quinta-feira, 19 de julho de 2012

Buenos Aires - o clichê e o alternativo.





Buenos Aires é, provavelmente, a cidade fora do Brasil com mais brasileiros por ano. É cada vez mais comum escutar português em meio as calles da cidade, lotada de conterrâneos ávidos por compras e pela boa valorização do Real frente ao peso. 
Sempre que vamos buscamos lugares diferentes para conhecer e ficar. E para hospedagens, recomendamos fortemente dois locais, voltados aos viajantes de baixo custo como nós:
Um é o Mansion Hostel. Um hostel naquele estilo europeu, sabe? O cara pega um andar de um prédio residencial, adapta os quartos e faz um hostel. Simples, rustico e aconchegante. Mas, principalmente, barato e NO MEIO do burburinho da La Valle. 
O outro é o (famoso) Milhouse. É um típico hostel, com o que isso tem de melhor e pior. Quartos confortáveis, acomodações com banheiro boas, preço mais ou menos (mas, mais barato que hotéis) e um bar bem bacana no térreo. Com todo o barulho e agitação juvenil que um bar dentro de um hostel oferece. Mas vale! 
Mas para além do que os guias de viagem apontam o que ver em Bs As? Algumas idas à cidade nos últimos anos nos trouxeram boas surpresas e algumas dicas. 

COMPRAS: as ruas La Valle e Calle Florida – bem no centrão da cidade, perto da famosa avenida 9 de mayo - são opções fáceis e abertas até de madrugada, com muitas lojas de roupas e artigos esportivos, principalmente. Nelas também há muitas cafeterias maravilhosas. Na La Valle, chamam a atenção os restaurantes ótimos e baratos e as lojas que abrem tarde – papo de 10 da manhã – e fecham muuuuito tarde também. Até alguns anos atrás era um lugar bastante tranqüilo, mas hoje em dia é bom ficar de olho aberto. A crise fez com que após as 11 da noite seja bom ficar com um olho na missa e outro no padre. Mas nada comparável à paranóia de caminhar pela avenida Rio Branco, no Rio, na madruga.
Na Calle Florida se localiza a Galeria Pacifico, um shopping improvisado em uma antiga casa que abrigava uma galeria de arte no século passado, e que na reforma recebeu pinturas nas paredes dos principais artistas argentinos e é muito bonita. Do subsolo é possível ver belos desenhos no teto do local. Há um centro cultural dentro do shopping que apresenta, em alguns dias, shows de dança e musica. A programação costuma ficar dentro do próprio centro, em banners.

Galeria Pacífico

A Av. santa Fé é enorme, tipo N.S. de Copacabana, e vale um bom tempo de caminhada, pois há dezenas de lojas de grandes grifes com preços convidativos (Nike, Puma, Adidas, perfumaria, etc), além de uma grande variedade de galerias e tipos de comércios: roupas, cds e DVDs sapatos, eletrônicos, etc. Uma opção “rockeira” é a BONDSTREET, estilo galeria do rock, que fica no nº 1670 da Santa fé, quase na esquina com Callao. Para chegar em um bom ponto de compras na Sta Fé, pegue o metrô linha verde e salte na estação Callao e desça daí em diante no sentido dos carros. Vá sem pressa, pois há muito que ver. 
Ainda na Sta Fé fica El Ateneo, um antigo teatro que se tornou uma gigantesca livraria, mas manteve as linhas arquitetônicas clássicas e que remetem à uma época de ouro da cidade portenha.   

El Ateneo

Outra boa opção, mais voltada às livrarias e cafeterias, é a avenida Corrientes, com um comércio variado e muitas opções culturais. E é na Corrientes que ficam padarias maravilhosas que vendem chocolates artesanais. Também na Corrientes, cerca de 4 quadras depois do obelisco fica a Musimundo, a maior loja de discos de Bs As (vale uma hora de rolê fácil). Pegar o metrô linha vermelha saltar na estação uruguay – já é um bom ponto para caminhar e ver livrarias e confeitarias!
Aos finais de semana, duas grandes feiras valem a visita: A feira da Recoleta (que na verdade começa aos Sábados), na praça do bairro (que parece mais uma feira hippie, mas tem quadros, roupas e badulaques maravilhosos), e a Feira de San Telmo (sensacional, todos os Domingos, uma rua enorme com peças de antiquários, roupas, livros, artesanato, mobiliário, peças políticas, etc). A feira de San Telmo se estende por ruas e ruas indo terminar (ou começar, dependendo do ponto de vista) na Plaza de Mayo. É uma pequena amostra do universo cultural portenho, não deixe de ir. Lá vale a pena passar quase um dia todo! Na região de San Telmo aproveite para visitar as cervejarias artesanais que existem lá e que além das excelentes cervejas locais vende também uma grande variedade de cervejas belgas e inglesas.
Finalmente, não deixar de conferir as Outlets de Villa Crespo: Avenida Córdoba, mais especificamente, pelo trecho que fica entre as ruas Gurruchaga y Scalabrini Ortiz. Lojas de marcas com preços beeem baixos. Bairro Palermo viejo.

