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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Marrocos (Casablanca – Marrakech – Tanger)





O Marrocos é um país incrível. E muito doido – ao menos para um ocidental pouco ambientado com a cultura e a religiosidade locais. De primeira, tudo é estranho: a língua, as placas, os hábitos. Mas as pessoas são amáveis e carinhosas e as belezas do lugar rapidamente te auxiliam na tarefa de relaxar e curtir este cantinho da África.

Aqui vamos relatar momentos, dicas e histórias para ajudar quem pensa em conhecer o lugar.


Chegando.
Chegamos ao país pelo ar – um vôo de Madrid para Casablanca, de uma hora. Vôo rápido e barato da Iberia – usamos a E-Dreams para localizar os melhores trechos aéreos na Europa e foi batata! Depois de uma pesquisa percebemos que sairia mais barato que pegar o ônibus até Tarifa (Cidade espanhola no litoral mediterrâneo de onde se pega o barco para Tanger) e o barco depois.

Ou seja: planejamento é 90% de uma viagem bem sucedida.

O Aeroporto Internacional Mohammed V é pequeno para padrões internacionais, mas confortável.  A imigração é ... enrolada, como muita coisa por lá. O camarada confere um por um seus dados, com uma calma incrível. E depois você passa por outras revistas e finalmente pelo raio X. Mas é tranqüilo.

Fizemos o câmbio dentro do próprio aeroporto. Pela cotação do dia (Janeiro de 2013), 1,00 Dólar estava valendo 8,50 Dirhans (moeda local) e um Euro, 11,00. Trocamos 400 dólares que deram e sobraram para os 6 dias que passamos por lá.
Dentro do próprio aeroporto, no subsolo, fica a estação de Trem. Pegamos o trem que sai de hora em hora - mas atrasa, para Gare Voyageurs que fica bem no centro de Casablanca. O ticket custou 40 Dirhans, e saiu cheio. A viagem demorou 40 minutos.

                                                        Estação de Trem do Aeroporto

Chegando na Gare de Voyageurs uma pequena multidão de taxistas oferecia transporte. E sempre é necessário negociar! Como não conhecíamos o lugar, o cara fez um preço (50 Dirhans) que era o triplo do que, de fato, custava a corrida até nosso hotel, que ficava a 10 minutos da estação.

Ali aprendemos a primeira lição: no Marrocos, TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO tem que ser negociado e barganhado. Faz parte da cultura local.

Casablanca
Casablanca é cinza. Cinza e ruidosa, como São Paulo. Não é uma cidade litorânea comum, é pesada e muito cheia. Metrópole. Em um dia demos conta de conhecer os principais pontos da cidade. Ruas sujas e prédios degradados ou abandonados são constantes no centro. Na parte litorânea, grandes empreendimentos imobiliários sendo erguidos. Entre a Mesquita do Rei Hassan e a avenida Mohamed V está o “filé mignon” da cidade. Ruas bem preservadas, arborizadas e um comércio variado.



Nosso hotel ficava bem próximo destas áreas e, caminhando devagar, chegamos em 20 minutos até a praça Mohamed V. Ali ficam vários cafés em estilo parisiense, um belo boulevard e a entrada principal da Medina – a cidade antiga. A Medina é formada por uma infinidade de becos e ruelas cercadas pelo grande muro, suas ruelas formam um grande mercado (souk) onde também vivem e trabalham as pessoas de mais baixa renda da cidade. É fácil se perder lá dentro, mas caminhando, se acha sempre uma das várias saídas. Não é perigoso nem tenso, mas em vários momentos fica deserto. E a todo o momento passam motos e mobiletes – todo momento. É melhor chegar depois das 11 da manhã, quando todo o Mercado já abriu e as atividades estão à mil.

Para quem conhece o Rio de Janeiro, a Medina de Casablanca é uma grande mistura da Saara (centro de comércio popular do centro da cidade carioca) com a Rocinha (favela da zona sul da cidade). Muita roupa de grife falsificada na China, muita camisa de time de futebol – principalmente da Espanha – badulaques de toda ordem, temperos e tecidos típicos. Caminhamos muito por lá e saímos pela praia. 

Caminhando pela orla e graças a uma boa sinalização (coisa rara por lá) chegamos à gigante – GI-GAN-TE – Mesquita do Rei Hassan II. Um palácio imenso na beira do Atlântico rodeado por uma praça imensa – 4 ou 5 vezes a Praça XV, no Rio. Paga-se 120 Dirhans para visitar seu interior – a única Mesquita aberta a visitações no país – 4 vezes por dia: as 9,10,11 da manhã e 14 hs. Mas, ali começamos a descobrir que, como no Brasil, em Marrocos “sempre se dá um jeitinho”. Chegamos 11 e meia, já não poderíamos visitar o interior. O camarada da portaria olha pra um lado, olha para o outro, pisca para nós e pede que o sigamos “em silêncio”. E nos leva para conhecer o interior do Palácio. E é aquilo: suntuosidade, ostentação, salões imensos, uma grande área para banhos turcos, colunas monumentais, passagens secretas pra lá e pra cá. Cenário de filme. Saímos e ele fala que se deixarmos uns 200 Dirhans pela visita para os dois, ta de bom tamanho.

                                                   Mesquita do Rei Hassan II 

Dalí a caminhada segue de volta, pelo boulevard de La Corniche até a Praça Mohamed V de novo, caminhando pela avenida de mesmo nome até Praça dês Nations Unies. Muito bonita e cercada de prédios em estilo clássico, vale um tempo de contemplação.
Almoçamos e jantamos muito bem nesta região, em restaurantes de comida típica marroquina, por preços que variaram entre 150 e 220 Dihans (algo entre 37 e 55 Reais para o casal). Tajines (um tipo de cozido, que pode ser de peixe, frango ou carne), Cuscuz marroquino, saladas e os incríveis pães locais foram nosso cardápio.

