos a primeira surpresa da viagem: um bicho preguiça
atravessa a rua na nossa frente! Ficamos um bom tempo brincando com o dócil bichinho.
Demos mais umas voltas, almoçamos – muito bem por sinal – e fomos para a
rodoviária para tentar comprar passagens e embarcar para La Paz.
Havíamos lido
muitas histórias sobre a Rodoviária de Santa Cruz de la Sierra, e de fato o
lugar é um certo caos: vários homens e mulheres gritam e oferecem as
passagens, mas nos guichês é tranqüilo de comprar. Pesquisamos e compramos pela viação
Copacabana, para as 4 e meia da tarde (120 bolivianos cada passagem). Os ônibus
de Sta Cruz para La Paz só saem a tarde, entre 4 e 5 e meia, e váárias empresas
fazem o trajeto - pesquisa bem antes de comprar! Ficamos uma hora fazendo
hora no boteco da rodo, e quando embarcamos, meio alívio: o ônibus era bonzão,
bus-cama, mas...sem banheiro!! 16 horas de viagem! E lá fomos nós, e só paramos
lá pelas meia noite em uma paradinha pra lá de trash, fria e suja. A maioria das pessoas dorme a viagem inteira, muitos turistas com cara de mochileiro - como nós. De resto, Rocky Balboa no
vídeo do ônibus e um belo e merecido sono.
Rodoviária de Sta Cruz de La Sierra
3°dia, Domingo 15/04: La Paz – Copacabana
Chegamos em La Paz, depois de uma viagem de 16 horas e duas
paradas – sem banheiro no busum – as 10:00 da manhã. Na rodoviária descobrimos
que existem ônibus para Copacabana saindo do cemitério (????!!!). Pegamos um
táxi que custou 6 Bolivianos e em menos de 10 minutos chegamos ao cemitério. (Importante:
não há taximetro por lá. O preço da corrida deve ser negociado com o taxista
antes de entrar no carro). Logo que saltamos aparecem várias pessoas
oferecendo ônibus para Copacabana. Compramos de uma senhora as passagens de um
busum velhinho que estava pra sair, 20 bolivianos cada.

O ônibus iria sair as 11, mas a mulher ficou querendo esperar
encher e acabou só partindo as 11:45. Coisas típicas do lugar. O busum é
daqueles tipo anos 50, pequeno mas não era ruim. Tinha até um cara que começou
a conversar conosco, que era nórdico e chato pra burro, reclamava de tudo e todos e, para nós, virou o
clááássico norueguês doido-vegan, que alegrou nossa viagem com sua implicância
com tudo - o maluco reclamava literalmente de tudo rapá!!
Você pode ver o ônibus e um pedaço da cidade aqui:
Saímos de La Paz e seguimos até Cuidad del Alto, a parte mais pobre da cidade, parando e
recolhendo passageiros. O ônibus fica com gente viajando em pé, crianças e
mulheres – as cholas – mas logo que saímos da cidade o visual da cordilheira
preenche a viagem de alegria. Em menos de duas horas de viagem começamos a
avistar o lago Titikaka, e é de fato emocionante vê-lo depois de tantos meses
de planejamento, pesquisa e tal para esta viagem. O troço é enorme, parece o
Pacífico e vai margeando toda a viagem até Copacabana.
um pedacinho da viagem aqui:
Chegamos por volta das 3 da tarde. A cidade é pequenininha e muito
aconchegante. Nos instalamos em um hotel que havíamos visto em um site, em
frente ao lago, por 80 bolivianos a diária de casal com café. A paisagem da
janela do hotel já era um espetáculo e valia a diária.
janela do hotel de Copacabana
Tomamos um banho e saímos para conhecer a cidade. Logo na saída do
hotel, encontramos uma das várias agências de viagem da cidade que oferecem
passeios e afins. Fechamos para o dia seguinte um passeio à ilha do sol (25
bols cada) que duraria meio dia e compramos as passagens de ônibus para Puno,
para o dia seguinte, após o passeio. E seguimos em direção ao mirante da
cidade. Neste momento, pela primeira vez, comecei a sentir a altitude
(Copacabana, assim como La Paz, está a 3.900 metros acima do nível do mar).
Cansava de andar 10 metros, as ladeiras pareciam não ter fim e levei quase meia
hora pra chegar ao topo do mirante – uma escadaria não muito alta - com o
coração disparado. Mas quando cheguei, quase chorei: talvez uma das paisagens
mais deslumbrantes de toda minha vida, o lago Titikaka, as árvores, cenário de
filme. Fiquei uma meia hora estatelado na grama, curtindo o fim de tarde, em
êxtase.