Para Beber e comer: Buenos Aires é a capital mundial das cafeterias. A cada dois passos você encontra uma, cada uma mais maravilhosa que a outra. Não deixar de experimentar um ”EMPANADO”, salgado típico local - parece uma esfirra, mas muito mais gostosa. Os restaurantes de San Telmo e da Recoleta são todos excelentes, em especial os italianos – comemos massas inesquecíveis na Recoleta a custo menor que 40 pesos, isto é menos que 25 reais. Meu restaurante predileto na cidade, entretanto, ainda é o Los Imortalles, na calle La Valle. Em La Boca há várias casas de Parrila – o churrasco argentino. Muito apetitoso, mas um pouco exagerado. Eles trazem a chapa para a mesa empanturrada de carne de todos os tipos. Os vinhos locais, de vinícolas das províncias de Buenos Aires são ótimos e um pouco mais baratos. Vale experimentar o “Cuesta Del Madero” e “Pequena Vasilla”.
Na Argentina a cerveja quase que só é vendida a litro – há poucas garrafas de 750ml. A Quilmes é a cerveja popular de lá, gostosa. Mas não morra sem procurar uma das duas sedes da chopperia Buller – no centro, na rua Paraguay (quase na esquina da Calle Reconquista) e na Recoleta – onde se produz, um chopp de tirar o chapéu (um pouca caro, mas vale cada centavo). Nela é servida uma régua com todos os tipos de cerveja da casa como amostra.

Régua de provas do Buller

Igualmente imperdível, para os apreciadores de cervejas artesanais, é um passeio pelo bairro de San Telmo, que tem excelentes cervejarias artesanais locais. Os pub’s deste bairro também tem excelentes cervas gringas e argentinas. É a melhor night, junto com Palermo!
Um programinha clichê, mas imperdível, é tomar um café da manhã no famoso e tradicional Café Tortoni. Arquitetura clássica, ambiente old school e muita tradição. E um café completo que cura qualquer ressaca!

Café Tortoni

Finalmente, não vá embora sem procurar uma das filiais da sorveteria FREDO, uma experiência inesquecível, que torna qualquer sorvete brasileiro coisa de criança.

Transportes: as linhas de ônibus operam somente com moedas, o que torna difícil andar neles – ou se tem 3 pesos em moeda sou espere  para ser maltratado pelo motorista. A melhor opção para se deslocar é o metrô. Há várias estações e linhas, bem sinalizadas e que cobrem todo o setor turístico e comercial da cidade, até a meia noite. Os tickets são comprados nas próprias estações e custam 2,50 pesos. O metrô de Buenos Aires foi o primeiro da América do Sul, inaugurado em 1913, e é um símbolo de que a capital já viveu uma época grandiosa no passado. Os vagões são um charme de tão poéticos. Ladrilhos decoram quase todas as estações, mas hoje em dia já trazem marcas do passado, com a falta de cuidado e o desgaste do tempo. Existe um mundo dentro dos metrôs portenhos, com bancas de revistas, lanchonetes, lojas de roupas e músicos tocando em troca de moedas. Em Buenos Aires existem 5 linhas de metrô, sendo possível fazer baldeações entre elas. Uma boa dica são os mapas que ficam na entrada das estações de metrô. Muitos deles trazem um mapa de toda a cidade e como o passageiro precisa se locomover para chegar a alguns dos 46 principais pontos históricos.
Outra opção válida são os táxis, bem mais baratos que aqui (ATUALIZANDO EM 2013: NÃO SÃO MAIS BARATOS COMO ANTES....). Mas quando embarcar em um prepare-se para dar o endereço em esquinas – por exemplo: “quero ir na avenida santa fé com Corrientes”. Eles só entendem as coordenadas assim, e não são dos mais simpáticos.
Na chegada ao aeroporto, caso você não tenha translado, opte pelos táxis oficiais – você paga uma tarifa fixa até o centro de Bs As de cerca de 150 pesos. O ônibus que leva ao centro custa 50 por pessoa, então o táxi sai mais em conta.