Em Casablanca nos hospedamos, graças ao sagrado e amado Booking.com, no excelente Maroccan House Hotel. Preço acessível, instalações muito boas, wi-fi grátis, um staff super gentil e um senhor café da manhã, cheio de delícias marroquinas.


Marrakech

Pegamos um trem as 8:00 da manhã na estação Gare Voyageurs de Casablanca com destino a Marrakech. Seriam 3 horas de viagem e pretendíamos voltar no mesmo dia, no trem das 19:30. Cada passagem por 90 Dirhans (cerca de 11 dólares), na segunda classe – que é confortável. Os horários e valores das passagens podem ser acessados sempre no site da empresa de trens de Marrocos – e nos ajudaram muito!

http://www.oncf.ma/Pages/Accueil.aspx

O trem já vem de outra cidade – Rabat – com gente dentro – meio cheio. Conseguimos dois lugares em frente a um casal muçulmano que passou a viagem toda nos fitando. Cadeiras confortáveis e janelas amplas. A viagem é agradável e a paisagem árida. No interior de Marrocos as construções têm sempre um tom bege, marrom, cor de tijolo. Poucas plantações, sempre de grãos. Muito pasto e pouca criação de animais. Vimos algumas poucas criações de cabras. Houve cerca de 10 paradas em diferentes cidades no caminho, mas estávamos tranqüilos porque Marrakech seria a última estação. A última meia hora de viagem foi a mais bonita, quando se aproxima das montanhas. 

Saltamos na belíssima Gare de Marrakech e seguimos logo em frente, pela avenida Hassan II. Ruas arborizadas, prédios baixos, uma linda arquitetura. De cara Marrakesh é MUITO mais agradável que Casablanca. Caminhamos uns 10 minutos e já avistamos as muralhas da cidade antiga. São 10 kilometros de muralhas em estilo clássico que cercam medina. No caminho muitos jardins, amplos e bonitos, onde vimos jovens descansando, estudando ou passeando.



Seguimos em frente depois de muitas fotos e logo avistamos, de longe, a belíssima Mesquita Koutoubia. Aqui há uma história interessante. Todas as Mesquitas têm o mesmo padrão de construção. Todas, no alto, tem 3 bolas de tamanhos diferentes fixadas por um ferro. Pois bem, nesta Mesquita, a lenda conta que as bolas do alto seriam de ouro fundido das jóias de uma das mulheres do Sultão El Mansour, que teria quebrado o jejum do Ramadã e sido punida, com a perda de suas jóias. Lenda ou não, o lugar é bonito praca!
Seguimos reto, passamos por mais um dos lindos jardins da cidade e nos deparamos com a famosa Djemaa el-fna – uma imensa praça, considerada pela UNESCO Patrimônio Imaterial da Humanidade, e que concentra uma gigantesca diversidade de artistas, comércio, restaurantes, etc. Segundo os livros, ali eram realizadas, inclusive, as execuções de prisioneiros condenados até o século XIX.

                                                                        Djemaa el-fna

Fato é que logo que chegamos, a primeira visão impressiona. Muita gente.  Muitas tendas. Muitos carros. Muito movimento. E cobras. Muitas cobras. É brother, sabe aquelas paradas que você pensava que só existiam em filmes sobre o “exotismo” do Oriente – tipo “encantador de cobras”? É, aqui existe e de verdade. O Maluco fica sentado, com umas 20 cobras venenosas em volta – cascavéis, Najas, etc – oferecendo aos turistas que tirem fotos com uma das cobras no pescoço (AAAAAAAAAAARRGG!!) e tocando flauta pra Naja subir. Bizarro. Passamos ao lado da tenda e uma das cobras veio chegando perto até que um dos ajudantes a pegou de volta. Vimos uma cena de um dos caras com a cobra no pescoço cobrando dinheiro de um turista que tirou fotos e se recusou a pagar. Não preciso falar porque não há fotos do cara e de suas cobras neste blog, não?

Bem, ficamos olhando as barracas, tomamos um suco de laranja em uma das dezenas de barracas que oferecem a bebida e nos aventuramos pelo gigantesco labirinto do souk local. E ali nos deparamos com tudo que você sempre leu e sonhou em um típico mercado marroquino: cores, sabores, sons, tudo. Mas, como disse, é um labirinto. Você anda, anda, pensa que sabe de onde veio, mas logo percebe que está perdido. E, um minutinho de hesitação e alguém já grita pra você: “a praça é pra lá”. Mas, desconfie, porque muitas vezes os meninos indicam um sentido para que os turistas se percam e depois se oferecem para levá-los até a praça, de volta.



Resolvemos, depois de muito caminhar dentro do souk, conhecer dois pontos super famosos da região: O Museu de Marrakech que atualmente expõe obras contemporâneas de arte principalmente pinturas e, ao lado, a Medersa Bem Youssef – a antiga escola corânica, de arquitetura monumental. Seguimos as placas que indicavam o lugar e, em certo momento, você começa a desconfiar delas. Porque é longe, mesmo sendo dentro do souk. Até paramos para comer algo, no caminho. Mas depois de muita bateção de perna, chegamos ao Museu. Você pode comprar um ticket de 60 Dirhans que dá direito aos dois lugares.

O Museu é belíssimo, lindo mesmo, pena que as fotos não conseguem reproduzir suas cores e relevos. Menos pelas obras – que em seu interior parecem mais um adendo. A verdadeira obra de arte são suas paredes, pátios e salas. O pátio interno é um dos mais belos salões que já vi na vida. Cores e formas incríveis.

                                                           Museu de Marrakech


Saímos encantados e logo ao lado adentramos na Medersa Ben Youssef. E que lugar mais lindo ainda! Um prédio de mais de 8 séculos, super bem preservado, com mais de 100 quartos onde os alunos dormiam. Um pátio interno igualmente incrível, paredes e janelas que são obras de arte. Lindaço!