Um pedaço dessa paisagem vc pode ver aqui:
Depois descemos, vimos famílias jogando bola juntas em
frente à igreja – muuito bacana – e conhecemos a cidade. De volta ao hotel, um
breve descanso, e logo saímos a noite para jantar – já com um frio de lascar.
(cerca de 4 graus) Voltamos cedo para o hotel pois o cansaço de quase 36 horas
no ar era forte.
4°dia, Segunda 16/04: Copacabana - Puno - Cuzco
Acordamos 7 da matina, pois o passeio pra ilha do sol estava
marcado pras 8:00. Arrumamos as malas, descemos pra tomar café – e um chazinho
de coca providencial – e fechamos a conta. Pedimos pra deixar as malas no hotel
e rolou sem problema – aliás como em todos os hotéis da Bolívia e Peru, isso é
normal, e eles tomam conta mesmo, sem problemas.
Chegamos na enseada e o barco já nos esperava. Cerca de 15 pessoas
conosco no barco –da Bélgica, Israel, Suécia, Brasil. A viagem até a ilha do
sol leva 1 hora e meia, o suficiente pra deixar Fabiana roxa de enjôo. O
passeio é lindo, o dia está ensolarado, mas frio – cerca de 13 graus. Perto da
ilha começamos a avistar a cordilheira, já nevada em Abril, que em contraste
com o lago rende algumas das mais belas fotos da viagem.
Vista de dentro do barco na ida à ilha do Sol
Chegamos a ilha e
teríamos apenas uma hora para conhecê-la. Sem problemas, subimos morro,
descemos trilha, vimos lhamas e ficamos bobos como pode haver um lugar tão
lindo e tão desconhecido na América do Sul. Lindo! A volta no barco rende um
bom cochilo, ao sabor do balanço das águas. Chegamos à cidade, pegamos correndo
nossas malas no hotel e corremos pra pegar o ônibus pra Puno, que sairia da
frente da agência em que compramos as passagens.
Ônibus bonzinho, daqueles que a gente pega pra fazer viagens por
aqui pelo Brasil. Em menos de uma hora de viagem chegamos à fronteira da
Bolívia com o Peru. Todos descem, pois teríamos que passar pela imigração
Boliviana e depois atravessar a fronteira a pé. Assim fizemos, tudo tranqüilo,
apesar das filas. Passamos pelas duas migras – a boliviana para sair e a
peruana para entrar e aproveitamos o tempinho enquanto o resto do pessoal
do ônibus passava pelo procedimento pra trocar dólares por Soles – moeda local
(U$$ 1,00 = $oles 3,15).
Posto de imigração na fronteira Bolívia-Peru
Entramos no busum e em mais uma hora e meia estávamos
em Puno. A cidade é beeem maior que Copacabana, com uma grande periferia e mais
movimento de comércio. Logo que saltamos na rodoviária somos abordados por dezenas
de pessoas oferecendo passagens para outras cidades e passeios. Decidimos que,
já que estávamos “inteiros”, iríamos direto pra Cuzco, na mesma noite. Compramos
as passagens para as 9:00 da noite (20,00 soles cada), mas eram 3:30 da tarde!
Decidimos então fazer um dos passeios que estavam nos oferecendo, para as ilhas
flutuantes de Urus (preço: 25,00 soles cada). Saímos na mesma hora da
rodoviária, nos colocaram em uma van que nos levou ao ancoradouro, de onde
pegamos um barco com mais 25 gringos. Quarenta minutos de viagem pelo lago
Titikaka – e o lado peruano não é tãão limpo – e avistamos as ilhas flutuantes.
E é algo impressionante de ver. Os índios construíram as ilhas em
cima de raízes de totora – uma planta local – e cobriram com a própria planta.
Há mais de 700 anos. E hoje existem 12 ilhas que formam o complexo, onde vivem
cerca de 8 a 10 famílias em cada. As ilhas contam com escola primária e teto
para geração de energia solar. Você caminha sobre a ilha e não consegue
acreditar, elas podem se mover e ficam presas por espécies de âncoras. Os
nativos sobrevivem da pesca e do turismo. A história sobre a chegada deles a
este lugar é longa, mas fascinante. Ficamos ouvindo as explicações do guia e
conversando com os moradores. Compramos artesanatos deles e tiramos fotos com
as crianças – das mais lindas que vi na vida!
Islas Flotantes de Urus (Peru)
Saímos das ilhas, estupefatos e maravilhados. De volta a
rodoviária, fizemos um jantarzinho bom na própria rodo e pegamos o busum pra Cuzco. Não
era grande coisa, mas era bonzinho - tinha até apoio pros pés. O
banheiro tinha uma placa: “favor apenas urinar”. Você entrava e o vaso era um
buraco que dava pra estrada – hahahaha!!
