quinta-feira, 24 de julho de 2014

Cruzando o Rio Amazonas: de Manaus à Belém.


Passar quatro dias no rio Amazonas, vendo como vivem as populações ribeirinhas sentindo a brisa do vento, dormindo na rede. Há anos esse era um plano. Aí um dia a gente acorda com a cabeça virada e decide: vou lá! E fui. Como consegui pouca informação detalhada em blogs que me ajudassem, decidi fazer um “dia a dia” da coisa toda para ajudar outros malucos iguais a mim e outrxs que conheci no barco, que desejem conhecer esse pedaço inóspito e absolutamente encantador do Brasil.

Dia1: Manaus
Havia chegado em Manaus tarde no Domingo. Me instalei no (bom) hotel Roma, no centro, próximo ao porto e à praça do Teatro Amazonas. Logo pela manhã minha primeira preocupação foi ir até o porto de Manaus e me informar sobre as saídas para Belém. Dez minutos de caminhada e um calor de dar inveja ao verão carioca. Calor que frita por dentro, que faz suar cada pedacinho do meu corpo. Encharcado cheguei no porto e há uma entrada lateral, em meio a um caos de ambulantes e ruas em obras, chamado “central de venda de passagens hidroviárias”.  Dois guichês funcionando e duas atendentes não exatamente “receptivas”. Monossilabicamente ela ia respondendo as minhas perguntas. Me diz que os barcos para Belém saem QUARTAS E SEXTAS. Peço passagem para Quarta, na primeira classe (salão de redes climatizado, com ar condicionado). Custa R$ 200,00. Sem alimentação. Ela me diz que posso escolher entre dois barcos e aponta um quadro ao fundo onde há as fotos dos barcos. Escolho o maior, o Catamarã Rondônia, precavido contra superlotação. 

Catamarã Rondônia

A próxima etapa seria comprar a rede. Logo acima do porto, em uma rua cheia de camelôs a direita da saída, dezenas de barracas vendem redes. Comprei uma confortável por R$ 30,00, mais R$ 5,00 o par de cordas. Atenção, as cordas são INDISPENSÁVEIS para amarrar a rede no barco.
Saí em seguida caminhando pela orla lateral ao porto. É, na verdade, a continuação “extra-oficial” do porto de Manaus. Dezenas de barcos oferecendo viagens para vários locais, muita gente vendendo passagens para Belém e Santarem. E uma área bem empobrecida da cidade, um tipo de pobreza diferente do Sudeste, mais precarizada, mais miserável. Atravesso a rua e entro no mercado municipal de Manaus. Muitas bancas de peixes, carnes e  verduras. Há duas praças de alimentação bem simples. Parei em uma e o homem “dita” o cardápio. Pedi um Pirarucú, que vem com arroz, feijão e vinagrete. Comi uma porção bem servida e um peixe super gostoso por módicos R$ 15,00. E para acompanhar, guaraná Baré.



A tarde, visita ao famoso Teatro Amazonas, principal marco turístico da cidade. Há duas formas de visitação: com ou sem guia. A primeira sai a R$ 10,00 e a segunda a R$ 20,00. Optei pela segunda. Uma hora de passeio pela história do museu e por toda a ostentação dos barões locais do século XIX. Saindo do Teatro, a praça que o circunda, chamada Largo de São Sebastião, é um belo atrativo. Além de uma sorveteria com várias opções de sabores locais (tomei um maravilhoso sorvete de Cupuaçú com creme), o bar do Armando é a pedida para os amantes de botecões, como nós. Cerveja gelada, preço “salgado” estilo Sudeste (10,00 a Heineken, 8,00 a Antarctica) e salgadinhos incríveis.

Dia 2: Manaus
O dia começou com um pulo na praia da Ponta Negra. Distante do centro, é de fácil acesso por duas linhas de ônibus saindo da área central da cidade: 120 e 126. Cerca de 45 minutos de viagem e chegamos à praia, área nobre da cidade. Praia de rio É UMA DELÍCIA! Água quentinha, limpíssima e calma. Aluguei cadeira e barraca por R$ 15,00 e a cerveja gelada em lata saía a R$ 4,00 (preços pra lá de cariocas, viu...). Chama-me a atenção o traje dos trabalhadores da limpeza urbana que atuam na praia: cobertos da cabeça aos pés, com máscaras que cobrem parte do rosto, mangas compridas e luvas. Pergunto como se sentem e uma delas me fala que é “um calor desesperador”. Enquanto nos divertimos, seguimos reservando às classes trabalhadoras condições sub-humanas de trabalho.

Praia de Ponta Negra

A tarde, um passeio no Bosque da Ciência do IPAN. Entre meia hora e quarenta e cinco minutos de viagem com as linhas de ônibus 505, 515, 517, 600 ou 670 e entradas a R$ 5,00. Um belo exemplo da fauna e flora amazônica e um tanque onde os peixes-boi são a atração principal.
À noite, um pulo no bar do Gringo, duas quadras depois do Largo de São Sebastião, o point dos rockeiros Manauaras.

Dia 3: começando a viagem de barco.
O barco sairia ao meio dia mas na passagem estava escrito que o embarque deveria ser as 10:00 hs. Pontualmente nesse horário estava na entrada do porto. Entro e sou informado que o embarque não seria ali, mas na “Escadinha”, uma doca lateral seguindo a avenida do porto, em frente ao Mercado. Segui com a mochila pesada e um calor inacreditável e quando avistei um deck com muitos barcos e uma rampa, imaginei que seria ali. E era. O Catamarã era o último barco atracado. Segui e entrei por uma porta em que, dentro, havia carros e mercadorias pesadas. Uma pequena fila de pessoas se formava em frente a uma mesa em que havia duas mulheres e um homem. As pessoas em geral tem muitas malas. Ali o cara confere sua passagem e identidade e te entrega uma outra passagem, com seus dados preenchidos à mão. E NÃO TE AVISA uma coisa importante: que esta passagem deve ser guardada pois com ela você pode saltar do barco nas paradas e, principalmente, que você precisa entrega-la quando chegar a seu destino, na saída, obrigatoriamente. Atenção!
Entro por uma porta lateral no barco e subo até o terceiro andar, onde fica o salão climatizado das redes. No segundo andar fica o salão aberto das redes. O salão climatizado é grande e tem 4 ar condicionados estilo Split. Nas laterais os banheiros masculino e feminino. E duas portas de saída para o deck onde ficam a lanchonete com mesas e cadeiras e a escada para a “área de lazer” do barco, o teto. Aqui você tem uma pequena geral do barco.
Monto a rede em um canto próximo ao ar condicionado. O salão ainda está meio vazio e é fácil achar um lugar. Levei uma corrente com cadeado para amarrar a mochila em um ferro, no chão, por conta dos relatos de furtos de bagagens na viagem. Me arrependi logo no primeiro dia, pois rapidamente todos se conhecem e o barco se torna uma “comunidade”. 