                                                             Medersa Ben Youssef

Saímos de volta ao Souk, encontramos a saída da praça, tomamos mais um suco e admiramos mais um pouco a louca diversidade da Djemaa el-fna. Segundo dizem, é à noite que o bicho pega e que o real agito toma conta de lá. Mas ficou para a próxima. Fomos caminhando, já no início da noite, curtindo o visual da cidade e a linda arquitetura de seus prédios até a estação Gare de Marrakech, para tomar nosso trem de volta à Casablanca. E a linda iluminação da estação fechou com chave de ouro nossa breve estadia pela cidade. O trem saiu as 19:30 e exatamente 22:30 estávamos de volta à Casablanca.

                                                                 Gare de Marrakech


Tânger.

Pegamos um trem as 7:30 da manhã de Gare de Voyageurs, em Casablanca com destino à Tanger. Devido ao tempo de viagem – 4 horas e meia – compramos passagens de primeira classe – 160 dirhans, 40 mais caras que de segunda classe. A primeira classe são cabines com 6 poltronas largas e confortáveis. Confortável não foi exatamente o termo de nossa viagem – menos pelas acomodações e mais pela agitação de uma linda criança que se aproximou de nós e quis brincar as 4 horas e meia de trajeto. Mas foi legal.



São cerca de 7 estações durante a viagem. Na última hora de viagem o percurso margeia o oceano, o que rende um belíssimo visual. E a entrada na cidade encanta: Tanger é linda. A mais linda cidade que vi no país. Os prédios, ao contrário de Marrakech e Casablanca, são brancos e baixos. Há 2 estações na cidade, saltamos na última, mais central. De lá é fácil pegar um táxi e ir até o centrão ou para a praia. O valor combinado com o taxista previamente (é, na estação ferroviária ninguém topa ir de taxímetro ligado – te lembra algum lugar?) foi de 60 dirhans a corrida, até o hostel, na entrada da Medina da cidade. Da Gare até a Praça 9 de Abril, entrada da Medina e porta de acesso à rue El Kasbah, foram 10 minutos, passando pela orla do Mediterrâneo e vendo toda a agitação da praia local.

Ficamos no excelente Hostel Dar El Kasbah. Super recomendamos: staff amável, acomodações excelentes, limpas e bem estruturadas, quartos amplos e um bom wi-fi grátis. E uma senhora localização: ao lado de uma das entradas da Medina de Tanger. E tem um terraço com uma linda vista de toda a cidade e um café da manhã pago, mas excelente e FARTO!

E começamos justamente pela Medina - sempre um bom ponto de começo: localizada entre a Place Du 9 Avril (Grand Socco) e a praia, a Medina de Tanger é super bem sinalizada, com mapas e roteiros de trajetos em seu interior dispostos em cartazes e banners dentro da própria cidade antiga. Tem um Souk super variado, cafés excelentes e uma gama de serviços bacanas (cortei cabelo lá por módicos 30 Dirhans – mais ou menos 7 Reais).

Dentro da Medina, entrando pela rua El Kasbah até seu alto, a direita, você chega ao incrível Museo de La Kasbah. Um museu que conta a história dos diferentes períodos de Marrocos e da cidade, das ocupações, da resistência, das rotas de comércio. São 4 andares de uma senhora aula de história e de uma beleza singular.



A saída do museu dá na place Du Mechoir, onde fica um sofisticado Café em estilo francês, de onde se tem uma belíssima vista do mar e da cidade. Siga caminhando pelas bem sinalizadas ruas da Medina e você chegará à área mais movimentada da região. Particularmente gostamos muito do Petit Socco, uma das pequenas praças rodeadas de cafés da Medina. Na região do Petit Socco também ficam as tendas de jóias da Medina. E mais adiantes o souk de alimentos, com toda a diversidade de cores e sabores de Marrocos. Comprei um latão de azeitona e passei o dia caminhando e comendo.

                                                                        Petit Socco

Da Medina, numa caminhada de cerca de 15 minutos subindo a rua principal, chegamos a Necrópole Romana de Tanger. Basicamente, o cemitério onde os antigos romanos enterravam seus mortos quando a cidade foi ocupada pelo Império. São dezenas de valas na pedra, em um mirante de frente para o Mar Mediterrâneo e o Estreito de Gibraltar. O local é ponto de encontro de jovens e famílias da cidade e nos proporcionou os mais belos finais de tarde da viagem.

                                                      Necrópole Romana de Tanger

De volta à praça 9 Avril, uma caminhada breve pela Rue de La Liberté leva até a Place de France, ponto central da cidade. Esta é a parte mais “cosmopolita” e moderna. Bons restaurantes, alguns raríssimos bares e uma ferveção à noite – uma multidão, literalmente, toma suas ruas durante as noites de Quinta, Sexta e Sábado. Da Place de France pode-se seguir tanto para o lado do lindo Jardim Iberia e da Mesquita Mohamed V, a maior e principal da cidade, quanto para a orla – uma longa, mas agradável caminhada pela Avenue Mohamed V.

A orla de Tanger ferve de dia e de noite. Cheia de clubes, night clubs e cafés, é tranqüila e segura, ao menos de dia. À noite caminhamos por lá, também sem problemas, mas fomos recomendados a ter mais precaução. Mesmo no inverno, o frio é bastante ameno, perfeito para uma caminhada matinal pelo calçadão da Avenue Mohamed VI. E para um final de tarde, com o lindo pôr do sol, em um de seus cafés tomando um chá de menta.

Nossa saída de Tanger foi pelo aeroporto que é super distante do centro da cidade, praticamente sem acesso fácil por transporte público. Fomos de táxi, oferecido pelo Hostel, que custou 140 Dirhans. É um aeroporto bonito, mas pequeno, com cerca de 7, 8 vôos diários.
Tanger é uma cidade alegre, bonita e tranqüila. E foi de longe o lugar de menos assédio e mais tranqüilidade que conhecemos em Marrocos. Super vale!


Dicas, observações, coisas importantes (e outras nem tanto...)