Para visitar: a avenida 9 de Junho e a Plaza de Mayo (principalmente as quintas-feiras à tarde- a partir da 15 hs, quando ocorre a manifestação das Madres de La Plaza de Maio) são passeios obrigatórios. Na Plaza de Mayo ficam também o palácio de governo – a Casa Rosada – e a catedral de Bs AS. Ambas têm passeios guiados.
Um passeio pela beira do Rio da Plata em Puerto Madero é delicioso, em especial no fim de tarde, vale fazer com a pessoa ideal ao lado. Caminhar pela Calle Florida de madrugada sempre reserva surpresas, como casais fazendo shows de tango ao ar livre. O shopping “Galeria Pacífico” é impressionante, parece uma galeria de arte, você esquece que está em um shopping, fica perto da calle florida e vale o passeio.
O Caminito, em La Boca, tradicional ponto turístico é, de fato, um passeio que vale uma tarde. Lindas ruas, muuuito comércio e várias galerias de arte ao ar livre, um charme. A dica é não comprar nas ruas mais badaladas do Caminito e sim descer até o Porto onde há galpões enormes que vendem as mesmas coisas a presos bem mais acessíveis. E fique ligado: no Caminito sempre há uma dançarina ou um dançarino se oferecendo para tirar fotos com o turista. Você chega, elas te agarram, você fotografa e depois elas te cobram 5 pesos pela foto!! Corra das moçoilas!
A Recoleta é um elegante e sofisticado bairro de ruas arborizadas, onde as principais atrações são seus cafés e restaurantes, antiquários, um complexo cultural e o Cemitério da Recoleta. Todas as ruas trazem muitas árvores, e na Recoleta é possível encontrar alguns espécimes com mais de 300 anos. O Centro cultural Recoleta sempre tem boas exposições de artes plásticas, um pátio com vista para o bairro onde vez ou outra rolam shows e um belo jardim interno. Mas o bacana é passar uma tarde de Sábado estirado na grama do jardim da Recoleta, curtindo os shows de musica que rolam, de artistas locais.

Jardim da Recoleta

Além disso, o estádio La Bombonera é um passeio obrigatório. O passeio em dias normais pelo campo custa 6 pesos. Em dias de jogos, é torcer pra sobrarem ingressos ou comprar em agências – 80 dólares em média com translado e ingresso. O Estadio Monumental de Nuñez, do River Plate, é muito bonito também, mas um pouco mais distante.
San Telmo com seus antiquários e a famosa estátua da Mafalda (esquina das ruas Defensa com Chile) e os museus de Palermo são bons passeios também. 

Estatua da Mafalda em San Telmo

O Jardim Japonês é uma coisa linda, vale uma tarde (Av. Figueroa Alcorta y Av. Casares. De metrô, pegar a linha D, Est. Scalabrini Ortiz. (8 cuadras aprox.)
Particularmente, o "passeio" que mais me mobilizou na cidade até hoje foi a visita ao Espacio Memoria y Derechos Humanos, antiga sede da Escola da Marinha. Trata-se de um lugar em memória aos torturados da ditadura Argentina. Lá, durante a ditadura, funcionou um dos maiores centros de detenção, tortura e prisão clandestinos do terrorismo de Estado e é um programa obrigatório para os militantes de Direitos Humanos e para todos aqueles que não compartem do esquecimento – as visitas devem ser agendadas com antecedência pelo e-mail: visitasguiadas@espaciomemoria.ar
Ainda para os militantes, a Universidade Popular das Madres da Plaza de Mayo, na Plaza de la Independencia (calle Hypolito Yrigoyen) é um bom programa, com uma livraria incrível e toda a historia das MADRES. Quase ao lado da Universidade há um centro Anarquista chamado Punto de Encuentro, da editora Lavaca, que tem cafeteria, roupas artesanais, livros alternativos e políticos, discos e DVD's.  
Mas o que Buenos Aires tem de melhor é a possibilidade de “descobri-la” livremente, caminhando sem rumo pelas suas ruas. 

Night: Em Palermo há bares e pubs do caralho! A Plaza Cerrado neste bairro tem bons bares a preços convidativos. O pub “MONDO BIZARRO” (Serrano 1222, palermo), é um bar “muderninho” que toca Ramones direto – é o meu preferido na viagem! As cafeterias do centro com seus vinhos artesanais também são boas opções, assim como os bares da praça de san telmo – com decoração antiga e boa musica. No  microcentro (perto da la Valle) há váários pubs irlandeses, entre as avenidas Corrientes e Córdoba, além de bares bacanas pra ficar bebendo e ouvindo musica.
O famoso “Boliche do Roberto” também é uma opção para quem quer assistir tango “de raiz”, sem turistas e apenas com os moradores da cidade (fica na calle Bulnes, 331, em Almagro). Rola as quintas e sextas, a partir das 11 da noite. É um botecão mesmo, mas com um clima intimista e a musica, linda de morrer!

