O Marrocos é um país
incrível. E muito doido – ao menos para um ocidental pouco ambientado com a
cultura e a religiosidade locais. De primeira, tudo é estranho: a língua, as
placas, os hábitos. Mas as pessoas são amáveis e carinhosas e as belezas do lugar
rapidamente te auxiliam na tarefa de relaxar e curtir este cantinho da África.
Aqui vamos relatar momentos,
dicas e histórias para ajudar quem pensa em conhecer o lugar.
Chegando.
Chegamos ao país pelo ar –
um vôo de Madrid para Casablanca, de uma hora. Vôo rápido e barato da Iberia –
usamos a E-Dreams para localizar os melhores trechos aéreos na Europa e foi
batata! Depois de uma pesquisa percebemos que sairia mais barato que pegar
o ônibus até Tarifa (Cidade espanhola no litoral mediterrâneo de onde se pega o
barco para Tanger) e o barco depois.
Ou seja: planejamento é 90%
de uma viagem bem sucedida.
O Aeroporto Internacional Mohammed
V é pequeno para padrões internacionais, mas confortável. A imigração é ... enrolada, como muita coisa por lá.
O camarada confere um por um seus dados, com uma calma incrível. E depois você passa
por outras revistas e finalmente pelo raio X. Mas é tranqüilo.
Fizemos o câmbio dentro do
próprio aeroporto. Pela cotação do dia (Janeiro de 2013), 1,00 Dólar estava
valendo 8,50 Dirhans (moeda local) e um Euro, 11,00. Trocamos 400 dólares que
deram e sobraram para os 6 dias que passamos por lá.
Dentro do próprio aeroporto,
no subsolo, fica a estação de Trem. Pegamos o trem que sai de hora em hora - mas atrasa, para Gare Voyageurs que fica bem no centro de Casablanca. O ticket custou 40 Dirhans, e saiu cheio. A viagem demorou 40 minutos.
Estação de Trem do Aeroporto
Chegando na Gare de
Voyageurs uma pequena multidão de taxistas oferecia transporte. E sempre é necessário negociar! Como não conhecíamos o lugar, o cara fez um preço (50 Dirhans) que era
o triplo do que, de fato, custava a corrida até nosso hotel, que ficava a 10 minutos da estação.
Ali aprendemos a primeira
lição: no Marrocos, TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO tem que ser negociado e
barganhado. Faz parte da cultura local.
Casablanca
Casablanca é cinza. Cinza e
ruidosa, como São Paulo. Não é uma cidade litorânea comum, é pesada e muito
cheia. Metrópole. Em um dia demos conta de conhecer os principais pontos da cidade. Ruas sujas e
prédios degradados ou abandonados são constantes no centro. Na parte litorânea,
grandes empreendimentos imobiliários sendo erguidos. Entre a Mesquita do Rei
Hassan e a avenida Mohamed V está o “filé mignon” da cidade. Ruas bem
preservadas, arborizadas e um comércio variado.
Nosso hotel ficava bem
próximo destas áreas e, caminhando devagar, chegamos em 20 minutos até a praça
Mohamed V. Ali ficam vários cafés em estilo parisiense, um belo boulevard e a
entrada principal da Medina – a cidade antiga. A Medina é formada por uma infinidade de becos e ruelas cercadas pelo grande muro, suas ruelas formam um grande mercado
(souk) onde também vivem e trabalham as pessoas de mais baixa renda da cidade. É fácil se perder lá
dentro, mas caminhando, se acha sempre uma das várias saídas. Não é perigoso
nem tenso, mas em vários momentos fica deserto. E a todo o momento passam motos
e mobiletes – todo momento. É melhor chegar depois das 11 da manhã, quando todo
o Mercado já abriu e as atividades estão à mil.
Para quem conhece o Rio de Janeiro, a Medina de Casablanca é uma grande mistura da Saara (centro de comércio
popular do centro da cidade carioca) com a Rocinha (favela da zona sul da
cidade). Muita roupa de grife falsificada na China, muita camisa de time de
futebol – principalmente da Espanha – badulaques de toda ordem, temperos e
tecidos típicos. Caminhamos muito por lá e saímos pela praia.