- Em Marrocos TEM HOMEM PRA CARAMBA! Pra todo lado, em todas as ruas, a proporção é quase de 8, 10 homens para cada mulher. Seja pela cultura, que pode garantir às mulheres um lugar mais recluso e privado, seja por questões sócio-demográficas, acostume-se a ver um mar de marmanjos andando nas ruas, nos souk’s e principalmente, nos cafés. Todo café é quase sempre exclusivamente masculino. E eles passam horas neles, com apenas um chá a sua frente, quase “à toa”.

- O que mais tem em Marrocos são os cafés ou casas de chá. Na maioria se vende exclusivamente: Café, chá de hortelã, suco de laranja e água. E só. Sem comida – em alguns poucos vi venda de Croissants. Álcool então, nem pensar. Aliás, praticamente não há álcool no Marrocos – exceção a alguns hotéis que vendem apenas em seus restaurantes e um ou outro raríssimo bar – quase sempre freqüentado apenas por estrangeiros. Um camarada do souk de Tanger ficou visivelmente put#$* quando perguntei pra ele por algum café que vendesse álcool, para assistir a uma partida de futebol.

- O trânsito é louco. Mesmo. Não espere cruzamentos sinalizados, respeito à faixa de pedestres, sinal vermelho tranqüilo. É um Deus nos acuda, quem mete o bico do carro primeiro ganha e cada travessia de rua, pelo pedestre, é uma aventura.

- Nem todas as mulheres usam burca ou véu e não houve nenhum problema com Fabiana por não usar. Respeita-se. Mas é raro. Mesmo as mulheres mais ocidentalizadas – com calças de grife e roupas mais modernas, usam véu. Vimos poucas locais sem véu, mas elas coexistem numa boa com as outras mulheres – vimos grupos de adolescentes em que algumas usavam véu e burca e outras não.  

- Tudo, absolutamente tudo é negociado. De um pratinho de artesanato ao taxi. É cultural, mas é chato. Especialmente se seu francês for titubeante. E nos souk’s quase sempre há uma “malandragem” nos preços – tudo começa de preços absurdos e quando você fala que “não”, abaixa tipo 200%.

- Há várias casas de câmbio na cidade. Mas preferimos fazer o câmbio no aeroporto. Tem a desvantagem do valor, mas é mais seguro.

- Circulam muitas motos e motonetas nas Medinas e Souks. E elas não vêm sempre devagar. E é sempre um susto.

- A comida marroquina é duca! Os variados tipos de pão, os temperos, o cuscuz marroquino e em especial o Tajine – de cordeiro, frango ou carne de boi. O Tajine em si é um tipo de panela de barro, tradicional, onde se cozinham juntos a carne e muitas verduras e legumes. E é jóia!

- As Mesquitas anunciam, 5 vezes por dia, o horário da oração. Tocam sinos e em cidades menores – como Tanger – com muitas mesquitas próximas, vira um concerto. E cedo, a primeira é às 6 da manhã. E os homens param de fato, para rezar.

- A maioria dos homens marroquinos, fora os mais ortodoxos, com suas roupas de “Jedi”, é meio metrossexual: Cabelos engomadinhos, roupas de grife, perfumes, tudo meticulosamente arrumado. Muitos homens andam de mãos dadas. Há dezenas de barbeiros e cabeleireiros masculinos. Os pouquíssimos femininos que vimos não tem visão da rua para dentro – preservando a privacidade das mulheres e mantendo seus cabelos fora dos olhares públicos.

- Os marroquinos são amantes de futebol. Em especial, do futebol espanhol. Alguns com quem conversei conhecem bem o futebol brasileiro atual – em especial “Neumar” (Neymar, na dicção deles). Mas são comedidos na torcida. Assisti a uma partida do Real Madrid, em um café de Tanger e os caras passaram praticamente todo o jogo e silêncio. É, o álcool faz falta...

- As línguas são o árabe e o francês. Em Tanger, por ser ao norte mediterrâneo, se fala bastante espanhol também. Mas dê uma treinada na língua pátria de Voltaire, por precaução.  

- Tanto em Tanger quanto em Casablanca, me ofereceram maconha e Haxixe. Algumas vezes. O cara se aproxima e fala baixinho. Acostume-se com o assédio, em especial aos homens ocidentais, negue educadamente e tudo tranqüilo.

- As crianças são lindas. E são crianças, como em qualquer lugar do mundo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PARIS (2010)

Ah... Paris!
Bom, todo mundo já está cansado de saber que Paris é uma cidade indiscutivelmente linda mas é a sua grandiosidade que salta aos olhos. Andar pelas ruas é uma experiência incrível - mesmo para nós que não sabemos uma só palavra em francês.  Chegamos em Paris no meio da manhã em uma viagem de trem de Bruxelas que levou cerca de 2 horas (cerca de 150,00 ticket para 2 pessoas). Depois de andarmos bastante até chegar ao hotel (ficamos no Ibis de Bercy), nos instalamos, pedimos algumas informações sobre os transportes públicos que atendem a região e saímos rumo ao Quartier Latin que, mais tarde, tornou-se nosso local preferido na cidade.
Algo importante a falar sobre o transporte em Paris. A cidade é super bem provida de uma rede extensa de metrô (várias linhas interligando toda a cidade com os mapas da rede em todas as estações) e ônibus. Os pontos de ônibus atendem poucas linhas e todos tem os mapas dos itinerários de cada linha. Além disso - e o mais inacreditável para nós - em todos os pontos há um painel com os horários de chegada do ônibus naquele ponto. E é absolutamente pontual. Há a venda nas estações de metrô um ticket (6 Euros) que permite usar toda a rede de transporte público da cidade naquele dia. Ou seja, você compra o ticket e pode andar no metrô e nos ônibus quantas vezes precisar. 

                                           Notre-Dame

Não consigo sequer descrever a emoção de de repente olhar pela janela do ônibus e ver a catedral de Notre-Dame! E já que minha vontade era não perder nem um segundo do tempo raro que teríamos para conhecer a cidade, descemos. Como já era hora do almoço, procuramos um restaurante e entramos num que parecia minimamente agradável quase em frente a ponte que leva as ilhas.