Boliche Del Roberto

Há um clube onde, aos Sábados, tem um “baile” em que durante a noite são dadas aulas de tango, dança de salão, etc. No meio do baile. Se chama La Viruta, e fica no bairro Palermo Viejo (calle Armenia, 1366). Bem, nos divertimos horrores lá e dançamos pra caramba!

sexta-feira, 1 de junho de 2012

PARIS (2010)

Ah... Paris!
Bom, todo mundo já está cansado de saber que Paris é uma cidade indiscutivelmente linda mas é a sua grandiosidade que salta aos olhos. Andar pelas ruas é uma experiência incrível - mesmo para nós que não sabemos uma só palavra em francês.  Chegamos em Paris no meio da manhã em uma viagem de trem de Bruxelas que levou cerca de 2 horas (cerca de 150,00 ticket para 2 pessoas). Depois de andarmos bastante até chegar ao hotel (ficamos no Ibis de Bercy), nos instalamos, pedimos algumas informações sobre os transportes públicos que atendem a região e saímos rumo ao Quartier Latin que, mais tarde, tornou-se nosso local preferido na cidade.
Algo importante a falar sobre o transporte em Paris. A cidade é super bem provida de uma rede extensa de metrô (várias linhas interligando toda a cidade com os mapas da rede em todas as estações) e ônibus. Os pontos de ônibus atendem poucas linhas e todos tem os mapas dos itinerários de cada linha. Além disso - e o mais inacreditável para nós - em todos os pontos há um painel com os horários de chegada do ônibus naquele ponto. E é absolutamente pontual. Há a venda nas estações de metrô um ticket (6 Euros) que permite usar toda a rede de transporte público da cidade naquele dia. Ou seja, você compra o ticket e pode andar no metrô e nos ônibus quantas vezes precisar. 

                                           Notre-Dame

Não consigo sequer descrever a emoção de de repente olhar pela janela do ônibus e ver a catedral de Notre-Dame! E já que minha vontade era não perder nem um segundo do tempo raro que teríamos para conhecer a cidade, descemos. Como já era hora do almoço, procuramos um restaurante e entramos num que parecia minimamente agradável quase em frente a ponte que leva as ilhas.

Aqui cabe um grande parentese: almoçar em Paris não uma simples refeição, é sim uma experiência sensorial inimaginável, que demanda tempo, paciência e muita mas muita  disponibilidade para observar a arte  do espaço da culinária para os franceses. Como já falei, entramos num restaurante  pequeno que tinha o menu do dia escrito na parede toda decorada ao redor de temperos, especiarias, garrafas de vinhos enlatados e um imensa variedade de alimentos não perecíveis. Lá fomos atendidos pelo único garçom da casa e que também era o cozinheiro e o caixa, um pequeno negócio mesmo!!! Obviamente pedi o menu completo com entrada, prato principal e sobremesa acompanhado de uma boa taça de vinho bourdeaux, e tudo foi simplesmente maravilhoso. Novamente vale lembrar não é possível almoçar bem em Paris em menos de duas horas. Então,  como essa é uma experiência que vale a pena, reserve um tempo em seu roteiro para isso.
Saímos do restaurante já por volta das 13 horas, e rumamos para as ilhas, demos uma volta na parte externa da catedral onde vimos um pedaço de um show de ska. Depois entramos na catedral que sinceramente é mais bonita por fora. Saímos, rodamos um pouquinho pela ilha e depois retornamos ao Quartier Latin, agora queríamos encontrar alguns pontos turísticos, caminhamos até a o prédio do College de France, passamos pelo Panthéon, e retornamos a margem no caminho  encontramos a Shakespeare & Co, a livraria que aparece no filme "Antes do por do sol", simplesmente ali.

College de France



          Shakespeare &Co



  
                                             Panthéon

Como da margem era possível ver a Tour Eiffel e olhando no mapa não parecia muito longe optamos por ir caminhando e, obviamente, passando por todos os pontos legais do caminho, o que foi uma caminhada e tanto já que a todo momento nos dispersávamos com um ou outro lugar ou monumento famoso. Passamos em frente a ponte que leva ao Louvre, ao museu D´Orsay, ao Hotel dos Inválidos e como o fim da tarde estava quase chegando decidimos comprar um vinho para degustar no jardim da torre.

                                            museu D´Orsay

Chegando ao jardim depois de toda essa caminhada no calor do verão parisiense tomamos o vinho lentamente como se cada gota servisse para aliviar as dores nas pernas e pés cansados. Ficamos horas admirando a construção, as pessoas que passavam, a cidade em volta, e descobrimos o seguinte: Paris é um lugar para contemplar!  Terminado o vinho decidimos entrar na longa fila para subir até o segundo andar da torre. A vista lá de cima é impressionante e olha que não fomos na parte mais alta. O ticket até este andar foi de 8,10 Euros por pessoa. 
Descemos e ficamos novamente no jardim, já começava a escurecer quando as luzes foram acesas e um coro de "ohhhhhh", tomou toda a praça. Nosso primeiro dia terminou aqui e tomamos o metrô - cerca de dois quarteirões da praça da torre - de volta ao hotel.