Caminhando pela
orla e graças a uma boa sinalização (coisa rara por lá) chegamos à gigante –
GI-GAN-TE – Mesquita do Rei Hassan II. Um palácio imenso na beira do Atlântico
rodeado por uma praça imensa – 4 ou 5 vezes a Praça XV, no Rio. Paga-se 120
Dirhans para visitar seu interior – a única Mesquita aberta a visitações no
país – 4 vezes por dia: as 9,10,11 da manhã e 14 hs. Mas, ali começamos a
descobrir que, como no Brasil, em Marrocos “sempre se dá um jeitinho”. Chegamos
11 e meia, já não poderíamos visitar o interior. O camarada da portaria olha
pra um lado, olha para o outro, pisca para nós e pede que o sigamos “em
silêncio”. E nos leva para conhecer o interior do Palácio. E é aquilo:
suntuosidade, ostentação, salões imensos, uma grande área para banhos turcos,
colunas monumentais, passagens secretas pra lá e pra cá. Cenário de filme.
Saímos e ele fala que se deixarmos uns 200 Dirhans pela visita para os dois, ta
de bom tamanho.
Mesquita do Rei Hassan II
Dalí a caminhada segue de
volta, pelo boulevard de La Corniche até a Praça Mohamed V de novo, caminhando
pela avenida de mesmo nome até Praça dês Nations Unies. Muito bonita e cercada
de prédios em estilo clássico, vale um tempo de contemplação.
Almoçamos e jantamos muito
bem nesta região, em restaurantes de comida típica marroquina, por preços que
variaram entre 150 e 220 Dihans (algo entre 37 e 55 Reais para o casal).
Tajines (um tipo de cozido, que pode ser de peixe, frango ou carne), Cuscuz
marroquino, saladas e os incríveis pães locais foram nosso cardápio.
Em Casablanca nos
hospedamos, graças ao sagrado e amado Booking.com, no excelente Maroccan House
Hotel. Preço acessível, instalações muito boas, wi-fi grátis, um staff super
gentil e um senhor café da manhã, cheio de delícias marroquinas.
Marrakech
Pegamos um trem as 8:00 da
manhã na estação Gare Voyageurs de Casablanca com destino a Marrakech. Seriam 3
horas de viagem e pretendíamos voltar no mesmo dia, no trem das 19:30. Cada
passagem por 90 Dirhans (cerca de 11 dólares), na segunda classe – que é
confortável. Os horários e valores das passagens podem ser acessados sempre no
site da empresa de trens de Marrocos – e nos ajudaram muito!
http://www.oncf.ma/Pages/Accueil.aspx
O trem já vem de outra
cidade – Rabat – com gente dentro – meio cheio. Conseguimos dois lugares em
frente a um casal muçulmano que passou a viagem toda nos fitando. Cadeiras
confortáveis e janelas amplas. A viagem é agradável e a
paisagem árida. No interior de Marrocos as construções têm sempre um tom bege,
marrom, cor de tijolo. Poucas plantações, sempre de grãos. Muito pasto e pouca
criação de animais. Vimos algumas poucas criações de cabras. Houve cerca de
10 paradas em diferentes cidades no caminho, mas estávamos tranqüilos porque
Marrakech seria a última estação. A última meia hora de viagem foi a mais bonita,
quando se aproxima das montanhas.
Saltamos na belíssima Gare
de Marrakech e seguimos logo em frente, pela avenida Hassan II. Ruas
arborizadas, prédios baixos, uma linda arquitetura. De cara Marrakesh é MUITO
mais agradável que Casablanca. Caminhamos uns 10 minutos e já avistamos as
muralhas da cidade antiga. São 10 kilometros de muralhas em estilo clássico que cercam
medina. No caminho muitos jardins, amplos e bonitos, onde vimos jovens
descansando, estudando ou passeando.
Seguimos em frente depois de
muitas fotos e logo avistamos, de longe, a belíssima Mesquita Koutoubia. Aqui
há uma história interessante. Todas as Mesquitas têm o mesmo padrão de
construção. Todas, no alto, tem 3 bolas de tamanhos diferentes fixadas por um
ferro. Pois bem, nesta Mesquita, a lenda conta que as bolas do alto seriam
de ouro fundido das jóias de uma das mulheres do Sultão El Mansour, que teria
quebrado o jejum do Ramadã e sido punida, com a perda de suas jóias.
Lenda ou não, o lugar é bonito praca!
Seguimos reto, passamos por
mais um dos lindos jardins da cidade e nos deparamos com a famosa Djemaa el-fna
– uma imensa praça, considerada pela UNESCO Patrimônio Imaterial da Humanidade, e que concentra uma gigantesca diversidade de artistas, comércio, restaurantes,
etc. Segundo os livros, ali eram realizadas, inclusive, as execuções de
prisioneiros condenados até o século XIX.
Djemaa el-fna
Fato é que logo que
chegamos, a primeira visão impressiona. Muita gente. Muitas tendas.