Depois de instalado, vou para o deck ler e tomar um guaraná. Já passa de meio dia e nada do barco sair. Só sairíamos a uma da tarde. O salão já está mais cheio, mas não lotado. Duas tomadas são disputadas à foice para carregar celulares. No deck há mais duas tomadas, que rapidamente se tornam gambiarras cheias de benjamins e extensões.
No deck, que é a grande área de convivência do barco, ligando os dois andares e os camarotes, a música rola o dia todo. ALTA. O set list é recheado de tecno-brega, brega, forró, sertanejo, reggae e (o pior do) rock dos anos 80. Estes últimos, em especial, são de lascar. Aquelas bandas horríveis “new romantic” que tiveram um único sucesso tocam sem parar. Mas é divertido. As pérolas do cancioneiro mereciam virar um post a parte.   
Uma hora depois de sairmos de Manaus chegamos ao encontro das águas, dos rios negro e Solimões. Um dos vários caras com quem faço amizade no barco me conta que ali a profundidade chega a 70 metros. Já nas primeiras horas, muitas conversas. As pessoas procuram conversar, são carinhosas e receptivas. Muitas dormem no salão e outras bebem e ficam a toa no deck. As 19:30, uma TV em frente a lanchonete começa a passar o Jornal Nacional e, em seguida, a novela. Muita gente se junta para assistir a imagem ruim que de vez em quando cai. Então, o rapaz do bar vai e “cutuca” os fios da antena parabólica até a imagem retornar. Após o final da novela quase todxs vão dormir e fico vendo o futebol com uns 4 caras, bebendo a última cerveja de R$ 4,00 no deck. Quando entro para dormir, faz bastante frio no espaço. A rede me acolhe bem e a toalha faz as vezes de coberta. DICA: se for ficar na área climatizada, leve um lençol ou coisa parecida, pois à noite o ar condicionado fica frio.

Dia 4: seguindo pelo rio
Quando acordo, as 7:00 horas, estamos em Parintins. Descubro que o horário do café é das 5:00 as 7:00. Tomo um banho, o chuveiro é forte e a água morna para fria, o que é ótimo em um banheiro ainda mais quente que o sol lá de fora. O banheiro masculino cheira à banheiro químico de carnaval do Rio. Um rapaz limpa pelas manhãs, mas, mesmo, ao que parece, naquele horário ainda não havia passado.


Perto das 11:00 hs paramos em Juruti. Muita gente no porto tentando vender coisas. Como o pessoal com quentinhas não pode embarcar para vender dentro do barco, improvisam. Uma grande vara com um gancho onde penduram a quentinha e na ponta uma garrafa pet cortada onde a pessoa põe os R$ 5,00 e recebe, no caso, o troco. Tudo feito do cais para as sacadas do barco. Incrível a criatividade do povo. Vendedores de doces e açaí circulam dentro do barco neste momento.

 Parada em Óbidos: com a vara, as quentinhas são vendidas.

A esta altura já conheço várias pessoas. Muitas conversas. As pessoas rapidamente se aproximam e contam de suas vidas, de suas histórias. Parece que há uma vontade de compartilhar a vida entre aqueles que, por tantos dias, compartilham o mesmo espaço. Tive conversas que levarei para toda a vida com pessoas das mais distintas possíveis.
Perto de meio dia decido experimentar a quentinha do barco. O almoço é servido no primeiro andar e de duas formas. Em um refeitório há quentinhas, por R$ 8,00, de carne ou frango. No outro refeitório, um self service com poucas opções (arroz, feijão, macarrão, salada, carne, frango, farofa, vinagrete), por R$ 15,00. A quentinha vem toda entulhada com tudo misturado, mas mata a fome. Para as duas opções você compra o ticket na lanchonete do deck e depois desce para comer.
A tarde terminei de ler o primeiro livro que levei e fiquei papeando com o pessoal conhecido, bebendo e curtindo o visual do rio. No final da tarde chegamos em Óbidos e a Polícia Federal entrou. Pediu que desligassem a música e que ficássemos ao lado de nossa rede, perto de nossas malas. Revistaram algumas malas aleatoriamente e saíram. Depois permaneceram acompanhando o embarque de mercadorias (castanhas) que acontecia.
Passo parte da noite no teto do barco, deitado no chão admirando o céu mais estrelado que já vi na vida. Um cobertor de estrelas sem fim. E chegamos, por volta de 22:30 a Santarém. Como passaríamos a noite na cidade, decidimos sair para beber em terra. Eu e mais três pessoas. Para sair precisamos apresentar a passagem e a identidade. Caminhamos pela avenida próxima ao porto, bem deserta, até quase o centro. Não há bares abertos. Pegamos um taxi que, por R$ 12,00, nos deixa na bela e simples orla de Santarem, onde sentamos em um bar que fica em um píer, bebemos cerveja Tijuca e comemos deliciosas iscas de Pirarucú. Uma da manhã estávamos de volta, de taxi, para o barco e para mais uma noite bem dormida na rede, com o frio do ar condicionado. A área das redes estava bem mais vazia pois muita gente desembarcou em Santarém.

Dia 5: De Santarém rumo a Belém.
Apesar do barulho das pessoas, que começa já as seis da matina, acordei quase as 10:00 hs. O espaço já está bem mais cheio, muita gente embarcou durante a manhã em Santarém. Há muita gente circulando pelo espaço vendendo comidinhas. Tomo banho e vou para o deck ler com xs amigxs. Saímos de Santarém ao meio dia. Desço para almoçar e resolvo experimentar o self service. O salão tem cerca de 10 mesas e um bom ar condicionado, o que torna a refeição mais agradável. A comida é simples, mas gostosa. A vantagem é poder servi-la em um prato e comer quantas vezes quiser (#almagorda).

Self service do barco.

Durmo um sono pós almoço pesado e quando acordo, no meio da tarde, volto ao deck para ler e contemplar o visual com uma cerveja. A sensação que tenho constantemente em casa, no Rio de Janeiro, quando estou lendo ou estudando, de que o tempo voa ou que me falta tempo, aqui é inversa: o tempo passa lentamente, embalado pelo reggae e tecno-brega e pelo balanço do rio. 

Deck. Ao fundo, a lanchonete.

As 17:00 hs chegamos à Monte Alegre. Passamos uma hora na cidade, algumas pessoas descem e o sol começa a se por lentamente ao fundo. É um pequeno vilarejo de pesca. É muito interessante ficar vendo como é a rotina em um lugar desses, perceber o quão peculiares são as realidades de cada região, admirar o posto flutuante da Shell, o barco de camarão, as formas de “se virar” onde quase nada chega senão pelo rio.
O teto do barco fica cheio no final da tarde, todxs deitadxs ou sentados admirando o inesquecível pôr do sol que o Amazonas nos proporciona todas as tardes. Nesta noite rolou muito, mas muito papo, com muitas pessoas diferentes. O clima no barco já é de total comunidade, quase todxs se conhecem pelo nome, pessoas vão e vem das rodas de conversa tendo o céu coberto de estrelas acima de nós. Percebo que algumas mulheres, em especial as mais novas, se produzem muito. Trocam de roupa ao menos três vezes por dia, andam maquiadas e, a noite, põe suas melhores roupas. Todas exceto as “turistas”, as meninas que são de fora do país ou de outras regiões. Os homens tem um certo padrão: camisetas regata, cordões, bonés. Alguns, percebo, usam um boné diferente por dia. E muito, MUITO perfumados. Fomos dormir tarde e bebemos bem esta noite. 

Teto do barco.