Apaguei e dormi direto, mas Fabiana disse que durante a viagem
fomos parados algumas vezes pela polícia peruana. Eu não vi nada, não sei de
nada.
5°dia, Terça 17/04: Cuzco!
Cinco da matina, um frio de lascar e finalmente chegamos à Cuzco.
A cidade é muito, mas muito maior que pensávamos (ficamos sabendo que tem cerca
de 300.000 habitantes) e logo na saída da rodoviária, como sempre, dezenas
de pessoas oferecendo hotéis e pousadas. Mas havíamos visto uma pousadinha
bacana na internet e pegamos um táxi direto pra lá. Qual não foi a surpresa
quando vimos que, de novo, a pousada havia fechado. Ficamos batendo de porta em
porta vendo hotéis, mas ou não tinham vaga ou eram extorsivos. Acabamos levados
por um taxista para o hostal Dorian’s. Perto do centro e com uma diária de 35
soles por um quarto de casal, que apesar de tosco era acolhedor. Dormimos um
sono pesado até as 10 da matina, quando descemos, tomamos café – se é que
aquele chafé pode ter esse nome – e saímos para conhecer a cidade.
Caminhamos uns 10 minutos, pelas incríveis ruas de pedra da
capital dos Incas, e chegamos à famosa praça das armas. Lá você começa a ser abordado
por todos os lados por: crianças vendendo coisas/ pessoas vendendo pacotes
turísticos/ homens oferecendo restaurantes. Coisa de louco mesmo. Acabamos
fechando com um dos moços em uma agência na própria praça o pacote para irmos à
Machu Picchu. Azedo - 130 dólares por cabeça: trem ida e volta à
Olantaytambo + duas noites em Águas Calientes + ingresso de entrada para a
cidade sagrada + tour por Pisac/ Olantaytambo. Depois pesquisamos e descobrimos
que se fizéssemos por conta própria sairia quase o mesmo preço. Claro que –
isso aprendi depois – no Peru “sempre falta dizer alguma coisa”. O passeio não
cobria tudo que o cara disse e tal, mas valeu a pena fechar com a
agência - na verdade, no retorno de Olantaytambo para cuzco o transporte não
estava coberto, mas nos viramos bem (você verá como mais adiante). Ele também nos levou à agência da
Prefeitura que vende o boleto turístico da cidade. Com este boleto, que você
compra em duas agências da prefeitura por 70 soles, a pessoa tem direito a
visitar 16 pontos turísticos da cidade – sim, há cobrança de entrada em todos,
mas esse boleto acaba saindo mais em conta.
Almoçamos em um belo restaurante perto da praça – 10 soles cada
um, com entrada, sopa, prato principal e suco – e fomos conhecer os museus que
o boleto indicava – o legal é que nas costas do boleto tem um mapinha que ajuda
à beca.
Passamos a tarde inteira batendo perna, vimos o maravilhoso museu
do sitio coricancha – onde os espanhóis construíram uma igreja em cima, e que
só foi descoberta há 15 anos – e saciamos nossa sede de conhecer Cuzco. À
noite, uma volta pela praça – com um frio de uns 5 graus - um lanche e fomos
dormir cedo, pois no dia seguinte além de 2 diferentes ruínas incas, iríamos
encarar uma viagem de trem até Águas Calientes.
Cuzco
6° dia, Quarta 18/04. Cuzco – Pisac – Olantaytambo – Águas
Calientes.
Saímos do hotel as 8 da matina, fechamos a conta e eles ficaram
guardando uma de nossas malas durante os dois dias que ficaríamos fora – sem
cobrar! Òbviamente que voltaríamos para o hotel, mas essa é uma prática comum
na cidade. Pegamos o ônibus no ponto de encontro acordado na praça das armas e
seguimos com um grupo e nosso guia Benjamim para as ruínas de Pisac, próximas
de Cuzco. A primeira parada é na cidadezinha com mesmo nome, linda, em um vale
onde paramos na praça com uma grande feira. Como estávamos pouco afeitos à
compras, preferimos ficar rodando enquanto as pessoas se fartavam de
artesanato. Comi ali o maior milho da minha vida e logo seguimos para as
ruínas. Chegando você acha que é moleza: uma descida em escadarias de pedra.