Muitos carros. Muito movimento. E cobras. Muitas cobras. É brother, sabe
aquelas paradas que você pensava que só existiam em filmes sobre o “exotismo”
do Oriente – tipo “encantador de cobras”? É, aqui existe e de verdade. O Maluco
fica sentado, com umas 20 cobras venenosas em volta – cascavéis, Najas, etc – oferecendo aos turistas que tirem fotos com uma das cobras no
pescoço (AAAAAAAAAAARRGG!!) e tocando flauta pra Naja subir. Bizarro. Passamos
ao lado da tenda e uma das cobras veio chegando perto até que um dos ajudantes a pegou de volta. Vimos uma cena de um dos caras com a cobra no pescoço cobrando dinheiro de um turista que tirou fotos e se recusou a pagar. Não preciso falar porque não
há fotos do cara e de suas cobras neste blog, não?
Bem, ficamos olhando as
barracas, tomamos um suco de laranja em uma das dezenas de barracas que
oferecem a bebida e nos aventuramos pelo gigantesco labirinto do souk local. E ali nos deparamos com tudo
que você sempre leu e sonhou em um típico mercado marroquino: cores, sabores,
sons, tudo. Mas, como disse, é um labirinto. Você anda, anda, pensa que sabe de
onde veio, mas logo percebe que está perdido. E, um minutinho de hesitação e
alguém já grita pra você: “a praça é pra lá”. Mas, desconfie, porque muitas
vezes os meninos indicam um sentido para que os turistas se percam e depois se
oferecem para levá-los até a praça, de volta.
Resolvemos, depois de muito
caminhar dentro do souk, conhecer dois pontos super famosos da região: O Museu
de Marrakech que atualmente expõe obras contemporâneas de arte principalmente pinturas e, ao lado, a Medersa Bem Youssef – a antiga escola corânica, de
arquitetura monumental. Seguimos as placas que indicavam o lugar e, em certo
momento, você começa a desconfiar delas. Porque é longe, mesmo sendo dentro do
souk. Até paramos para comer algo, no caminho. Mas depois de muita bateção de
perna, chegamos ao Museu. Você pode comprar um ticket de 60 Dirhans que dá
direito aos dois lugares.
O Museu é belíssimo, lindo
mesmo, pena que as fotos não conseguem reproduzir suas cores e relevos. Menos pelas obras – que em seu interior parecem mais um adendo. A
verdadeira obra de arte são suas paredes, pátios e salas. O pátio interno é um
dos mais belos salões que já vi na vida. Cores e formas incríveis.
Saímos encantados e logo ao
lado adentramos na Medersa Ben Youssef. E que lugar mais lindo ainda! Um prédio
de mais de 8 séculos, super bem preservado, com mais de 100 quartos onde os
alunos dormiam. Um pátio interno igualmente incrível, paredes e janelas que são
obras de arte. Lindaço!
Medersa Ben Youssef
Saímos de volta ao Souk,
encontramos a saída da praça, tomamos mais um suco e admiramos mais um pouco a
louca diversidade da Djemaa el-fna. Segundo dizem, é à noite que o bicho pega e
que o real agito toma conta de lá. Mas ficou para a próxima. Fomos caminhando,
já no início da noite, curtindo o visual da cidade e a linda arquitetura de
seus prédios até a estação Gare de Marrakech, para tomar nosso trem de volta à
Casablanca. E a linda iluminação da estação fechou com chave de ouro nossa
breve estadia pela cidade. O trem saiu as 19:30 e exatamente 22:30 estávamos de
volta à Casablanca.
Gare de Marrakech
Tânger.
Pegamos um trem as 7:30 da
manhã de Gare de Voyageurs, em Casablanca com destino à Tanger. Devido ao tempo
de viagem – 4 horas e meia – compramos passagens de primeira classe – 160 dirhans,
40 mais caras que de segunda classe. A primeira classe são cabines com 6
poltronas largas e confortáveis. Confortável não foi exatamente o termo de
nossa viagem – menos pelas acomodações e mais pela agitação de uma linda
criança que se aproximou de nós e quis brincar as 4 horas e meia de trajeto.
Mas foi legal.