                                           Tour Eiffel

No segundo dia acordamos cedo e fomos conhecer a Champs-Elysees, a mais requintada avenida de Paris. Começamos no Arc de Triomphe e caminhamos até o Louvre, passando pela imensa quantidade de boutiques de grandes  - e CARAS - grifes de moda, acessórios e tecnologia. De lá seguimos caminhando até os Grands Boulevards e as "Passagens" (ruas fechadas e cobertas, como galerias, muito antigas) onde vimos relíquias e antiguidades fantásticas que   fariam qualquer comprador compulsivo perder a cabeça. Como já havia lido em vários guias que a melhor hora de ir ao Louvre era ao final da tarde, pois não haveria fila, voltamos ao hotel por volta das 15 horas, descansamos um pouco e saímos as 16 rumo ao museu. Chegamos e não havia filas. A entrada é monumental, você passa por grandes arcos e adentra um pátio imenso de onde se avista a famosa pirâmide de vidro, que marca a entrada. Não havia filas e pagamos 6 euros de entrada. Este também é um local inenarrável só indo para ver. Mas seja honesto com você mesmo e reserve um tempo a mais porque é mico entrar só para ver a Monalisa e ir embora! Minha dica é reservar um pouco mais de dedicação as obras da idade clássica e do antigo Egito, que são de tirar o fôlego. Ah não deixe de descansar os pés na fonte em frente ao museu ao final - isso é fundamental depois de horas de caminhada e uma tradição dos turistas.

Espelho D'água do Louvre

Depois de uma tarde cultural estávamos empenhados e descobrir a noite local e, por indicação de uma conhecida, fomos parar novamente na região dos Grands Boulevards - que foi um fiasco total. Então, saímos de lá e descobrimos a Rue de Lappe  na Bastilha, que é uma versão francesa da Lapa do Rio de Janeiro, muita gente na rua, bares, casas de shows e boates por todos os lados, era isso que procurávamos!

No dia seguinte começamos nosso roteiro numa feira livre em Montmartre, que foi bem menos do que eu esperava, mas foi muito legal conhecer a parte  menos turística da cidade, cheia de imigrantes de todas as partes do mundo mas principalmente africanos e árabes. Foi como conhecer outra Paris. Da feira caminhamos rumo a Sacré-Coeur e novamente conhecemos mais um mirante da cidade - depois de uma IMENSA escadaria. Há teleféricos para subir, mas optamos por uma alternativa mais "saudável". De lá entramos pela rue des Abbesses que estava cheia de pessoas, lojas, restaurantes, grupos de música, o máximo! Novamente aqui decidimos em gastar nossas valiosas horas num almoço divino, que sem sombra de dúvida foi a melhor comida de toda a minha vida! No caminho de volta descemos pela rue Lepic onde há o bar onde foi filmado o filme "O Fabuloso Destino de Amélie  Poulain" - e até demos um tchauzinho para o anão de jardim que decora o local e que é uma das "estrelas" do filme. Na descida ainda passamos pelo famoso Moulin Rouge, o mais famoso cabaré da cidade, quase em frente a estação do metrô.  

A próxima parada seriam as "praias do Sena". No verão, as margens do famoso Rio que corta a cidade são recobertas, em alguns trechos, de areia e os parisienses usam o local, de fato, como uma praia. Pessoas tomam, sol, caminham, crianças brincam, há apresentações musicais - até um grupo de pagode nós encontramos (!!!). Um passeio que é ideal para o final de tarde, acompanhado de um vinhozinho e curtindo o visual incrível da Rive Gauche (como é chamada a margem esquerda do Sena). 

Resolvemos então explorar a vinda noturna do Quartier Latin e descobrimos um lugar genial: a Place de la Contrescarpe, próxima a estação de metro Cardinal Lemoine. Rodeada de bares, restaurantes e casas noturnas, e cheia de musica e pessoas andando para todos os lados. Descobrimos ali o melhor lugar da cidade. Foi sentada nessa praça e tomando um excelente vinho bourdeaux acompanhado de uma tábua de típicos queijos franceses que falei a frase mais cínica de toda a minha vida: "Sabe: eu não preciso de muito pra ser feliz!"



Nosso último dia em Paris começou com nossa busca por lugares interessantes em Montparnasse, onde ficam as famosas catacumbas da cidade. Entretanto, a fila gigantesca para entrar nos desanimou. Caminhamos pelo bairro (caminhar, amigo: esse é o motivo de qualquer viagem!)  mas como já estávamos exaustos não conseguimos muitas coisas por ali, e como ainda queríamos ver o Centre  Pompidou - o famoso museu de arte contemporânea da cidade - decidimos já ir andando. O entorno do Centre é um excelente lugar para relaxar, ver pessoas, tomar um sorvete INCRÍVEL (o sorvete da rede Amorino) e ver a bela arquitetura parisiense. 

Nossa tarde nesse dia terminou novamente na praça do Quartier Latin onde recebi uma massagem de graça acompanhada de mais um inesquecível vinho Bordeaux. um bom final!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

BRUXELAS (Bélgica) em 2 dias (2010)




A viagem de trem de Amsterdam para Bruxelas levou cerca de duas horas e meia (custo total: 208,00 reais 2 tickets). Desembarcamos na belíssima Central Station em Bruxelas, onde não encontramos balcão de informação turística. Mas em uma banca de jornais, um mapa da cidade vendido por 2 Euros nos ajudou a nos localizarmos.  