Aqui cabe um grande parentese: almoçar em Paris não uma simples refeição, é sim uma experiência sensorial inimaginável, que demanda tempo, paciência e muita mas muita  disponibilidade para observar a arte  do espaço da culinária para os franceses. Como já falei, entramos num restaurante  pequeno que tinha o menu do dia escrito na parede toda decorada ao redor de temperos, especiarias, garrafas de vinhos enlatados e um imensa variedade de alimentos não perecíveis. Lá fomos atendidos pelo único garçom da casa e que também era o cozinheiro e o caixa, um pequeno negócio mesmo!!! Obviamente pedi o menu completo com entrada, prato principal e sobremesa acompanhado de uma boa taça de vinho bourdeaux, e tudo foi simplesmente maravilhoso. Novamente vale lembrar não é possível almoçar bem em Paris em menos de duas horas. Então,  como essa é uma experiência que vale a pena, reserve um tempo em seu roteiro para isso.
Saímos do restaurante já por volta das 13 horas, e rumamos para as ilhas, demos uma volta na parte externa da catedral onde vimos um pedaço de um show de ska. Depois entramos na catedral que sinceramente é mais bonita por fora. Saímos, rodamos um pouquinho pela ilha e depois retornamos ao Quartier Latin, agora queríamos encontrar alguns pontos turísticos, caminhamos até a o prédio do College de France, passamos pelo Panthéon, e retornamos a margem no caminho  encontramos a Shakespeare & Co, a livraria que aparece no filme "Antes do por do sol", simplesmente ali.

College de France



          Shakespeare &Co



  
                                             Panthéon

Como da margem era possível ver a Tour Eiffel e olhando no mapa não parecia muito longe optamos por ir caminhando e, obviamente, passando por todos os pontos legais do caminho, o que foi uma caminhada e tanto já que a todo momento nos dispersávamos com um ou outro lugar ou monumento famoso. Passamos em frente a ponte que leva ao Louvre, ao museu D´Orsay, ao Hotel dos Inválidos e como o fim da tarde estava quase chegando decidimos comprar um vinho para degustar no jardim da torre.

                                            museu D´Orsay

Chegando ao jardim depois de toda essa caminhada no calor do verão parisiense tomamos o vinho lentamente como se cada gota servisse para aliviar as dores nas pernas e pés cansados. Ficamos horas admirando a construção, as pessoas que passavam, a cidade em volta, e descobrimos o seguinte: Paris é um lugar para contemplar!  Terminado o vinho decidimos entrar na longa fila para subir até o segundo andar da torre. A vista lá de cima é impressionante e olha que não fomos na parte mais alta. O ticket até este andar foi de 8,10 Euros por pessoa. 
Descemos e ficamos novamente no jardim, já começava a escurecer quando as luzes foram acesas e um coro de "ohhhhhh", tomou toda a praça. Nosso primeiro dia terminou aqui e tomamos o metrô - cerca de dois quarteirões da praça da torre - de volta ao hotel.

                                           Tour Eiffel

No segundo dia acordamos cedo e fomos conhecer a Champs-Elysees, a mais requintada avenida de Paris. Começamos no Arc de Triomphe e caminhamos até o Louvre, passando pela imensa quantidade de boutiques de grandes  - e CARAS - grifes de moda, acessórios e tecnologia. De lá seguimos caminhando até os Grands Boulevards e as "Passagens" (ruas fechadas e cobertas, como galerias, muito antigas) onde vimos relíquias e antiguidades fantásticas que   fariam qualquer comprador compulsivo perder a cabeça. Como já havia lido em vários guias que a melhor hora de ir ao Louvre era ao final da tarde, pois não haveria fila, voltamos ao hotel por volta das 15 horas, descansamos um pouco e saímos as 16 rumo ao museu. Chegamos e não havia filas. A entrada é monumental, você passa por grandes arcos e adentra um pátio imenso de onde se avista a famosa pirâmide de vidro, que marca a entrada. Não havia filas e pagamos 6 euros de entrada. Este também é um local inenarrável só indo para ver. Mas seja honesto com você mesmo e reserve um tempo a mais porque é mico entrar só para ver a Monalisa e ir embora! Minha dica é reservar um pouco mais de dedicação as obras da idade clássica e do antigo Egito, que são de tirar o fôlego. Ah não deixe de descansar os pés na fonte em frente ao museu ao final - isso é fundamental depois de horas de caminhada e uma tradição dos turistas.

Espelho D'água do Louvre

Depois de uma tarde cultural estávamos empenhados e descobrir a noite local e, por indicação de uma conhecida, fomos parar novamente na região dos Grands Boulevards - que foi um fiasco total. Então, saímos de lá e descobrimos a Rue de Lappe  na Bastilha, que é uma versão francesa da Lapa do Rio de Janeiro, muita gente na rua, bares, casas de shows e boates por todos os lados, era isso que procurávamos!

No dia seguinte começamos nosso roteiro numa feira livre em Montmartre, que foi bem menos do que eu esperava, mas foi muito legal conhecer a parte  menos turística da cidade, cheia de imigrantes de todas as partes do mundo mas principalmente africanos e árabes. Foi como conhecer outra Paris. Da feira caminhamos rumo a Sacré-Coeur e novamente conhecemos mais um mirante da cidade - depois de uma IMENSA escadaria. Há teleféricos para subir, mas optamos por uma alternativa mais "saudável". De lá entramos pela rue des Abbesses que estava cheia de pessoas, lojas, restaurantes, grupos de música, o máximo! Novamente aqui decidimos em gastar nossas valiosas horas num almoço divino, que sem sombra de dúvida foi a melhor comida de toda a minha vida! No caminho de volta descemos pela rue Lepic onde há o bar onde foi filmado o filme "O Fabuloso Destino de Amélie  Poulain" - e até demos um tchauzinho para o anão de jardim que decora o local e que é uma das "estrelas" do filme. Na descida ainda passamos pelo famoso Moulin Rouge, o mais famoso cabaré da cidade, quase em frente a estação do metrô.  