Mas depois de uma descida sempre tem...uma subida! E tome morro, escada e tudo
mais que faça as pernas doerem. Mas vale e muito à pena, as ruínas são lindas e
com uma história fascinante. O passeio dura quase duas horas e quando voltamos
estava morto de fome. A parada para almoço não foi das melhores, mas quando
esta viajando você tem que superar algumas coisas - eita comidinha ruim dos infernos. Durmo pesado as duas horas
de viagem até Olantaytambo, próxima parada. São as ruínas mais impressionantes,
com pedras gigantescas, que foram carregadas por centenas de índios que
perderam ali suas vidas e sua saúde para erguer este templo inca. Uma viagem em
todos os sentidos, é impressionante como você sai de um lugar desse mexido e
impressionado.

Olantaytambo
O passeio por Olanto acaba as 4:30 da tarde e nosso trem para Águas
Calientes só sairia as 8:00. ficamos pela praça lendo, ouvindo musica, vendo os
nativos e recebemos a companhia de um menino de 5 anos chamado Ronaldo. Ele se
aproxima, não diz uma palavra, não pede nada, senta ao nosso lado e fica.
Sorrindo e quieto. Passamos uma hora juntos de Ronaldo, tentando manter algum
tipo de comunicação com ele. Seu misto de tristeza e curiosidade nos chama a
atenção por dias. Em seguida, tomamos uma cerveja e seguimos caminhando por 5 minutos
até a estação de trem. Na entrada, um certo caos, mas depois que entramos
encontramos uma estação de primeiro mundo...apenas para os turistas. Há uma
divisão dos vagões e os turísticos tem uma estação bem melhor. Chato. A viagem
é rápida – duas horas – e fico curtindo o silêncio, o balanço e a paisagem
escura das montanhas peruanas. Chegamos por volta das 10:00 em Águas Calientes.
Na praça um cara do hotel nos esperava. Chegamos completamente extenuados e
vamos direto dormir, pois no dia seguinte, as 5 da manhã acordaríamos para
finalmente conhecer Machu Picchu.
7° dia, Quinta, 19/04. Machu Picchu.
Então é isso: você passa meses em frente ao computador procurando
dicas, pesquisando roteiros e orçamentos, planejando baldeações e de repente,
você está a alguns minutos de chegar onde esperava há 20 anos. Ok, ok, sem
pieguices, esse era mais ou menos meu clima às 5 da manhã, acordando pra tomar
um rápido café quente com um pão e andar pela rua ainda deserta e escura – e
friiiiiiiiiiiia – de Águas Calientes até a estação de ônibus da cidade, para
pegar o busum de antes das 6 pra Machu Picchu. Tudo escuro e logo depis de 5 minutos de
caminhada encontramos uma fila de gringos.
O ticket pro ônibus custa 6 dólares
por pessoa, só ida (ou seja, mais 6 dólares volta). Compensa pra subir, pois
são quase 30 minutos de curvas, subida, subida e mais subida. Os ônibus saem de 5 em
5 minutos, e vão todos cheios – e olha que nem estamos na alta estação.
Chegamos à cidade sagrada e quando vc salta do busum, dá de cara com um puta
resort – reza a lenda que a diária aqui custa 400 dólares.
Esperamos a guia, preenchemos o ticket de entrada com nossos dados
e entramos no parque. E a primeira visão de Machu Picchu as 6 da matina faz
tudo, absolutamente tudo, valer à pena!
Entrada de Machu Pichu
Faz frio, mas o sol começa a esquentar.
Andamos por quase três horas pela cidade sagrada ouvindo as explicações do guia
sobre cada pedaço, cada construção – e essas explicações fazem uma grande
diferença, não deixe de ter um guia quando for. Ao fim da caminhada pelas ruas
e escadas da cidade sagrada, já estamos sem metade dos casacos. E ao fim do
tour, decidimos que uma aventurazinha valia a pena: resolvemos subir
Waynapicchu – uma montanha acima da cidade sagrada que dá uma visão de todo o
vale. Só é permitida a entrada de 400 pessoas por dia, até as 13:00. então
decidimos ir logo. O guia havia dito que era uma trilha bem sinalizada e que
caminhando forte faríamos em uma hora.
Chegamos à entrada de Waynna e vc tem que preencher uma fichinha
com seus dados. Fomos os números 111 e 112, respectivamente. E começamos a
subida. No início você até anima, uma trilha razoavelmente íngrime mas
com escadas e tal, tranks. Daqui a pouco, moleque, o bagulho começa a
engrossar, e se torna uma semi-escalada, com cordas para se apoiar, pedras que
soltam, subidas mega estreitas, cavernas e tal. E vc nuuuunca
chega. Tome uma hora de caminhada, pernas gritando de dor, e nada de
chegar ao cume. Mas a cada dez metros a paisagem lá embaixo vai ficando mais
bonita. Depois de uma hora e 20, finalmente chegamos ao cume, que nem é um
platô – só uma porção de pedras com todos se espremendo pra ficar apoiados e
conseguir ver e tirar fotos da cidade sagrada, lááááááááá embaixo.