Pegamos um taxi, com preço combinado (10 euros) na saída da Central Station e em cerca de 5 minutos chegamos ao Hotel Villa Royale (Rue Royale 195), nosso pouso na cidade (onde pagamos cerca de 240 Reais por 2 diárias de casal). O hotel é excelente e graças ao bendito Booking, conseguimos uma boa diária. Fizemos o check-in e saímos direto pra rua!

A Royale fica bem próxima do centrão da cidade e logo na saída do hotel chegamos ao lindo Parque de Bruxelas (o Parc de Bruxelles Warande). O espaço é cercado de obras de arte e arquitetura clássica, um passeio agradável e tranqüilo, em meio a muitas plantas ornamentais.

Parc de Bruxelles Warande

Seguimos caminhando rumo a Grand Place, a conhecidíssima praça central de Bruxelas, que fica a cerca de 15 minutos de caminhada do parque. A praça, de fato, é um espetáculo, um enorme quadrado cercado de construções medievais, vitrais incríveis. Uma das atrações da praça é o Hotel de Ville de Bruxelles, um espaço que hoje abriga um centro cultural. Passear por dentro do local é uma viagem ao século XVI. A praça é toda cercada de monumentos arquitetônicos que valem uma parada em cada. Também ali há uma placa em homenagem a Karl Marx, que viveu na cidade entre 1847 e 1848.



Na Grand Place também fica o Museu da Cerveja, que afinal é um dos produtos característicos do país. O museu é bem pequeno, mas interessante, e apresenta os processos de fabricação, as diferentes cervejas e te dá uma degustação ao final. JÓIA!

Na rua lateral à Praça você chega ao largo do Manequinho (manekeen), o menino que faz xixi e que é o marco da cidade (sabe-se lá porque....). Caminhando por esta rua você ainda chega na presidência do Parlament de Bruxelas e conhece a parte mais “medieval” da cidade, com becos e passagens incríveis.

Bar POECHENELLEKELDER

Nossa última parada do dia foi no incrível-maravilhoso-indescritível POECHENELLEKELDER, um bar de nome difícil, mas com uma carta de cervejas GIGANTESCA, atendimento jóia, petisquinhos free que te estimulam a beber mais e mais. E daí em diante não lembro de muita coisa mais...bebi algumas trapistes de teor alcoólico entre 12% e 14% e abracei o palhaço! A carta de cervejas deles é dividida por tipos de cerveja e tem o teor de álcool de cada uma - perdição informada! O bar fica na rue Du Chêne, bem em frente ao Manequinho.

esquina do Manequinho

No dia seguinte nossa primeira parada foi no lindo Museu dos Quadrinhos, uma das paixões dos belgas. Este museu é uma homenagem a historia dos quadrinhos no país, com especial atenção ao personagem TinTin, personagem do famoso artista belga Hergé. O museu é enorme, tem várias estátuas de personagens e até o famoso foguete do Tintin. As historinhas são postadas em fileiras de quadros e é um passeio em que você nem percebe o tempo passar, lendo uma por uma das histórias. 

Museu dos Quadrinhos

De lá caminhamos pelo centro histórico de Bruxelas admirando as estátuas e dezenas de jardins existentes em cada canto da cidade. Apesar de um pouco empobrecida em algumas áreas, com alguma população de rua, em especial imigrantes do Leste Europeu, a cidade é bastante tranqüila tanto de dia quanto a noite. Chegamos ao Jardim da cidade, que liga à parte alta de Bruxelas, de onde se tiram as melhores fotos da cidade!Nessa região também tem museus incríveis, como o da Música e o que leva o nome do artista belga, Magritte, mas infelizmente estávamos exaustos neste dia e a entrada ficou para nossa próxima visita a cidade. 



Na volta, uma parada em dois points obrigatórios: uma das lojas da chocolataria GODIVA, um dos bálsamos que conhecemos lá, com chocolates que te fazem crer na existência de forças divinas! E na maravilhosa De Bier Tempel, uma gigantesca loja de... cervejas. Preços pra lá de honestos, lembrancinhas ligadas a bebida e muita, mas muuita cerveja pra você presentear os amigos pinguços!

Outro lugar que mereceu nossa especial atenção e carinho e, é, de fato, imperdível, é o DELIRIUM CAFÉ. O mais famoso bar de Bruxelas tem cerca de 2400 marcas de cerveja em seu cardápio e é um paraíso para os amantes da bebida, como nós. Provamos algumas da trapistes do cardápio além de encararmos uma dobradinha de “DEUS” e depois “Satan”. Sagrada cerveja!! A Deus é um espumante meio cerveja, mas de sabor agradável. A Satan é uma bock forte, encorpada, do interior do país. O esquema é igual ao dos pubs ingleses: ninguem "vem te servir": você vai até o balcão e pede a cerveja que escolheu no cardápio. E fica horas lá ouvindo o excelente rock que toca no bar, de Black Sabbath a AC/DC. O Delirium fica em um bequinho escondido na impasse de La fidelité. E acredite: desça e beba no subsolo e se lá não for o melhor bar que você já foi na vida, eu te pago uma cerveja!