A próxima parada seriam as "praias do Sena". No verão, as margens do famoso Rio que corta a cidade são recobertas, em alguns trechos, de areia e os parisienses usam o local, de fato, como uma praia. Pessoas tomam, sol, caminham, crianças brincam, há apresentações musicais - até um grupo de pagode nós encontramos (!!!). Um passeio que é ideal para o final de tarde, acompanhado de um vinhozinho e curtindo o visual incrível da Rive Gauche (como é chamada a margem esquerda do Sena). 

Resolvemos então explorar a vinda noturna do Quartier Latin e descobrimos um lugar genial: a Place de la Contrescarpe, próxima a estação de metro Cardinal Lemoine. Rodeada de bares, restaurantes e casas noturnas, e cheia de musica e pessoas andando para todos os lados. Descobrimos ali o melhor lugar da cidade. Foi sentada nessa praça e tomando um excelente vinho bourdeaux acompanhado de uma tábua de típicos queijos franceses que falei a frase mais cínica de toda a minha vida: "Sabe: eu não preciso de muito pra ser feliz!"



Nosso último dia em Paris começou com nossa busca por lugares interessantes em Montparnasse, onde ficam as famosas catacumbas da cidade. Entretanto, a fila gigantesca para entrar nos desanimou. Caminhamos pelo bairro (caminhar, amigo: esse é o motivo de qualquer viagem!)  mas como já estávamos exaustos não conseguimos muitas coisas por ali, e como ainda queríamos ver o Centre  Pompidou - o famoso museu de arte contemporânea da cidade - decidimos já ir andando. O entorno do Centre é um excelente lugar para relaxar, ver pessoas, tomar um sorvete INCRÍVEL (o sorvete da rede Amorino) e ver a bela arquitetura parisiense. 

Nossa tarde nesse dia terminou novamente na praça do Quartier Latin onde recebi uma massagem de graça acompanhada de mais um inesquecível vinho Bordeaux. um bom final!

domingo, 6 de maio de 2012

AMSTERDAM (Holanda) em 2 dias.



Chegamos em Amsterdam em uma manhã fria do verão. O vôo de Londres para lá durou 45 minutos, via uma companhia de baixo custo e custou 30 libras cerca de 95 Reais). Desembarcamos no lindo e confortável aeroporto de Schipol. Logo no desembarque você já vê o balcão que vende passagens de trem para o centro da cidade e para outras localidades próximas de Amsterdam e a plataforma de embarque é dentro do próprio aeroporto, no subsolo.O ticket para o centro custou 3,50 Euros e a viagem leva cerca de 25 minutos. 

Painel no aeroporto com indicação da estação de trem

A parada final do trem é na Central Station, estação de onde saem trens para outros países e para outras regiões da Holanda. A Central Station já é uma atração, com sua arquitetura antiga, grandes vigas metálicas e design clássico. Logo em frente à saída, um posto de turismo enorme é a parada certa para quem vai pela primeira vez à cidade. Lá, além de toda a sorte de badulaques para comprar, há guichês de informação (uns 8) com atendentes que falam inglês, com todo o tipo de recursos possíveis. Ali ficamos sabendo como chegar ao nosso hotel e depois de comprar um mapa da cidade, que por sinal é impressionante de tão bem explicado, ficamos conhecendo o percurso de todas as linhas de TRAM que atendem a região central. Bem em frente, embarcamos em um TRAM - uma espécie de "bonde" mas super moderno que liga toda a cidade. Ele tem paradas fixas e horários anunciados em painéis nos pontos. E quer saber o mais incrível? Pontual. O painel marcava que em 4 minutos um TRAM da linha que deveriamos pegar chegaria. E exatamente naquele tempo ele chegou.

TRAM

Embarcamos (há 3 portas para embarque - frente, meio e fundos) pagamos o ticket e em 15 minutos desembarcamos no ponto próximo ao nosso hotel, o Kooyk (R$140,00 a diária de casal com café). No trajeto todo admiramos as dezenas de canais e o verde da cidade. A cidade não é muito grande e não é difícil conhecê-la bem a pé - aliás, o mais recomendável é caminhar muito ou alugar uma bicicleta, mas se você não tem muita segurança nesse tipo de veículo tome cuidado porque o trânsito é intenso. 

Já instalados, saímos rumo as diversas atrações da cidade. A primeira parada foi o Vondelpark, famoso parque no coração da cidade. No trajeto do hotel até lá, dezenas, centenas de bicicletas cortando nosso caminho e dividindo pacificamente o espaço das ruas com os automóveis e tram's. O Voldepark é imenso e no verão fica cheio de pessoas fazendo esportes, piqueniques, descansando ou assistindo aos shows que acontecem por lá em festivais ao ar livre. 

Na volta, caminhamos no sentido do centro, passamos pelo Museu Van Gogh, mas optamos por não entrar porque a fila era imensa naquele horário e chegamos em cerca de 15 minutos caminhando pelos belos canais e ruas da cidade até o museu de Anne Frank. Trata-se da casa onde a jovem menina, que escreveu um famoso diário durante a segunda Guerra, ficou escondida com a família durante dois anos. A casa guarda objetos, textos e mobília da época e deve ser um dos locais mais vistados da cidade. Ficamos cerca de 25 minutos na fila para entrar - paga-se uma pequena taxa de entrada. 

Fila na entrada da casa de Anne Frank

A casa é impressionante e ainda se sente um certo clima pesado no ar. Toda a história de Anne é contada em detalhes em um tour pela casa. E vale cada minuto.