Vista de Machu Pichu de Waynapicchu
É mega-ultra
lindo, mas ficamos bolados em relação à descida e assim que as pernas param de
tremer, começamos o caminho de volta – que acredite, não foi tããão mais fácil
que a subida. Mas foi um desafio bacana de conquistar e rendeu as melhores
fotos da viagem (acho que já falei isso em alguma parte deste texto...).
De volta à Machu Picchu, ficamos um bom tempo deitados na grama
recuperando as pernas e comendo barrinha de cereal (levar algo para comer na mochila é mega importante). Demos mais vááárias voltas
pela cidade, conversamos com um casal conhecido de islandeses e tomamos a
decisão mas triste do dia: era hora de ir embora. E agora, pagar mais seis
dólares pelo ônibus que levaria à Águas Calientes ou esquecer as dores nas
pernas e descer...a pé?? Imbuídos de um espírito de Indiana Jones com Rocky
Balboa, decidimos pela segunda opção e lá fomos nós, morro abaixo, no meio da
mata descer Macchu Picchu. Uma escadaria de pedra, dura feito o cão, e no meio
do caminho ainda começa a chover. Pois aqueles 30 minutos de subida de ônibus
viraram 1 hora e meia de descida. Molhados, exaustos e 12 dólares mais ricos,
finalmente chegamos de volta à Aguas Calientes. Comemos um sanduba em um restaurante em
frente ao hotel e tiramos um descanso de uma horinha. Logo, reanimados, ainda fomos
passar o início da noite na estação de banhos termais da cidade, em
maravilhosas piscinas de águas quentes, que tornaram menos doídas nossas
pernas. Você paga cerca de 20 soles e pode desfrutar das piscinas termais, usar
o vestiário e ainda servem umas cervejinhas e petiscos. E, depois de voltar ao
hotel para um banho, a noite acabou em pizza e pisco sauer, pra brindar a um
dia maravilhoso.
8° dia, Sexta, 20/04. Águas Calientes – Olantaytambo - Cuzco.
Outro despertar as cinco da manhã, desta vez sem café e corrida,
pois o trem de volta pra Olanto sairia as 5:45. Senti falta de ter passado mais
tempo em Águas Calientes, amei a cidadezinha, mas fica pra próxima. A viagem de
volta foi bem melhor, de dia deu pra curtir mais o visual maravilhoso do
trajeto. As montanhas nevadas, o rio, etc. Chegando em Olanto vários ônibus e
táxis disputam clientes para ir à Cuzco. Optamos por um busum que transportava
guias e trabalhadores, 5 soles por pessoa. A viagem foi ótima, os homens não
falavam espanhol – só dialetos nativos – e ficamos super curiosos ouvindo-os.
Éramos os únicos “gringos” do ônibus e isso também acabou sendo interessante. O
ônibus parou em uma cidadezinha e quase todo mundo desceu – para Cuzco só
seguimos nós e mais dois caras. A paisagem da viagem é deslumbrante, linda
mesmo. Duas horas depois chegamos em Cuzco e voltamos ao nosso hotel velho de
guerra, desta vez para um quartinho até melhorzinho. Resolvemos que não
queríamos descansar e fomos caminhar pela cidade. Levamo roupas pra lavar em
uma laudry perto do hotel – mais que necessário – e almoçamos em um restaurante
sensacional, o haylly (calle plateros 359) que servia entrada, sopa, prato
principal e bebida por inacreditáveis 7 soles. Além de tudo, a comida era
excelente! No meio da tarde voltamos ao hotel para descansar um pouco.
A noite, voltamos ao Haylly para jantar e resolvemos dar uma geral
pela “night’ da cidade. Na praça das armas várias pessoas ficam oferecendo
entrada grátis em boites e bebidas cortesia. Como havíamos visto um lugar
interessante na Terça anterior, resolvemos ir lá primeiro – e não nos
arrependemos. O Underground rock bar era o que eu queria pra beber umas e descansar:
um pub em um sub solo, com bebidas bacanas (o drink machu Picchu é coisa de
louco!!!) rock e clima agradável. Ficamos um tempo lá, bebendo e jogando dardos e xadrez.