Finalmente, nos deparamos com a agradável e divertida surpresa que é a Grand Place nas noites de verão. Dezenas de pessoas ficam sentadas na praça, no chão da praça mesmo, conversando, bebendo, fazendo “saraus” com violão e até disputando corrida (!!!). E entre 9 e 10 da noite TODA a praça tem suas luzes apagadas e começa um inesquecível e fantástico show de luzes projetadas na fachada do Ville de Bruxelles, com musica clássica nos alto falantes (que você procura, procura e não encontra onde estão). Uma viagem sensorial, que vale deitar no chão e admirar, estupefato. Ficamos lá, curtindo o visu, conversando com as pessoas, sentindo o ventinho frio do verão belga. Uma delícia. 

Para fechar a noite, uma passagem em uma das dezenas de casas de waffle, a “comida típica” dos belgas, e voltar ao hotel embalado pela última Chimay. 

E já morrendo de saudades de Bruxelas.
  

domingo, 6 de maio de 2012

AMSTERDAM (Holanda) em 2 dias.



Chegamos em Amsterdam em uma manhã fria do verão. O vôo de Londres para lá durou 45 minutos, via uma companhia de baixo custo e custou 30 libras cerca de 95 Reais). Desembarcamos no lindo e confortável aeroporto de Schipol. Logo no desembarque você já vê o balcão que vende passagens de trem para o centro da cidade e para outras localidades próximas de Amsterdam e a plataforma de embarque é dentro do próprio aeroporto, no subsolo.O ticket para o centro custou 3,50 Euros e a viagem leva cerca de 25 minutos. 

Painel no aeroporto com indicação da estação de trem

A parada final do trem é na Central Station, estação de onde saem trens para outros países e para outras regiões da Holanda. A Central Station já é uma atração, com sua arquitetura antiga, grandes vigas metálicas e design clássico. Logo em frente à saída, um posto de turismo enorme é a parada certa para quem vai pela primeira vez à cidade. Lá, além de toda a sorte de badulaques para comprar, há guichês de informação (uns 8) com atendentes que falam inglês, com todo o tipo de recursos possíveis. Ali ficamos sabendo como chegar ao nosso hotel e depois de comprar um mapa da cidade, que por sinal é impressionante de tão bem explicado, ficamos conhecendo o percurso de todas as linhas de TRAM que atendem a região central. Bem em frente, embarcamos em um TRAM - uma espécie de "bonde" mas super moderno que liga toda a cidade. Ele tem paradas fixas e horários anunciados em painéis nos pontos. E quer saber o mais incrível? Pontual. O painel marcava que em 4 minutos um TRAM da linha que deveriamos pegar chegaria. E exatamente naquele tempo ele chegou.

TRAM

Embarcamos (há 3 portas para embarque - frente, meio e fundos) pagamos o ticket e em 15 minutos desembarcamos no ponto próximo ao nosso hotel, o Kooyk (R$140,00 a diária de casal com café). No trajeto todo admiramos as dezenas de canais e o verde da cidade. A cidade não é muito grande e não é difícil conhecê-la bem a pé - aliás, o mais recomendável é caminhar muito ou alugar uma bicicleta, mas se você não tem muita segurança nesse tipo de veículo tome cuidado porque o trânsito é intenso. 

Já instalados, saímos rumo as diversas atrações da cidade. A primeira parada foi o Vondelpark, famoso parque no coração da cidade. No trajeto do hotel até lá, dezenas, centenas de bicicletas cortando nosso caminho e dividindo pacificamente o espaço das ruas com os automóveis e tram's. O Voldepark é imenso e no verão fica cheio de pessoas fazendo esportes, piqueniques, descansando ou assistindo aos shows que acontecem por lá em festivais ao ar livre. 

Na volta, caminhamos no sentido do centro, passamos pelo Museu Van Gogh, mas optamos por não entrar porque a fila era imensa naquele horário e chegamos em cerca de 15 minutos caminhando pelos belos canais e ruas da cidade até o museu de Anne Frank. Trata-se da casa onde a jovem menina, que escreveu um famoso diário durante a segunda Guerra, ficou escondida com a família durante dois anos. A casa guarda objetos, textos e mobília da época e deve ser um dos locais mais vistados da cidade. Ficamos cerca de 25 minutos na fila para entrar - paga-se uma pequena taxa de entrada. 

Fila na entrada da casa de Anne Frank

A casa é impressionante e ainda se sente um certo clima pesado no ar. Toda a história de Anne é contada em detalhes em um tour pela casa. E vale cada minuto.