São cerca de 7 estações
durante a viagem. Na última hora de viagem o percurso margeia o oceano, o que
rende um belíssimo visual. E a entrada na cidade encanta: Tanger é linda. A
mais linda cidade que vi no país. Os prédios, ao contrário de Marrakech e
Casablanca, são brancos e baixos. Há 2 estações na cidade, saltamos na última,
mais central. De lá é fácil pegar um táxi e ir até o centrão ou para a praia. O
valor combinado com o taxista previamente (é, na estação ferroviária ninguém topa
ir de taxímetro ligado – te lembra algum lugar?) foi de 60 dirhans a corrida,
até o hostel, na entrada da Medina da cidade. Da Gare até a Praça 9 de Abril,
entrada da Medina e porta de acesso à rue El Kasbah, foram 10 minutos, passando
pela orla do Mediterrâneo e vendo toda a agitação da praia local.
Ficamos no excelente Hostel
Dar El Kasbah. Super recomendamos: staff amável, acomodações excelentes, limpas
e bem estruturadas, quartos amplos e um bom wi-fi grátis. E uma senhora
localização: ao lado de uma das entradas da Medina de Tanger. E tem um terraço
com uma linda vista de toda a cidade e um café da manhã pago, mas excelente e
FARTO!
E começamos justamente pela
Medina - sempre um bom ponto de começo: localizada entre a Place Du 9 Avril
(Grand Socco) e a praia, a Medina de Tanger é super bem sinalizada, com mapas e
roteiros de trajetos em seu interior dispostos em cartazes e banners dentro da
própria cidade antiga. Tem um Souk super variado, cafés excelentes e uma gama
de serviços bacanas (cortei cabelo lá por módicos 30 Dirhans – mais ou menos 7
Reais).
Dentro da Medina, entrando
pela rua El Kasbah até seu alto, a direita, você chega ao incrível Museo de La
Kasbah. Um museu que conta a história dos diferentes períodos de Marrocos e da
cidade, das ocupações, da resistência, das rotas de comércio. São 4 andares de
uma senhora aula de história e de uma beleza singular.
A saída do museu dá na place
Du Mechoir, onde fica um sofisticado Café em estilo francês, de onde se tem uma
belíssima vista do mar e da cidade. Siga caminhando pelas bem sinalizadas ruas
da Medina e você chegará à área mais movimentada da região. Particularmente gostamos
muito do Petit Socco, uma das pequenas praças rodeadas de cafés da Medina. Na
região do Petit Socco também ficam as tendas de jóias da Medina. E mais
adiantes o souk de alimentos, com toda a diversidade de cores e sabores de
Marrocos. Comprei um latão de azeitona e passei o dia caminhando e comendo.
Petit Socco
Da Medina, numa caminhada de cerca de 15 minutos subindo a rua principal, chegamos a Necrópole Romana de Tanger. Basicamente, o
cemitério onde os antigos romanos enterravam seus mortos quando a cidade foi ocupada
pelo Império. São dezenas de valas na pedra, em um mirante de frente para o Mar
Mediterrâneo e o Estreito de Gibraltar. O local é ponto de encontro de jovens e
famílias da cidade e nos proporcionou os mais belos finais de tarde da viagem.
Necrópole Romana de Tanger
De volta à praça 9 Avril,
uma caminhada breve pela Rue de La Liberté leva até a Place de France, ponto
central da cidade. Esta é a parte mais “cosmopolita” e moderna. Bons
restaurantes, alguns raríssimos bares e uma ferveção à noite – uma multidão,
literalmente, toma suas ruas durante as noites de Quinta, Sexta e Sábado. Da
Place de France pode-se seguir tanto para o lado do lindo Jardim Iberia e da
Mesquita Mohamed V, a maior e principal da cidade, quanto para a orla – uma longa,
mas agradável caminhada pela Avenue Mohamed V.
A orla de Tanger ferve de
dia e de noite. Cheia de clubes, night clubs e cafés, é tranqüila e segura, ao
menos de dia. À noite caminhamos por lá, também sem problemas, mas fomos
recomendados a ter mais precaução. Mesmo no inverno, o frio é bastante ameno,
perfeito para uma caminhada matinal pelo calçadão da Avenue Mohamed VI. E para
um final de tarde, com o lindo pôr do sol, em um de seus cafés tomando um chá
de menta.
Nossa saída de Tanger foi pelo
aeroporto que é super distante do centro da cidade, praticamente sem acesso fácil por transporte público. Fomos de táxi, oferecido
pelo Hostel, que custou 140 Dirhans. É um aeroporto bonito, mas pequeno,
com cerca de 7, 8 vôos diários.
Tanger é uma cidade alegre,
bonita e tranqüila. E foi de longe o lugar de menos assédio e mais tranqüilidade
que conhecemos em Marrocos. Super vale!
Dicas, observações, coisas
importantes (e outras nem tanto...)