De lá fomos para o centrão de Amsterdam, para conhecer os famosos Coffee Shops locais. Os Coffee Shops são cafés mesmo, onde é permitida, legalizada, a venda de maconha. Nada em sua fachada anuncia a erva, não há nenhum indício do que ocorre ali, apenas os nomes "sugestivos" em alguns deles. Servem cafés, doces e bebidas - não alcóolicas. Entramos no Grasshoppers, no centro próximo à Red Light Street, que tem uma vista linda de frente para a estação de trem. 

Grasshoppers Coffee Shop

O  Grasshoppers é um lindo prédio de 4 andares com café, Coffee shop (no sub solo) e restaurante. No sub solo há um mostruário com as ervas e você escolhe o que quer consumir com a balconista, paga e entra em um salão amplo e refrigerado, com mesas de madeira para 6 pessoas e TV's, como um bar. Há pessoas de todos os tipos: jovens americanos, um casal de senhores idosos, pessoas de meia idade, profissionais liberais, turistas. Todos consumindo a erva de Jah. E o que nos chamou a atenção foi o silêncio e as conversas em voz baixa. Não há o "esporro" dos bares, com todos falando alto. Um clima tranquilo, vez ou outra interrompido por risadas. E o chocolate quente de lá é simplesmente o melhor que já bebi na vida! Para quem for consumir: você pode levar sua própria seda e isqueiro, mas eles também vendem lá todos os acessórios necessários ao consumo. 

De lá fomos para a rua em frente comer uma das famosas batatas fritas com molhos holandesas e em seguida irrompemos pela famosa "Red Light" área. A Red Light é a área de prostituição igualmente legalizada de Amsterdam. São duas grandes avenidas e algumas ruas em volta de um dos canais da cidade, em que as garotas se exibem em vitrines. Se você se interessar, pergunta o preço, negocia e entra pela vitrine, onde então a garota cerra as cortinas. Não é permitido fotografar, inclusive por respeito às meninas que estão, sim, trabalhando, de maneira legal. Há uma multidão na Red Light a noite: famílias, turistas, muitos orientais em grupos. Há também casas de shows eróticos. A vontade de usar o mictório apertou e tive a chance de conhecer - e usar - um dos famosos mictórios públicos da cidade. Ficam na beira dos canais e são literalmente biombos que cobrem apenas da cintura para baixo as pessoas. Você entra e seu corpo fica exposto, da cintura para cima, para a rua, enquanto urina. É funcional, depois que você perde a vergonha e o constrangimento.  

Fechamos a noite com uma passagem por uma das filiais do famoso Bulldog, o mais conhecido Coffee Shop de Amsterdam. É bem menos "arrumado" que o Grasshoppers e a sala de convivência menos confortável, mas valeu pela experiência. E a noite se encerrou tomando um chopp Heineken com o selo de qualidade local.

Na manhã seguinte, com uma chuva fina, fomos cedo para a fila de entrada do Museu Van Gogh. O Museu abre as 10 horas e chegamos as 9, já com uma boa fila. A entrada custa 14 euros. E lá dentro, você tem acesso à uma experiência para os olhos e sentidos, uma viagem fantástica, inenarrável pela obra de Van Gogh e os artistas contemporâneos a sua obra. A lojinha de souvenirs é um convite ao cartão de crédito também. 

Fachada do Museu Van Gogh

Saímos depois de quase 3 horas de tour pelo museu em direção a outro museu, o Madame Tussaud, de estátuas de cera. Mas os extorsivos 24 Euros cobrados para a entrada nos desanimaram. Resolvemos conhecer mais a fundo as ruas e becos do centro de Amsterdam, a praça com o famoso nome da cidade estilizado em tamanho gigante, a praça DAM (Dam Square), o Jardim público e já no final da tarde aportamos no "The Doors", o mais simpático Coffee Shop que tivemos o prazer de conhecer na cidade. Estilo bar old school, com bancos de madeira, uma varanda, um café incrível e rock nas caixas de som, além daquele silêncio característico dos Coffee Shops. Perfeito. Fechamos o final de tarde com uma cerveja e um queijo sentados a beira de um dos perfeitos canais da cidade, sentindo o vento fresco e observando o movimento de bicicletas, de pessoas e barcos. 

Amsterdam tem ruas incríveis, realmente linda, com um planejamento urbano fantástico, onde tudo funciona muito bem e com respeito às pessoas e, principalmente, com o povo mais amável que conhecemos na Europa. Uma cidade que confirma que é possível viver em harmonia, respeitando direitos individuais, de maneira organizada e, principalmente, feliz. 

I Amsterdam!


                                                                                         Praça com o nome da cidade

Praça DAM, em frente ao Museu Madame Tussaud 





sábado, 5 de maio de 2012

MONTEVIDEO - TOP 10 (2009 e 2011)



A capital uruguaia, mesmo próxima ao Brasil e de fácil acesso por ar, terra e água, sempre foi uma cidade que acabava ficando um pouco a margem de dois de seus vizinhos mais, digamos, "cotados": Punta del Este e Buenos Aires. 
Entretanto Montevideo reserva um vasto e variado cardápio de diversão e passeios para todos os gostos. Como certa vez um amigo me disse que, para ele, "viajar era comer", me permito acrescentar neste top 10 da cidade mais dois itens que para mim são a alma de qualquer viagem: beber e viver o contexto, além dos pontos turisticos. 
Segue um pouco disso tudo abaixo em um top 10 já cheio de saudade desta cidade que tem mais livrarias e museus que academias.

1 - Chivitos de La Pasiva - esqueça os restaurantes dos guias de viagem e outras frescuras! Comer bem mesmo, junto com a galera local é ir a uma de las Pasivas, uma rede estilo "Cirandinha" de Copacabana, meio boteco/ restaurante, e comer a comida mais popular de lá: o Chivito. É um tipo de sanduiche meio "X tudo", mas com carne de primeiríssima e mais tudo que vc escolher. Delícia pura. Experimente também um Frankfurt con pancetas, um tipo de cachorro quente mais elaborado e delicioso!