Dia 6: O estreito de Breves.
As 5:30 da manhã um amigo que fiz na viagem, Chico, bate na minha rede e me acorda: “levanta carioca, não queria ver o nascer do sol”? Escovei os dentes rapidamente e subi com uma camisa de flanela, pois o ventinho da madrugada é frio. Vamos para o teto do barco e ainda está tudo escuro, um breu. As luzes ainda estão acesas no barco. Ficamos conversando sobre animais da floresta e tipos de peixe. Aprendi muito em cada conversa nesta viagem. Logo o céu escuro começa a ganhar uma leve tonalidade azul-alaranjada. O dia começa a raiar e um sol dourado e brilhante vai surgindo no horizonte. Daquelas cenas para guardar na memória para sempre.




Descemos as 7:00 hs para tentar ainda tomar café. Compro o ticket de R$ 2,00 no deck e desço. O café consiste em um café (fraco) com leite e um pão dormido, tipo daqueles de hambúrguer. Você pode ir à mesa e pôr margarina, se quiser. Chegamos logo em Gurupá, nossa última parada antes de Belém. Nela, pela primeira vez, não há pessoas no cais vendendo coisas ou entrando no barco para oferecer comidas e artesanato. Em meia hora saímos da cidade e agora seria direto no rio até Belém.
Perto do meio dia entramos no Estreito de Breves. É um canal onde o rio encurta sua largura e ficamos muito próximos das margens, apreciando de perto a selva e as comunidades ribeirinhas, assim como as dezenas de ilhas. Logo, começam a se aproximar os barcos a remo, pequeníssimos, com mulheres e crianças pedindo comida e roupas. As pessoas colocam seus donativos em sacos plásticos, amarram e jogam do barco. E os ribeirinhos saem remando atrás dos sacos que boiam pelo rio. Para alguns viajantes parece “parte da viagem”, coisa normal. Para mim, foi um dos momentos mais tristes. As crianças fazem um tipo de “coreografia” com as mãos, meio ensaiada, pedindo comida. Não se parecem em nada com populações miseráveis que vemos nas cidades do sul, mas sim com descendentes de índios que não tem outro acesso a mantimentos que não peixes, verduras e roupas senão pela boa vontade daqueles que passam pela “estrada” que margeia suas casas: o rio. E assim permanece por meio dia inteiro, o barco cruzando o estreito e barquinhos pequenos remando tentando alcançar as sacolas jogadas ao rio. Fiquei com a sensação de que ali se encontra um Brasil esquecido, onde nem políticas sociais nem os olhares de boa vontade chegam. 

Barcos a remo com crianças e mulheres. Estreito de Breves

Outro “fenômeno” do estreito: os pequenos barcos a motor que “perseguem” nosso catamarã, se amarram às boias na lateral do barco e escalam as paredes para embarcar e vender açaí, camarão e palmito. Os marinheiros permitem a abordagem. Assista aqui como isso acontece.
Seguimos viagem admirando os diferentes e infinitos tons de verde que a selva oferece. Assim como suas formas, sons, cheiros. Os sentidos agradecem.
Ao final da tarde, mais um pôr do sol cinematográfico. A esta altura, a viagem chegando ao final, muito mais gente que nos dias anteriores está no teto do barco, na “área de lazer”, conversando e trocando ideia. Adentramos a noite sob o tapete de estrelas ali, bebendo e ouvindo tantas histórias diferentes quando os tons de verde da mata. Ficamos um grupo, resistindo ao sono, bebendo até meia noite e meia, quando já “altos” decidimos dormir. 


Mas tinha a baía de Guajará. Uma região onde a maré é muito agitada e o barco balança muito. Deitamos mas as redes balançam de um lado para o outro, quase batendo umas nas outras, sem parar. É um balé bizarro no salão das redes, similar a um terremoto. Tento fechar os olhos e adormecer com o balanço, mas é difícil. Para estômagos sensíveis, atenção a este trecho. Mas, ao menos eu, consigo adormecer logo, mesmo com as sacudias – obra e graça do álcool consumido desde a tarde.

Dia 7: chegamos à Belém
Cinco e meia da manhã as luzes acendem e muita gente falando alto. Havíamos finalmente chegado à Belém. Ficamos no barco até amanhecer e desembarco as sete. Me despeço já cheio de saudades de tanta gente querida que conheci e admiro a recém inaugurada e belíssima estação hidroviária de Belém. Pego um taxi e em cinco minutos estou no (excelente) hostel Portas da Amazônia. Localizado na praça Frei Caetano Brandão, na cidade velha, fica privilegiadamente em frente ao Forte do Presépio e a cinco minutos de caminhada do mercado Ver-o-peso.
Depois de um sono rápido, rumo para a praça da República (ônibus da linha “telegrafo” me deixou lá em 15 minutos). Aos Domingos há ali uma grande feira de artesanato, com variadas opções. Dou um tempo no tradicional Bar da Praça, ponto de reunião de famílias e jovens da cidade. Em frente a praça fica o tradicional Cinema Olympia, o mais antigo em atividade do país (inaugurado em 1912).
Parto para o mercado Ver-o-Peso e de taxi chego rápido. O Ver-o-peso é uma tradição da cidade e se espalha pelas ruas da orla do rio com suas comidas, ervas e roupas. Caminho um tempo pelo mercado e sento em um quiosque mais próximo do rio. O prato de pirarucu é mais caro que em Manaus (R$ 25,00), mas maior. A cerveja, barata (R$ 4,00).

Cerveja no Ver-o-peso.

No final de tarde, seguindo recomendações de amigxs que fiz em um bar assistindo ao futebol, fui parar no baile/ domingueira de Reggae do hotel Goldmar. Baile animado com banda, a galera dançando reggae como se fosse forró e muita cerveja, com um deck nos brindando com o por do sol. O baile acaba as onze da noite e ainda deu tempo de uma esticadinha até o Palafita, na praça do hotel, onde aos Domingos também rola festa. Muita gente bacana e uma cervejinha nos ambulantes da praça para fechar a noite.

Dia 8: Belém.
Havia deixado a Segunda para conhecer vários pontos, como o Mangal das Garças e o Museu Emílio Goeldi. E fui surpreendido com a notícia que quase TODOS os museus e pontos turísticos fecham às Segundas para manutenção. Decidi então fazer o que sempre faço em viagens: ir até uma região central e andar a esmo. Da praça da Republica em direção à avenida presidente Vargas e dali entrando por ruelas e pequenas ruas até chegar no Ver-o peso. Cervejinhas, sol, papo com pessoas interessantes e o final do dia no Espaço das Docas, ao lado do mercado. Uma área nova da cidade, que emula Puerto Madero, em Buenos Aires. Bares sofisticados e a maravilhosa cervejaria Amazonas, com suas cervejas próprias e peculiares. Interessante que, em alguns passos e em poucos metros, saí do Ver-o-peso, com sua atmosfera e público populares e fui transportado para um mundo completamente diferente. A síntese de um país desigual em uma terra de contrastes.
Mas, mesmo assim: Belém é linda!

terça-feira, 23 de abril de 2013

London Calling: Dez imagens de Londres


Poucas cidades estão tão presentes nos guias de viagens, nos roteiros e revistas quanto Londres. Cosmopolita e diversa, a capital britânica atrai turistas do mundo todo ávidos por seus diferentes e múltiplas atrativos. 
Tudo que você precisa saber para ir à Londres já está em qualquer guia. Para nós, Londres é uma das mais belas lembranças de viagens que cultivamos. Lindos dias de verão, longas caminhadas, muitos Pint's de cerveja e shows de rock!