Depois de uns 4 drinks, saímos e fomos entrar naqueeeelas boites com entrada
free e drinks cortesia. A primeira foi o "Extreme" – muuito caída, rimos à beça,
bebemos duas cuba libres e saímos fora. A próxima parada foi em outra
boitezinha mais animada, "Uptown bar", com um DJ menos trash e acabamos
ficando mais tempo...e bebendo mais. Quando começamos a ficar meio bebuns,
resolvemos voltar pra um merecido sono no hotel.
9° dia, Sábado, 21/04. Cuzco – La Paz.
Havíamos comprado no dia anterior a passagem de Cuzco direto pra
La Paz – viação nuevo continente, 80 soles (uma facada!!) – para as 22:30. Mas
o busum parecia confortável, o que era necessário para uma viagem de 13 horas. Tomamos
café em uma cafeteria mega bonitinha e fomos dar um rolé pela outra parte da
cidade. Eu queria conhecer o estádio do Ciensiano – time local, campeão
da copa Sul Americana de 2005 – e acabamos conhecendo uma praça – a
tupac amaru – em que rola aos Sábados uma feira enooooooooooorme, muito bacana.
Ficamos por lá, tomamos refresco, chincha, doces, visitamos o
estádio e resolvemos conhecer as ruínas mais próximas da cidade que ainda não
havíamos visitado: Saqsaywaman. Pegamos um táxi que cobrou 10 soles e em 10
minutos estávamos na entrada. Demos o boleto turístico e entramos. Logo um cara
se ofereceu pra ser guia. Demos uma pechinchada e ele acabou topando nos
apresentar tudo. Lindo lugar, linda história.
Descemos a pé, almoçamos – adivinha aonde? Sim, Haylly– e ficamos dando um
tempo pela praça das armas, nos despedindo desta cidade tão peculiar.
Depois voltamos ao hotel, pegamos as coisas, fizemos um lanche e
rumamos pra rodoviária. Ônibus bom, entrei e apaguei, dormindo o sono dos
justos!
10° dia, Domingo, 22/04. La Paz.
Acordei na fronteira, lá pelas 7 da matina, e estranhei o ônibus
semi vazio: a maior galera havia descido em Puno. Beleza, dei um jeito de acordar
rápido e virar gente. Descemos e foi a mesma coisa da vinda: fazer a passagem
pela polícia de fronteira peruana, atravessar a fronteira a pé e ir até a
policia federal boliviana. Tudo rápido e tranqüilo, não rolou nenhum dos
stresses que neguinho falava. Depois dormi até chegarmos em La Paz. Na
rodoviária, Fabiana ficou cuidando das malas enquanto eu dava uma volta no
entorno para catar um hotel. Acabamos ficando no hotel Rossel, na av. Peru,
logo ao lado da rodoviária (100 bolivianos quarto de casal beeeem bacana!).
Nos alojamos, um banho e fomos conhecer a cidade. Almoçamos na
famosa rua Sagárnaga, no centro turístico da cidade. Demos uma volta e vimos
preços para passeios em Chakaltaya, montanha próxima que nos interessava
conhecer. Mas estávamos cansados e voltamos ao hotel. Bem, como tenho coceira
de ficar quieto, logo arranjei o que fazer: me despedi de Fabi e parti rumo ao
estádio nacional de La Paz Hernan Silas, para ver o “cláááássico” local
Strongest X La Paz.
Entrada do Estadio Hernan Silas
Peguei um táxi que me cobrou 13 bols e em 15 minutos estávamos no
estádio. O camarada do táxi recomendou comprar entrada para setor
“preferência”, estilo cadeira comum no Maracanã, e custou 30 bols. Tudo
tranqüilo no em torno do estádio, muito bonito por sinal. E assim como na
Argentina, não vendem álcool no bairro em dias de jogos – fiquei na seca.
Entrei, bebi uma Inka Cola, comprei uma bala e fiquei fazendo o que mais adoro:
admirar as pessoas, as torcidas, identificar semelhanças e diferenças entre as
formas de torcer de países diferentes.
O time “da massa”, o Strongest, tomou uma bela chinelada de 4 X 0
com direito a protesto da torcida pedindo a cabeça do técnico. Fiquei feliz da
vida e voltei realizado para o hotel.
A noite fomos conhecer mais o centro, bastante tranquilo de caminhar a noite, muito movimentado e com muitos jovens em grupos ouvindo musica e conversando. Jantamos em uma pizzaria
óótima na av. Prado, o Elis, e ficamos andando pelas ruas tranqüilas e cheias e
frias da cidade.
11° dia, Segunda, 23/04. La Paz.