2 - chopp preto Matra, do pub Jameson - Este pub que fica na cidad vieja é um dos points mais bacanas que conhecemos na noite portenha. Clima bom, musica excelente - quase todas as noites que passamos lá tinha musica ao vivo, do rock a musica tradicional irlandesa - atendimento carinhoso mas, acima de tudo, lá você prova um chopp que é uma experiência sensorial: o Matra! não morra sem beber um copo de 500 ml dessa delícia!

Chopp Matra

3 - cervejas Zillertal - quando vc chegar a cidade todo mundo vai falar das cervejas Patrícia ("loira, gostosa e não abre a boca" foi o que nos disse o motorista que nos recomendou-a) e Pilsen. Ambas são excelentes, em especial a primeira, mas depois que descobri a Zillertal de 1 litro, minha vida "cambiou". Cerveja com "C" maiúsculo, daquelas que vc bebe e desce, com o perdão do trocadilho da Skol, "redondo" e dá vontade de beber mais e mais. trouxe umas pra casa sem medo de pesar a mala!



4 - Empanados do mercado del puerto - Os empanados que comi em Buenos Aires se tornaram uma lembrança distante depois que, caminhando pelo Mercado del Puerto (excelente ponto gastronômico da cidade, e não é caro!) vi um stand bem tosco na saída lateral que só vendia empanados - o "empanados Carolina". E provei. E gemi de prazer até a atendente me olhar estranho! C-a-r-a-l-h-o, simplesmente divino! Não deixe de comer o de queijo e cebola, uma experiência para o paladar.

 5 - Caminhar pela Rambla de Pocitos - A nossa "orla" lá é chamada "rambla", ou seja, todas as avenidas que margeiam a orla do rio da Prata. Aos fins de semana ficam cheias de pessoas correndo, brincando e descansando. São lindas, seguras, tranquilas e proporcionam algumas das melhores visões da cidade. Para passar uma tarde com uma garrafa de vinho e a pessoa ideal ao lado. 

Rambla de Pocitos

6 - Entrecort do Don Garcia e Provolone Relleno do Mercado - Como já disse acima, o mercado del puerto é um belo lugar pra comer na cidade. E o que se come no Uruguay, um país que tem 4 vacas por habitante? Carne, óbvio! E a melhor carne que comi, aquela de fazer gemer até gozar, foi no Don Garcia, dentro do mercado. Um Entrecort mais macio que travesseiro, com um sabor único, em um ambiente quente e com atendimento gentil. 
No mesmo mercado, não deixe de comer o provolone Relleno da Chacra del Puerto, de longe a coisa mais deliciosa que comemos (acho que já falei esta frase umas 5 vezes neste texto...)! Trata-se de um queijo assado, com palmito, ervilha, bacon, tomate e orégano que come-se de entrada. Quase dispensei o almoço e pedi mais dois!

7 - feira de Tristan Navajo - Está a procura de comida? Roupas? Cd's e discos? Livros? Frutas? antiguidades e quinquilharias em geral? Tudo isso se encontra na feira de Tristan Navajo, uma rua que faz esquina com a principal avenida da cidade, a 18 de Julho, e acontece apenas aos Domingos. A primeira impressão é meio caótica, mas é justamente isso que dá o charme à coisa toda. Ficamos passeando por lá de bobeira e, quando nos demos conta, haviamos ficado 3 horas andando pela feira, que toma a rua inteira e mais algumas paralelas. E o melhor é que na própria rua e proximidades existem excelentes restaurantes com preços honestos pra vc comer depois de bater perna. Este modesto blog recomenda o "Gran sportman" e suas massas divinas (na esquina com 18 de Julho).

Feira de Tristan Navajo

8 - museus da ciudad vieja - Como já disse em algum lugar, uma das coisas mais legais que notei foi a grande quantidade de museus e livrarias da cidade. E na Cidad Vieja, entre o porto e a Praça da Independência, ficam alguns dos melhores museus. Passamos um dia todo passeando por eles curtindo a diversidade de exposições existentes. Imperdíveis o Museu Torres & Garcia, com as obras do cara em três andares; o museu histórico nacional, com parte da história do país; e o Centro de Cultura Espanhola de Montevideo, com exposições de fotos e de artistas contemporâneos.

9 - La noche de la nostalgia - quando chegamos a cidade o motorista nos disse: que sorte terem vindo nesta data, poderão conhecer "la Noche de la Nostalgia". E ficamos com cara de bobos...a noite de que? 
Pois é, os uruguaios inventaram uma noite que rola uma vez por ano, na véspera do feriado da independência (25/08), onde TODAS as boites e clubs da cidade tocam apenas musicas dos anos 70, 80 e 90, e onde toda - absolutamente toda - a população sai de casa. Maluco, a gente saiu na rua e não acreditava, parecia Reveillon de Copacabana, saca? Multidões caminhando pelas ruas a procura de bares, hostess te abordando por todas as ruas oferecendo descontos em entradas, jovens querendo pegação e muita gente bebendo. O esquema que achamos melhor foi ir andando pela cidad vieja - o local mais agitado, apesar de toda a cidade ter festas nesta noite - e parando de bar em bar, beber uma, ver o movimento, e seguir para o próximo bar. 

10 - museu do futebol do estádio Centenário - conhecer o estádio onde o Mengão ganhou a Libertadores já foi emocionante. Mas o Centenário abriga também um belíssimo museu, com toda a história do futebol uruguaio: taças, fotos, camisas antigas, textos e até a mesa onde foi fundada a Federação Uruguaia. Por módicos 60 pesos (cerca de 6 Reais) vc caminha por todo o museu e pode tirar, na saida, uma foto ao lado da taça ganha por eles em 50 aqui no Maracanã. Não a Jules Rimmet, mas uma oferecida pela conferedação Brasileira de Seguros ao Campeão do Mundo: linda, toda em prata, e que os caras que criaram deviam ter certeza que iria para a CBD (antiga CBF)...e o final da história todos sabem qual foi.



Por fim, curta muito caminhar pela cidade e desfrutar da educação e gentileza do povo uruguaio. Montevideo é 10!