Chegando
Chegar em Londres de qualquer ponto da Europa é rápido e fácil. Seu Aeroporto principal (há 3 grandes aeroportos na cidade) é Heathrow e dispõe de linhas de metrô dentro de cada um de seus 5 terminais, que tornam fácil e simples a tarefa de chegar e sair para o centro da cidade. Não deixe de comprar, no próprio guichê do metrô (ou Tube, como eles chamam) do aeroporto seu Oyster card, um cartão de uso do metrô que custa 3 Libras e que pode ser carregado com valores referentes a 3, 5, 7, 10 ou 30 dias. Sai bem mais em conta - MESMO - que comprar tickets a cada viagem. Pagamos 31 libras em um Oyster 7 dias e foi um excelente negócio visto a quantidade de viagens que fizemos de metrô pela cidade.  

Onde ficar.
Recomendamos pra-caramba-a-beça-de-montão o Easy hostel de Earls Court. Bairro simpático, próximo ao centro, hostel que fica a 5 minutos andando da estação Earl's Court do metrô e acomodações mínimas, mas limpas, ambiente "clean" e preços atrativos para viajantes de baixa renda, como nós.  

As imagens.
O que segue são 10 imagens que simbolizam nossas lembranças afetivas da cidade - A cidade! 

 1) Abbey Road
É clichê, não tem absolutamente nada demais, mas se você curte cultura pop, Beatles e rock, é obrigatório. O estúdio fechado tem dezenas de pichações de fãs do FAB-4 e declarações de amor eterno. Fácil de chegar: Pegue o metrô da linha Jubilee até a estação St. John's Wood e, dali, ande uns 4 quarteirões adiante. Na entrada do metrô tem uma lojinha cheia de badulaques bacanas dos Beatles.




2) Margem do Tâmisa no verão
A "praia" londrina no verão são as margens do rio Tâmisa. Do London Eye - a famosa roda gigante da cidade - até a Tate Modern - o museu de arte moderna - há uma infinidade de atrações, exposições, espaços de lazer e descanso espalhados, sempre gratuitos. 



3) Tate Modern 

Um dos principais museus da cidade e um dos mais bacanas de arte moderna que conhecemos. Moderno, enorme e com uma quantidade de exposições literalmente indecentes. 






4) Museu de história Natural
Localizado no agradável bairro de South Kensington, atrás do lendário Royal Albert Hall e perto do Hyde Park, este museu é divertido, informativo e te faz, por algumas horas, se sentir dentro de um filme de Harry Potter.





5) Piccadilly Circus 
O centrão da cidade. O principal ponto de encontro de turistas e locais. A porta de acesso aos centros de comércio, aos teatros, à night agitada. Uma praça que fica no centro nodal da cidade e que é batata se precisar marcar um encontro com alguem: nos vemos na estatua de Picadilly. Lotada de dia, lotada de noite.


6) Camden Town

Nosso bairro favorito. O bairro original do punk e do underground londrino. Dezenas de lojas de discos, pub's, uma feira gingantesca de roupas, acessórios, antiguidades, comidas de todas as partes do mundo, um lindo parque de onde se tem uma vista maravilhosa de toda a cidade, casas de shows e aquele climão "rocker" que tanto amamos.




7) Brick Lane
A rua dos asiáticos e muçulmanos de Londres, um bairro repleto de antiquários, brechós, restaurantes de comidas orientais e africanas, boites underground de musica eletrônica, rock, hip-hop e em especial, a loja central da Rough Trade, o selo/ loja de discos mais famoso da cidade, a Disneylândia dos rockeiros. 




8) Portobello Road 
Outro clichê. Mas a feira que rola todos os Sábados nesta rua de Nothing Hill é mesmo docaralho a quatro! Tem de tudo, tudo mesmo, é um grande mosaico da Londres turística com a Londres comunitária. Chegar cedo é a boa. E logo no início da rua fica a casa em que o escritor George Orwell viveu por mais de 40 anos. Salte na estação Nothing Hill do metrô e ande pela rua Pembridge até a esquina da Portobello road.




9) As Lojas de discos 
Prepare o Cartão de credito e um bom tempo. Se você ama rock e blues, as lojas de Camden e as duas filiais da Rough Trade (em Brick Lane e nothing Hill) são um convite às compras e um passeio dos sonhos! 





10) Os Pub's 
Nada mais senso-comum, nada mais óbvio e nada mais maravilhoso que sentar em uma das dezenas de Pub's Londrinos, escolher uma das centenas de cervejas locais e européias e curtir aquele mais de meio litro de bebida sagrada em um climão cheio de gente que vai ali quase que religiosamente para isso: apreciar o malte divino dos deuses. A maioria não tem "garçom": você levanta, vai no balcão, pede, paga e pega suas cervejas. E os Pint's variam de 2,50 Libras até raridades de 8, 9 Libras. E são bem mais fortes que nossas cervejinhas pilsen daqui.

segunda-feira, 18 de março de 2013

ESPANHA - Top 5 Barcelona

                                           Rambla de Barcelona. Estátua de Cristóvão Colombo.

Que coisa boa escutar e falar espanhol dentro da Europa. E que barato poder curtir o friozinho-que-não-congela-mas-é-intenso das terras de Cervantes! Decidimos pegar a temporada de final de ano pra conhecer o que a Espanha tem - e tem muita coisa boa, viu? Seguem aqui algumas dicas básicas gerais, daquelas que sempre atormentam à todos antes de viajar, e um rápido top 5 destas duas cidades incríveis: Barcelona e Madrid!

Chegando no país

Chegamos em Barcelona, em um vôo via Frankfurt. A imigração foi feita na entrada pela Alemanha. E foi MEGA TRANQUILA! Como recomendação para "desencanar" na imigração, leve sempre: 
- passagens de volta impressas; 
- Comprovação das reservas de hotéis; 
- Seguro de viagem (com cobertura de EUR 30.000,00 que englobe assistência médica/hospitalar e repatriação sanitária); 
- Em caso de translado pelo país ou em países vizinhos, é ideal levar os comprovantes dos tickets de trem ou aéreos;
 - Dinheiro suficiente para comprovar que pode se manter. O ideal são, no mínimo, 60 Euros por dia, por pessoa.

Ao chegar em Barcelona, passamos direto, sem imigração (pois já haviamos feito em Frankfurt). Logo na saída do Aeroporto, a melhor maneira de chegar na cidade (até a Praça da Catalunya, "coração" de Barcelona) é o AEROBUS, uma linha de ônibus que liga o aeroporto ao centro, com apenas 3 paradas no percurso e que tem ponto final na praça. Sai de 10 em 10 minutos e custa 5,50 Euros. Também há o metrô (com uma estação no próprio Aeroporto) mas, como nosso Hostel ficava próximo a praça, preferimos o ônibus pra não precisar fazer baldeação com as malas. 
Em Madrid há o mesmo serviço, com mais pontos no trajeto e com o preço de 6 Euros. Super rápido e tranquilo e, igualmente, EM FRENTE a entrada do Aeroporto. Facílimo! 