- Em Marrocos TEM HOMEM PRA
CARAMBA! Pra todo lado, em todas as ruas, a proporção é quase de 8, 10 homens
para cada mulher. Seja pela cultura, que pode garantir às mulheres um lugar
mais recluso e privado, seja por questões sócio-demográficas, acostume-se a ver
um mar de marmanjos andando nas ruas, nos souk’s e principalmente, nos cafés.
Todo café é quase sempre exclusivamente masculino. E eles passam horas neles,
com apenas um chá a sua frente, quase “à toa”.
- O que mais tem em Marrocos
são os cafés ou casas de chá. Na maioria se vende exclusivamente: Café, chá de
hortelã, suco de laranja e água. E só. Sem comida – em alguns poucos vi venda
de Croissants. Álcool então, nem pensar. Aliás, praticamente não há álcool no
Marrocos – exceção a alguns hotéis que vendem apenas em seus restaurantes e um
ou outro raríssimo bar – quase sempre freqüentado apenas por estrangeiros. Um
camarada do souk de Tanger ficou visivelmente put#$* quando perguntei pra ele
por algum café que vendesse álcool, para assistir a uma partida de futebol.
- O trânsito é louco. Mesmo.
Não espere cruzamentos sinalizados, respeito à faixa de pedestres, sinal
vermelho tranqüilo. É um Deus nos acuda, quem mete o bico do carro primeiro
ganha e cada travessia de rua, pelo pedestre, é uma aventura.
- Nem todas as mulheres usam
burca ou véu e não houve nenhum problema com Fabiana por não usar. Respeita-se.
Mas é raro. Mesmo as mulheres mais ocidentalizadas – com calças de grife e
roupas mais modernas, usam véu. Vimos poucas locais sem véu, mas elas coexistem
numa boa com as outras mulheres – vimos grupos de adolescentes em que algumas
usavam véu e burca e outras não.
- Tudo, absolutamente tudo é
negociado. De um pratinho de artesanato ao taxi. É cultural, mas é chato.
Especialmente se seu francês for titubeante. E nos souk’s quase sempre há uma “malandragem”
nos preços – tudo começa de preços absurdos e quando você fala que “não”,
abaixa tipo 200%.
- Há várias casas de câmbio
na cidade. Mas preferimos fazer o câmbio no aeroporto. Tem a desvantagem do
valor, mas é mais seguro.
- Circulam muitas motos e
motonetas nas Medinas e Souks. E elas não vêm sempre devagar. E é sempre um
susto.
- A comida marroquina é
duca! Os variados tipos de pão, os temperos, o cuscuz marroquino e em especial
o Tajine – de cordeiro, frango ou carne de boi. O Tajine em si é um tipo de
panela de barro, tradicional, onde se cozinham juntos a carne e muitas verduras
e legumes. E é jóia!
- As Mesquitas anunciam, 5
vezes por dia, o horário da oração. Tocam sinos e em cidades menores – como Tanger
– com muitas mesquitas próximas, vira um concerto. E cedo, a primeira é às 6 da
manhã. E os homens param de fato, para rezar.
- A maioria dos homens
marroquinos, fora os mais ortodoxos, com suas roupas de “Jedi”, é meio metrossexual:
Cabelos engomadinhos, roupas de grife, perfumes, tudo meticulosamente arrumado.
Muitos homens andam de mãos dadas. Há dezenas de barbeiros e cabeleireiros
masculinos. Os pouquíssimos femininos que vimos não tem visão da rua para
dentro – preservando a privacidade das mulheres e mantendo seus cabelos fora
dos olhares públicos.
- Os marroquinos são amantes
de futebol. Em especial, do futebol espanhol. Alguns com quem conversei
conhecem bem o futebol brasileiro atual – em especial “Neumar” (Neymar, na
dicção deles). Mas são comedidos na torcida. Assisti a uma partida do Real
Madrid, em um café de Tanger e os caras passaram praticamente todo o jogo e
silêncio. É, o álcool faz falta...
- As línguas são o árabe e o
francês. Em Tanger, por ser ao norte mediterrâneo, se fala bastante espanhol
também. Mas dê uma treinada na língua pátria de Voltaire, por precaução.
- Tanto em Tanger quanto em
Casablanca, me ofereceram maconha e Haxixe. Algumas vezes. O cara se aproxima e
fala baixinho. Acostume-se com o assédio, em especial aos homens ocidentais,
negue educadamente e tudo tranqüilo.
- As crianças são lindas. E
são crianças, como em qualquer lugar do mundo.