Acordamos bem tarde, dormindo um merecido sono dos justos, e
saímos para tomar café na rodoviária – mais barato que no hotel (aaahh, sim,
nenhum dos hotéis em que ficamos oferecia café incluso na diária). Dali
decidimos conhecer um dos mirantes famosos da cidade, de onde se avista toda La
Paz, mas – decepção – ao chegarmos lá ele se encontrava fechado. Desistir
nunca, retroceder jamais! Resolvemos bater perna pela cidade...e tome sobe e
desce ladeira! La Paz nesse quesito lembra BH, tome subida! Conhecemos prédios
do governo, praças famosas, a universidade local, museu de arte contemporânea,
e ficamos horas vendo o trânsito caótico da cidade.
Almoçamos em um lugar bem tosco, mas a cerveja preta foi ótima.
Depois acertamos o tour para Chakaltaya e Vale de la Luna, por 50 bolivianos
por pessoa. Dali fomos conhecer o famoso museu da coca, que conta toda a
história da folha, desde seu papel na cultura indígena até a utlização química
– drogas e coca cola. Muito bacana!! A entrada no museu – super escondido por
sinal, em um beco que cruza a rua Sagárnaga – custa 10 bolivianos que valem
cada centavo.
Na hora do almoço havíamos recebido um caderno com a programação
de uma mostra de curta-metragens latino americanos que parecia interessante. E
lá fomos nós ver qual era a do cineminha boliviano. Chegamos, cinema bacana...e
vazio. Começa a sessão de 3 curtas e só nós no cinema. Rimos à Vera!! No meio
do segundo filme a parada dá pau, as luzes acendem e o cara desce da cabine,
pede desculpas porque o filme esta estragado e começa a passar o terceiro.
Tosco! Mas nos divertimos!
Já era início da noite, e o dia batendo pernas para conhecer La
Paz começava a cobrar seu preço. Chegamos no hotel completamente esgotados e
sim, dormimos direto! Afinal, no dia seguinte iríamos encarar mais de 5.000
metros de altitude e corpo descansado era fundamental
12° dia, Terça, 24/04. La Paz.
Acordamos cedo e na horinha combinada a guia da agência
passou no hotel para nos buscar para o passeio contratado. Na van, conosco, um
austríaco – alpinista – e um francês. Tinha um belga também, mas o cara tava
passando mal e saiu fora logo pra voltar ao hotel.
Primeiro destino seria o vale de la Luna, próximo à cidade, na
periferia “rica”. A guia, muito simpática, ia nos explicando as
peculiaridades da cidade no trajeto – o que foi bastante interessante. La Paz
como toda cidade se divide em classes a partir da geografia: a população mais
pobre mora nas regiões mais altas e a mais rica, nas mais baixas. La Paz
apresenta também 3 altitudes diferentes, de acordo com o lugar que vc está.
Pode ser 4000 metros acima do nível do mar (cuidad Del alto), 3.900 (centro) ou
3.700 (vale de la luna).
Chegando no vale, compramos os tickets de entrada (15 bolivianos
cada) e vc de fato se sente meio na lua! É como se fosse uma caverna ao ar
livre, com formações rochosas impressionantes. O passeio dura 45 minutos e
ficamos mezo-cansados.
Vale de La Luna
Dali pegamos de novo a van e rumamos para os 5.300 metros de
Chakaltaya. O caminho é longo – quase duas horas – e passamos por cuidad Del
alto, onde de fato se encontra a população mais pobre de La Paz.
Dali em diante, subida em estrada de terra, com o precipício à
esquerda olhando pra vc. Muito bonito, cada vez mais deserto, cada vez mais
frio e o ar cada vez mais escasso. E tome folha de coca pra agüentar o tranco!
Mas depois de quase duas horas, chegamos à cabana da estação de esqui, e a
visão e o clima recompensam tudo! Lindo, e logo que chegamos começa a
nevar!
Chakaltaya
Da cabana até o topo são cerca de 300 metros, que levo mais de
meia hora pra subir. Falta de ar é punk, a guia recomenda que
subamos “como se estivéssemos andando na lua, passo a passo”. O frio aumenta –
chega a 3 graus negativos – e quando chegamos no alto a visão, a neve, tudo te
provoca uma imensa alegria! Ficamos uns 20 minutos lá, absolutamente
deslumbrados e cansados, observando tudo e brincando com a neve, claro. Depois
a descida – que sempre é mais fácil – e um café beeeeeeeem quente porque meus
dedos começavam a congelar dentro da luva.
Voltamos felizões e em silencia na van, descansando corpo e mente.
Chegando à La Paz – já mais de 3 da tarde - nos despedimos do grupo e vamos
procurar um lugar pra comer – estava faminto!! Eis que na Av. principal
descobrimos a matriz da rede Elis, aquela da pizza da primeira noite! É
aquele típico restaurante old school, com um garçom mega simpático, seu Max,
que é uma “lenda” no local (o cara trabalha no restaurante há 55 anos e tem
fotos de matérias de jornal com ele por todo lugar – uma inclusive, com Che
Guevara!).