BARCELONA

A capital da Catalunya é de fato uma das cidades mais incríveis da Europa. Grande sem cara de metrópole, cosmopolita como Londres mas sem a correria da cidade inglesa, com um povo diversificado e orgulhoso de suas origens e de sua história - não se arrisque a perguntar a um morador da cidade se ele é espanhol, pois a maioria dirá: "sou Catalão"! Fomos no inverno, em Dezembro. Frio ameno, cerca de 9, 10 graus de dia e 5 a noite, em média. Não é congelante e é beeem agradável de caminhar pelas ruas. 
Os guias de viagens já têm tudo sobre os principais pontos turisticos da cidade. Por isso o que segue é um breve TOP 5 de nossos programas preferidos de Barcelona!

1) A cidade de Gaudi
Ok, ok TODO MUNDO fala das obras do artista catalão quando se refere à Barcelona. Mas se falam, é porque é isso mesmo e muito mais. Reserve um dia, pelo menos, para dedicar aos pontos de visita dele, em especial: Parque Guell, um parque enorme onde os detalhes são o que há de mais incrível. E o melhor, a entrada é GRÁTIS (coisa rara na cidade). Esqueça a obra do lagarto da fonte da entrada, onde todos se acotovelam (literalmente) para fotografar. Caminhe acima e verá o incrivel salão todo coberto com mosaicos de azulejos detalhadamente montados. Mais acima, a praça panorâmica permite uma vista incrível da cidade e ainda tem os bancos todos ergonomicamente montados em volta, ideais para um descanso e contemplação. Aliás, esta é a palavra do parque: contemplação. Reserve uma manhã ou tarde inteiros, pois cada passagem, cada corredor, cada trilha tem um detalhe, uma surpresa.

                                                           Parque Guell

Em seguida, pegue o metrô e vá até LA PREDRERA (Casa Milá), a fantástica casa ondulada feita pelo artista em pedra. Agora prepare o bolso: a entrada custa "módicos" 20 Euros. Dali, uma caminhada boa te leva até a (incrível, fantástica, impactante...) Casa Batlló, uma casa de 6 andares reformada por Gaudi que não apenas realizou em sua fachada uma verdadeira obra de arte como fez, de todo o interior, uma intensa transformação. É cheia, lotada de detalhes incríveis.

                                                           Casa Batlló

A visita fica bem mais divertida com o audio guia que é alugado na entrada e que vai, em cada parada da casa, contado a historia daquele trecho. Agora, a entrada também é azeda: 16 Euros. Mas, quer saber? Não tibueie e pague, porque vale cada centavo!
O melhor é que este trajeto é próximo e você pode fazer (com alguma disposição) todo a pé!

2) O Mercado de La Boqueria
Bem no meio da Rambla - a famosa avenida de pedestres que liga a Praça da Catalunya ao mar, emerge um mercado. Mercado, destes que tem em São Paulo, em BH, etc. Mas ao entrar você vê que tem um "algo mais". É bonito, é diversificado, é colorido, tem bares, restaurantes, tem cores, tem vida! E ainda encontrei lá o meu boteco (literalmente, botecão) preferido na cidade - o "el Kit-Kat", bem no fundão do mercado, à direita da entrada. Mas, atenção: obviamente, tudo na entrada ou perto dela é mais caro. O mesmo suco que custa 2 Euros na entrada custa 70 centavos mais adiante, no meio do Mercado.



3) Museo Picasso e bairro Gótico
Entre ruelas medievais e ruas de pedras, o bairro gótico é um convite a, literalmente, se perder. E isso é bom e nós fizemos muito. Simplesmente esqueça o mapa e se perca por estas ruas que, por momentos, fazem você se sentir em outra época. Cada detalhe de cada construção vale à pena ser apreciado. E entre outros tantos prédios, de repente você chega a entrada do Museo Picasso, onde boa parte da obra e a vida do pintor estão expostos. São 11 Euros mais 4 no audio guia (indispensável, na boa) que te permitem passar horas acompanhando, cronologicamente, a vida do pintor e escultor (éé, essa eu fiquei sabendo lá) através de suas obras. E é duca!!



4) Montjuic e Barceloneta
O castelo de Montjuic é um dos mais belos pontos de visita não apenas de Barcelona, mas da Europa. No alto do monte do mesmo nome, é um castelo gigante que fica de frente para o Mediterrâneo. O acesso se dá pelo teleférico que, por sí só, já vale o passeio. Chega-se até lá pela linha verde do metrô, até a estação Parallel. Mas atenção: não saia da estação! Dentro dela mesmo, sem passar pelas roletas de saída, há uma transição para um plano inclinado que leva até a estação do teleférico, na base da montanha. Lá, por 11 Euros, você compra o ticket ida-e-volta para o Castelo. São cerca de 5 minutos de subida em pequenos compartimentos fechados para 4 pessoas, com janelas panorâmicas para poder curtir o lindo visual da cidade.
E a chegada ao castelo é... é brother, é deslumbrante. O castelo, construído no século XVI, é hoje um patrimônio da cidade, com sua linda vista do porto e do mar mediterrâneo e com cafés e lojinhas em seu interior. Todas as instalações, salas, canhões e observatórios estão maravilhosamente preservados e contam um pouco da história de luta e resistência do povo Catalão.

                                              Mirante do Castelo de Montjuic

Descendo de volta à estação de Parallel, pode-se caminhar ou andar uma estação até Drassanes e chegar ao final da Rambla, no remodelado complexo do porto de Barcelona, bem em frente a famosa estátua de Cristovão Colombo. A caminhada pela orla até Barceloneta, bairro litorâneo com muitos bares, restaurantes e a bela praia é o melhor programa para uma tarde de sol. E se tiver fome, não deixe de comer no maravilhoso La Bombeta, em Barceloneta: um restaurante especialista em peixes e frutos do mar com aquele climão old school que tanto amamos.


5) Os bares de Barcelona!
Barcelona tem uma vida cultural e noturna agitadíssima! E o povo curte comer e beber bem, assim como os autores deste blog. O que não faltam são opções de excelente gosto pela cidade, em especial pela região do centro e bairro gótico.
Mas alguns lugares conquistaram nosso coração. Começando pelo top, o "the best" o nosso mais novo boteco de estimação, o maravilhoso "El Xampanyet". Bem em frente à entrada do Museu Picasso, na esquina da carrer De L'arc de san Vicenc com Montcada. É uma taberna estilo antigo, com tapas maravilhosas por 2 Euros, cerveja gelada, espumantes e vinhos e um clima pra lá de descontraído: ficamos um tempo em pé, no balcão, comendo e bebendo e depois migramos para um barril, na porta. E lá é assim: você chega no balcão, pede e abre uma conta. E vai pedindo, vai comendo, vai saboreando e curtindo o clima do pico - SEMPRE cheio!! E não deixe de provar o pimentão recheado com requeijão de lá.

El Xampanyet

Mais para o centro, na rua atrás do lindo MACBA - Museu de arte contemporânea de Barcelona, fica o Runaways. Um bar de rock. Mesmo. Cerveja e bebidas em geral no balcão, escuro com poucas luzes, mesas improvisadas em cima de barris e nos cantos, pôsteres de The Smiths, Joy Division, Clash, salgadinhos free pra deixar sua boca salgada para que você beba mais e rock nos alto falantes. Rock de qualidade. Pra beber muito e curtir um som.
Mas aí bateu fome, né? Sem problemas. Suba duas ruas acima (Calle Tallers, 75) e chegue no Club de La Hamburguesa. Hamburgueres gigantescos, bebida gelada e um clima de bar.


EM BREVE: o Top 5 Madrid!







segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Marrocos (Casablanca – Marrakech – Tanger)





O Marrocos é um país incrível. E muito doido – ao menos para um ocidental pouco ambientado com a cultura e a religiosidade locais. De primeira, tudo é estranho: a língua, as placas, os hábitos. Mas as pessoas são amáveis e carinhosas e as belezas do lugar rapidamente te auxiliam na tarefa de relaxar e curtir este cantinho da África.

Aqui vamos relatar momentos, dicas e histórias para ajudar quem pensa em conhecer o lugar.


Chegando.
Chegamos ao país pelo ar – um vôo de Madrid para Casablanca, de uma hora. Vôo rápido e barato da Iberia – usamos a E-Dreams para localizar os melhores trechos aéreos na Europa e foi batata! Depois de uma pesquisa percebemos que sairia mais barato que pegar o ônibus até Tarifa (Cidade espanhola no litoral mediterrâneo de onde se pega o barco para Tanger) e o barco depois.

Ou seja: planejamento é 90% de uma viagem bem sucedida.

O Aeroporto Internacional Mohammed V é pequeno para padrões internacionais, mas confortável.  A imigração é ... enrolada, como muita coisa por lá. O camarada confere um por um seus dados, com uma calma incrível. E depois você passa por outras revistas e finalmente pelo raio X. Mas é tranqüilo.

Fizemos o câmbio dentro do próprio aeroporto. Pela cotação do dia (Janeiro de 2013), 1,00 Dólar estava valendo 8,50 Dirhans (moeda local) e um Euro, 11,00. Trocamos 400 dólares que deram e sobraram para os 6 dias que passamos por lá.
Dentro do próprio aeroporto, no subsolo, fica a estação de Trem. Pegamos o trem que sai de hora em hora - mas atrasa, para Gare Voyageurs que fica bem no centro de Casablanca. O ticket custou 40 Dirhans, e saiu cheio. A viagem demorou 40 minutos.

                                                        Estação de Trem do Aeroporto

Chegando na Gare de Voyageurs uma pequena multidão de taxistas oferecia transporte. E sempre é necessário negociar! Como não conhecíamos o lugar, o cara fez um preço (50 Dirhans) que era o triplo do que, de fato, custava a corrida até nosso hotel, que ficava a 10 minutos da estação.

Ali aprendemos a primeira lição: no Marrocos, TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO tem que ser negociado e barganhado. Faz parte da cultura local.

Casablanca
Casablanca é cinza. Cinza e ruidosa, como São Paulo. Não é uma cidade litorânea comum, é pesada e muito cheia. Metrópole. Em um dia demos conta de conhecer os principais pontos da cidade. Ruas sujas e prédios degradados ou abandonados são constantes no centro. Na parte litorânea, grandes empreendimentos imobiliários sendo erguidos. Entre a Mesquita do Rei Hassan e a avenida Mohamed V está o “filé mignon” da cidade. Ruas bem preservadas, arborizadas e um comércio variado.



Nosso hotel ficava bem próximo destas áreas e, caminhando devagar, chegamos em 20 minutos até a praça Mohamed V. Ali ficam vários cafés em estilo parisiense, um belo boulevard e a entrada principal da Medina – a cidade antiga. A Medina é formada por uma infinidade de becos e ruelas cercadas pelo grande muro, suas ruelas formam um grande mercado (souk) onde também vivem e trabalham as pessoas de mais baixa renda da cidade. É fácil se perder lá dentro, mas caminhando, se acha sempre uma das várias saídas. Não é perigoso nem tenso, mas em vários momentos fica deserto. E a todo o momento passam motos e mobiletes – todo momento. É melhor chegar depois das 11 da manhã, quando todo o Mercado já abriu e as atividades estão à mil.

Para quem conhece o Rio de Janeiro, a Medina de Casablanca é uma grande mistura da Saara (centro de comércio popular do centro da cidade carioca) com a Rocinha (favela da zona sul da cidade). Muita roupa de grife falsificada na China, muita camisa de time de futebol – principalmente da Espanha – badulaques de toda ordem, temperos e tecidos típicos. Caminhamos muito por lá e saímos pela praia. 

Caminhando pela orla e graças a uma boa sinalização (coisa rara por lá) chegamos à gigante – GI-GAN-TE – Mesquita do Rei Hassan II. Um palácio imenso na beira do Atlântico rodeado por uma praça imensa – 4 ou 5 vezes a Praça XV, no Rio. Paga-se 120 Dirhans para visitar seu interior – a única Mesquita aberta a visitações no país – 4 vezes por dia: as 9,10,11 da manhã e 14 hs. Mas, ali começamos a descobrir que, como no Brasil, em Marrocos “sempre se dá um jeitinho”. Chegamos 11 e meia, já não poderíamos visitar o interior. O camarada da portaria olha pra um lado, olha para o outro, pisca para nós e pede que o sigamos “em silêncio”. E nos leva para conhecer o interior do Palácio. E é aquilo: suntuosidade, ostentação, salões imensos, uma grande área para banhos turcos, colunas monumentais, passagens secretas pra lá e pra cá. Cenário de filme. Saímos e ele fala que se deixarmos uns 200 Dirhans pela visita para os dois, ta de bom tamanho.

                                                   Mesquita do Rei Hassan II 

Dalí a caminhada segue de volta, pelo boulevard de La Corniche até a Praça Mohamed V de novo, caminhando pela avenida de mesmo nome até Praça dês Nations Unies. Muito bonita e cercada de prédios em estilo clássico, vale um tempo de contemplação.
Almoçamos e jantamos muito bem nesta região, em restaurantes de comida típica marroquina, por preços que variaram entre 150 e 220 Dihans (algo entre 37 e 55 Reais para o casal). Tajines (um tipo de cozido, que pode ser de peixe, frango ou carne), Cuscuz marroquino, saladas e os incríveis pães locais foram nosso cardápio.

Em Casablanca nos hospedamos, graças ao sagrado e amado Booking.com, no excelente Maroccan House Hotel. Preço acessível, instalações muito boas, wi-fi grátis, um staff super gentil e um senhor café da manhã, cheio de delícias marroquinas.


Marrakech

Pegamos um trem as 8:00 da manhã na estação Gare Voyageurs de Casablanca com destino a Marrakech. Seriam 3 horas de viagem e pretendíamos voltar no mesmo dia, no trem das 19:30. Cada passagem por 90 Dirhans (cerca de 11 dólares), na segunda classe – que é confortável. Os horários e valores das passagens podem ser acessados sempre no site da empresa de trens de Marrocos – e nos ajudaram muito!

http://www.oncf.ma/Pages/Accueil.aspx

O trem já vem de outra cidade – Rabat – com gente dentro – meio cheio. Conseguimos dois lugares em frente a um casal muçulmano que passou a viagem toda nos fitando. Cadeiras confortáveis e janelas amplas. A viagem é agradável e a paisagem árida. No interior de Marrocos as construções têm sempre um tom bege, marrom, cor de tijolo. Poucas plantações, sempre de grãos. Muito pasto e pouca criação de animais. Vimos algumas poucas criações de cabras. Houve cerca de 10 paradas em diferentes cidades no caminho, mas estávamos tranqüilos porque Marrakech seria a última estação. A última meia hora de viagem foi a mais bonita, quando se aproxima das montanhas. 