Almoçamos, demos um rolê para compras, mas o cansaço cobrava um
preço e voltamos ao hotel para uma dormidinha.
A noite voltamos a avenida principal e depois de muito procurar e
admirar o intenso movimento noturno da cidade paramos em um mega simpático
café, onde degustamos uma carninha com cerveja nos deleitando com as lembranças
de Chakaltaya. Final perfeito para um dia inesquecível.
13° dia, Quarta, 25/04. La Paz – Santa Cruz de la Sierra
Acordamos e fomos tomar mais um café e comprar as passagens para
Santa Cruz – só eram vendidas no dia. Compramos pela viação flota Copacabana –
bus cama, mas por 160 bolivianos!! O ônibus só sairia as 17:00, por isso
voltamos ao hotel e negociamos com eles para deixar as malas ali até a hora de
ir para a rodoviária.
Descemos as malas e fomos dar o último role por La Paz. Várias
coisas lindas para comprar, colocamos um filme para revelar e enfrentamos nosso
primeiro dia de chuva da viagem. Batemos perna procurando lembranças para os
amigos do Brasil – e demos um mega mole de deixar para comprar a maioria das
coisas em Sta Cruz, achando que seria mais barato, o que acabou não rolando.
Almoçamos de novo no maravilhoso Elis, filmei chuva de granizo, e
acabamos descobrindo, já no meio da tarde, o interessantíssimo mercado das
bruxas e o comércio do alto da rua Sagárnaga. Ficamos mega culpados de não ter
trocado mais dólares, pois haviam váárias coisas legais para comprar. Voltamos
ao hotel, pegamos as malas e descemos para a rodoviária. Lê um livrinho pra
relaxar, uma chuva brutal caindo e as 17:00 embarcamos. Dei uma dormida, mas as
9:00 da noite paramos em um bloqueio de trabalhadores na estrada: eles só
liberariam a estrada as 11:00!! E ficamos lá, motor desligado, esperando no
meio do nada desobstruírem a estrada. Pelo menos deu pra descer e descarregar
as necessidades liquidas ali mesmo, na beira da estrada – já que o ônibus não
faria nenhuma parada nas 16 horas de viagem!!!! Aaahh, sim, sem banheiro!!!!
Ainda seríamos parados mais duas vezes pela Polícia Federal
Boliviana, que revistou malas e conferiu documentos de todos os passageiros.
Pelo menos dormi um sono pesado no meio da madruga atéé o dia seguinte.
14° dia, Quinta, 26/04. Santa Cruz de La Sierra.
Finalmente as 11:00 da manhã chegamos de volta à Santa Cruz!!
A viagem foi barra pesada, mas logo em frente a rodoviária
encontramos um simpático hotel – o Suécia – onde depois de 2 trocas de quarto
por causa de chuveiros que não esquentavam, finalmente nos alojamos – por
módicos 90 bolivianos por pessoa. Banho e rua! Fomos às compras, mas ao chegar
no centro, a surpresa: tudo fechado! Só os restaurantes abertos. Foi quando
descobrimos que nesta cidade nego leva a sério o papo de siesta. Tudo pára as
12:00 e só volta as 14:30. Beleza, almoçamos e ficamos fazendo hora. Voltamos
ao hotel mortos lá pelas 6 e meia da tarde, demos uma dormida e quando acordamos saímos para comer um
churrasquinho de rua em frente ao hotel, mega bem servido – com arroz, salada,
batatas e tal. A noite se encerrou vendo Boca jrs e Bolívar no bar do hotel, e indo pra cama cedo, pois o vôo para o Rio sairia de Viru viru (lembra??) as 5 da matina!
15° dia, Sexta, 27/04. Santa Cruz de La Sierra – Rio...the
end.
Acordamos as 2 e meia, o próprio hotel tem um ponto de táxi deles.
Por 60 bolivianos fomos até o aeroporto e lá descobrimos – na hora do embarque,
sem que a Gol tenha nos informado – que existe uma taxa de “saída” do país,
assim como na Argentina. Sorte que o banco 24hs de lá aceitava meu cartão de
crédito internacional e sacamos os 44 dólares para os dois e embarcamos. Saímos
pontualmente as 5 da manhã e chegamos ao Rio as...9 da noite!!! Coisas
da aviação brasileira... passei meu aniversário entre um vôo e o aeroporto
de Guarulhos. E de volta ao lar.