Saltamos na belíssima Gare de Marrakech e seguimos logo em frente, pela avenida Hassan II. Ruas arborizadas, prédios baixos, uma linda arquitetura. De cara Marrakesh é MUITO mais agradável que Casablanca. Caminhamos uns 10 minutos e já avistamos as muralhas da cidade antiga. São 10 kilometros de muralhas em estilo clássico que cercam medina. No caminho muitos jardins, amplos e bonitos, onde vimos jovens descansando, estudando ou passeando.



Seguimos em frente depois de muitas fotos e logo avistamos, de longe, a belíssima Mesquita Koutoubia. Aqui há uma história interessante. Todas as Mesquitas têm o mesmo padrão de construção. Todas, no alto, tem 3 bolas de tamanhos diferentes fixadas por um ferro. Pois bem, nesta Mesquita, a lenda conta que as bolas do alto seriam de ouro fundido das jóias de uma das mulheres do Sultão El Mansour, que teria quebrado o jejum do Ramadã e sido punida, com a perda de suas jóias. Lenda ou não, o lugar é bonito praca!
Seguimos reto, passamos por mais um dos lindos jardins da cidade e nos deparamos com a famosa Djemaa el-fna – uma imensa praça, considerada pela UNESCO Patrimônio Imaterial da Humanidade, e que concentra uma gigantesca diversidade de artistas, comércio, restaurantes, etc. Segundo os livros, ali eram realizadas, inclusive, as execuções de prisioneiros condenados até o século XIX.

                                                                        Djemaa el-fna

Fato é que logo que chegamos, a primeira visão impressiona. Muita gente.  Muitas tendas. Muitos carros. Muito movimento. E cobras. Muitas cobras. É brother, sabe aquelas paradas que você pensava que só existiam em filmes sobre o “exotismo” do Oriente – tipo “encantador de cobras”? É, aqui existe e de verdade. O Maluco fica sentado, com umas 20 cobras venenosas em volta – cascavéis, Najas, etc – oferecendo aos turistas que tirem fotos com uma das cobras no pescoço (AAAAAAAAAAARRGG!!) e tocando flauta pra Naja subir. Bizarro. Passamos ao lado da tenda e uma das cobras veio chegando perto até que um dos ajudantes a pegou de volta. Vimos uma cena de um dos caras com a cobra no pescoço cobrando dinheiro de um turista que tirou fotos e se recusou a pagar. Não preciso falar porque não há fotos do cara e de suas cobras neste blog, não?

Bem, ficamos olhando as barracas, tomamos um suco de laranja em uma das dezenas de barracas que oferecem a bebida e nos aventuramos pelo gigantesco labirinto do souk local. E ali nos deparamos com tudo que você sempre leu e sonhou em um típico mercado marroquino: cores, sabores, sons, tudo. Mas, como disse, é um labirinto. Você anda, anda, pensa que sabe de onde veio, mas logo percebe que está perdido. E, um minutinho de hesitação e alguém já grita pra você: “a praça é pra lá”. Mas, desconfie, porque muitas vezes os meninos indicam um sentido para que os turistas se percam e depois se oferecem para levá-los até a praça, de volta.



Resolvemos, depois de muito caminhar dentro do souk, conhecer dois pontos super famosos da região: O Museu de Marrakech que atualmente expõe obras contemporâneas de arte principalmente pinturas e, ao lado, a Medersa Bem Youssef – a antiga escola corânica, de arquitetura monumental. Seguimos as placas que indicavam o lugar e, em certo momento, você começa a desconfiar delas. Porque é longe, mesmo sendo dentro do souk. Até paramos para comer algo, no caminho. Mas depois de muita bateção de perna, chegamos ao Museu. Você pode comprar um ticket de 60 Dirhans que dá direito aos dois lugares.

O Museu é belíssimo, lindo mesmo, pena que as fotos não conseguem reproduzir suas cores e relevos. Menos pelas obras – que em seu interior parecem mais um adendo. A verdadeira obra de arte são suas paredes, pátios e salas. O pátio interno é um dos mais belos salões que já vi na vida. Cores e formas incríveis.

                                                           Museu de Marrakech


Saímos encantados e logo ao lado adentramos na Medersa Ben Youssef. E que lugar mais lindo ainda! Um prédio de mais de 8 séculos, super bem preservado, com mais de 100 quartos onde os alunos dormiam. Um pátio interno igualmente incrível, paredes e janelas que são obras de arte. Lindaço!


                                                             Medersa Ben Youssef

Saímos de volta ao Souk, encontramos a saída da praça, tomamos mais um suco e admiramos mais um pouco a louca diversidade da Djemaa el-fna. Segundo dizem, é à noite que o bicho pega e que o real agito toma conta de lá. Mas ficou para a próxima. Fomos caminhando, já no início da noite, curtindo o visual da cidade e a linda arquitetura de seus prédios até a estação Gare de Marrakech, para tomar nosso trem de volta à Casablanca. E a linda iluminação da estação fechou com chave de ouro nossa breve estadia pela cidade. O trem saiu as 19:30 e exatamente 22:30 estávamos de volta à Casablanca.

                                                                 Gare de Marrakech


Tânger.

Pegamos um trem as 7:30 da manhã de Gare de Voyageurs, em Casablanca com destino à Tanger. Devido ao tempo de viagem – 4 horas e meia – compramos passagens de primeira classe – 160 dirhans, 40 mais caras que de segunda classe. A primeira classe são cabines com 6 poltronas largas e confortáveis. Confortável não foi exatamente o termo de nossa viagem – menos pelas acomodações e mais pela agitação de uma linda criança que se aproximou de nós e quis brincar as 4 horas e meia de trajeto. Mas foi legal.



São cerca de 7 estações durante a viagem. Na última hora de viagem o percurso margeia o oceano, o que rende um belíssimo visual. E a entrada na cidade encanta: Tanger é linda. A mais linda cidade que vi no país. Os prédios, ao contrário de Marrakech e Casablanca, são brancos e baixos. Há 2 estações na cidade, saltamos na última, mais central. De lá é fácil pegar um táxi e ir até o centrão ou para a praia. O valor combinado com o taxista previamente (é, na estação ferroviária ninguém topa ir de taxímetro ligado – te lembra algum lugar?) foi de 60 dirhans a corrida, até o hostel, na entrada da Medina da cidade. Da Gare até a Praça 9 de Abril, entrada da Medina e porta de acesso à rue El Kasbah, foram 10 minutos, passando pela orla do Mediterrâneo e vendo toda a agitação da praia local.

Ficamos no excelente Hostel Dar El Kasbah. Super recomendamos: staff amável, acomodações excelentes, limpas e bem estruturadas, quartos amplos e um bom wi-fi grátis. E uma senhora localização: ao lado de uma das entradas da Medina de Tanger. E tem um terraço com uma linda vista de toda a cidade e um café da manhã pago, mas excelente e FARTO!

E começamos justamente pela Medina - sempre um bom ponto de começo: localizada entre a Place Du 9 Avril (Grand Socco) e a praia, a Medina de Tanger é super bem sinalizada, com mapas e roteiros de trajetos em seu interior dispostos em cartazes e banners dentro da própria cidade antiga. Tem um Souk super variado, cafés excelentes e uma gama de serviços bacanas (cortei cabelo lá por módicos 30 Dirhans – mais ou menos 7 Reais).

Dentro da Medina, entrando pela rua El Kasbah até seu alto, a direita, você chega ao incrível Museo de La Kasbah. Um museu que conta a história dos diferentes períodos de Marrocos e da cidade, das ocupações, da resistência, das rotas de comércio. São 4 andares de uma senhora aula de história e de uma beleza singular.



A saída do museu dá na place Du Mechoir, onde fica um sofisticado Café em estilo francês, de onde se tem uma belíssima vista do mar e da cidade. Siga caminhando pelas bem sinalizadas ruas da Medina e você chegará à área mais movimentada da região. Particularmente gostamos muito do Petit Socco, uma das pequenas praças rodeadas de cafés da Medina. Na região do Petit Socco também ficam as tendas de jóias da Medina. E mais adiantes o souk de alimentos, com toda a diversidade de cores e sabores de Marrocos. Comprei um latão de azeitona e passei o dia caminhando e comendo.

                                                                        Petit Socco

Da Medina, numa caminhada de cerca de 15 minutos subindo a rua principal, chegamos a Necrópole Romana de Tanger. Basicamente, o cemitério onde os antigos romanos enterravam seus mortos quando a cidade foi ocupada pelo Império. São dezenas de valas na pedra, em um mirante de frente para o Mar Mediterrâneo e o Estreito de Gibraltar. O local é ponto de encontro de jovens e famílias da cidade e nos proporcionou os mais belos finais de tarde da viagem.

                                                      Necrópole Romana de Tanger

De volta à praça 9 Avril, uma caminhada breve pela Rue de La Liberté leva até a Place de France, ponto central da cidade. Esta é a parte mais “cosmopolita” e moderna. Bons restaurantes, alguns raríssimos bares e uma ferveção à noite – uma multidão, literalmente, toma suas ruas durante as noites de Quinta, Sexta e Sábado. Da Place de France pode-se seguir tanto para o lado do lindo Jardim Iberia e da Mesquita Mohamed V, a maior e principal da cidade, quanto para a orla – uma longa, mas agradável caminhada pela Avenue Mohamed V.

A orla de Tanger ferve de dia e de noite. Cheia de clubes, night clubs e cafés, é tranqüila e segura, ao menos de dia. À noite caminhamos por lá, também sem problemas, mas fomos recomendados a ter mais precaução. Mesmo no inverno, o frio é bastante ameno, perfeito para uma caminhada matinal pelo calçadão da Avenue Mohamed VI. E para um final de tarde, com o lindo pôr do sol, em um de seus cafés tomando um chá de menta.

Nossa saída de Tanger foi pelo aeroporto que é super distante do centro da cidade, praticamente sem acesso fácil por transporte público. Fomos de táxi, oferecido pelo Hostel, que custou 140 Dirhans. É um aeroporto bonito, mas pequeno, com cerca de 7, 8 vôos diários.
Tanger é uma cidade alegre, bonita e tranqüila. E foi de longe o lugar de menos assédio e mais tranqüilidade que conhecemos em Marrocos. Super vale!


Dicas, observações, coisas importantes (e outras nem tanto...)

- Em Marrocos TEM HOMEM PRA CARAMBA! Pra todo lado, em todas as ruas, a proporção é quase de 8, 10 homens para cada mulher. Seja pela cultura, que pode garantir às mulheres um lugar mais recluso e privado, seja por questões sócio-demográficas, acostume-se a ver um mar de marmanjos andando nas ruas, nos souk’s e principalmente, nos cafés. Todo café é quase sempre exclusivamente masculino. E eles passam horas neles, com apenas um chá a sua frente, quase “à toa”.

- O que mais tem em Marrocos são os cafés ou casas de chá. Na maioria se vende exclusivamente: Café, chá de hortelã, suco de laranja e água. E só. Sem comida – em alguns poucos vi venda de Croissants. Álcool então, nem pensar. Aliás, praticamente não há álcool no Marrocos – exceção a alguns hotéis que vendem apenas em seus restaurantes e um ou outro raríssimo bar – quase sempre freqüentado apenas por estrangeiros. Um camarada do souk de Tanger ficou visivelmente put#$* quando perguntei pra ele por algum café que vendesse álcool, para assistir a uma partida de futebol.

- O trânsito é louco. Mesmo. Não espere cruzamentos sinalizados, respeito à faixa de pedestres, sinal vermelho tranqüilo. É um Deus nos acuda, quem mete o bico do carro primeiro ganha e cada travessia de rua, pelo pedestre, é uma aventura.

- Nem todas as mulheres usam burca ou véu e não houve nenhum problema com Fabiana por não usar. Respeita-se. Mas é raro. Mesmo as mulheres mais ocidentalizadas – com calças de grife e roupas mais modernas, usam véu. Vimos poucas locais sem véu, mas elas coexistem numa boa com as outras mulheres – vimos grupos de adolescentes em que algumas usavam véu e burca e outras não.  

- Tudo, absolutamente tudo é negociado. De um pratinho de artesanato ao taxi. É cultural, mas é chato. Especialmente se seu francês for titubeante. E nos souk’s quase sempre há uma “malandragem” nos preços – tudo começa de preços absurdos e quando você fala que “não”, abaixa tipo 200%.

- Há várias casas de câmbio na cidade. Mas preferimos fazer o câmbio no aeroporto. Tem a desvantagem do valor, mas é mais seguro.

- Circulam muitas motos e motonetas nas Medinas e Souks. E elas não vêm sempre devagar. E é sempre um susto.

- A comida marroquina é duca! Os variados tipos de pão, os temperos, o cuscuz marroquino e em especial o Tajine – de cordeiro, frango ou carne de boi. O Tajine em si é um tipo de panela de barro, tradicional, onde se cozinham juntos a carne e muitas verduras e legumes. E é jóia!

- As Mesquitas anunciam, 5 vezes por dia, o horário da oração. Tocam sinos e em cidades menores – como Tanger – com muitas mesquitas próximas, vira um concerto. E cedo, a primeira é às 6 da manhã. E os homens param de fato, para rezar.

- A maioria dos homens marroquinos, fora os mais ortodoxos, com suas roupas de “Jedi”, é meio metrossexual: Cabelos engomadinhos, roupas de grife, perfumes, tudo meticulosamente arrumado. Muitos homens andam de mãos dadas. Há dezenas de barbeiros e cabeleireiros masculinos. Os pouquíssimos femininos que vimos não tem visão da rua para dentro – preservando a privacidade das mulheres e mantendo seus cabelos fora dos olhares públicos.

- Os marroquinos são amantes de futebol. Em especial, do futebol espanhol. Alguns com quem conversei conhecem bem o futebol brasileiro atual – em especial “Neumar” (Neymar, na dicção deles). Mas são comedidos na torcida. Assisti a uma partida do Real Madrid, em um café de Tanger e os caras passaram praticamente todo o jogo e silêncio. É, o álcool faz falta...

- As línguas são o árabe e o francês. Em Tanger, por ser ao norte mediterrâneo, se fala bastante espanhol também. Mas dê uma treinada na língua pátria de Voltaire, por precaução.  

- Tanto em Tanger quanto em Casablanca, me ofereceram maconha e Haxixe. Algumas vezes. O cara se aproxima e fala baixinho. Acostume-se com o assédio, em especial aos homens ocidentais, negue educadamente e tudo tranqüilo.

- As crianças são lindas. E são crianças, como em qualquer lugar do mundo.