De lá fomos para o centrão de Amsterdam, para conhecer os famosos Coffee Shops locais. Os Coffee Shops são cafés mesmo, onde é permitida, legalizada, a venda de maconha. Nada em sua fachada anuncia a erva, não há nenhum indício do que ocorre ali, apenas os nomes "sugestivos" em alguns deles. Servem cafés, doces e bebidas - não alcóolicas. Entramos no Grasshoppers, no centro próximo à Red Light Street, que tem uma vista linda de frente para a estação de trem. 

Grasshoppers Coffee Shop

O  Grasshoppers é um lindo prédio de 4 andares com café, Coffee shop (no sub solo) e restaurante. No sub solo há um mostruário com as ervas e você escolhe o que quer consumir com a balconista, paga e entra em um salão amplo e refrigerado, com mesas de madeira para 6 pessoas e TV's, como um bar. Há pessoas de todos os tipos: jovens americanos, um casal de senhores idosos, pessoas de meia idade, profissionais liberais, turistas. Todos consumindo a erva de Jah. E o que nos chamou a atenção foi o silêncio e as conversas em voz baixa. Não há o "esporro" dos bares, com todos falando alto. Um clima tranquilo, vez ou outra interrompido por risadas. E o chocolate quente de lá é simplesmente o melhor que já bebi na vida! Para quem for consumir: você pode levar sua própria seda e isqueiro, mas eles também vendem lá todos os acessórios necessários ao consumo. 

De lá fomos para a rua em frente comer uma das famosas batatas fritas com molhos holandesas e em seguida irrompemos pela famosa "Red Light" área. A Red Light é a área de prostituição igualmente legalizada de Amsterdam. São duas grandes avenidas e algumas ruas em volta de um dos canais da cidade, em que as garotas se exibem em vitrines. Se você se interessar, pergunta o preço, negocia e entra pela vitrine, onde então a garota cerra as cortinas. Não é permitido fotografar, inclusive por respeito às meninas que estão, sim, trabalhando, de maneira legal. Há uma multidão na Red Light a noite: famílias, turistas, muitos orientais em grupos. Há também casas de shows eróticos. A vontade de usar o mictório apertou e tive a chance de conhecer - e usar - um dos famosos mictórios públicos da cidade. Ficam na beira dos canais e são literalmente biombos que cobrem apenas da cintura para baixo as pessoas. Você entra e seu corpo fica exposto, da cintura para cima, para a rua, enquanto urina. É funcional, depois que você perde a vergonha e o constrangimento.  

Fechamos a noite com uma passagem por uma das filiais do famoso Bulldog, o mais conhecido Coffee Shop de Amsterdam. É bem menos "arrumado" que o Grasshoppers e a sala de convivência menos confortável, mas valeu pela experiência. E a noite se encerrou tomando um chopp Heineken com o selo de qualidade local.

Na manhã seguinte, com uma chuva fina, fomos cedo para a fila de entrada do Museu Van Gogh. O Museu abre as 10 horas e chegamos as 9, já com uma boa fila. A entrada custa 14 euros. E lá dentro, você tem acesso à uma experiência para os olhos e sentidos, uma viagem fantástica, inenarrável pela obra de Van Gogh e os artistas contemporâneos a sua obra. A lojinha de souvenirs é um convite ao cartão de crédito também. 

Fachada do Museu Van Gogh

Saímos depois de quase 3 horas de tour pelo museu em direção a outro museu, o Madame Tussaud, de estátuas de cera. Mas os extorsivos 24 Euros cobrados para a entrada nos desanimaram. Resolvemos conhecer mais a fundo as ruas e becos do centro de Amsterdam, a praça com o famoso nome da cidade estilizado em tamanho gigante, a praça DAM (Dam Square), o Jardim público e já no final da tarde aportamos no "The Doors", o mais simpático Coffee Shop que tivemos o prazer de conhecer na cidade. Estilo bar old school, com bancos de madeira, uma varanda, um café incrível e rock nas caixas de som, além daquele silêncio característico dos Coffee Shops. Perfeito. Fechamos o final de tarde com uma cerveja e um queijo sentados a beira de um dos perfeitos canais da cidade, sentindo o vento fresco e observando o movimento de bicicletas, de pessoas e barcos. 

Amsterdam tem ruas incríveis, realmente linda, com um planejamento urbano fantástico, onde tudo funciona muito bem e com respeito às pessoas e, principalmente, com o povo mais amável que conhecemos na Europa. Uma cidade que confirma que é possível viver em harmonia, respeitando direitos individuais, de maneira organizada e, principalmente, feliz. 

I Amsterdam!


                                                                                         Praça com o nome da cidade

Praça DAM, em frente ao Museu Madame Tussaud 





sábado, 5 de maio de 2012

BOGOTÁ (COLÔMBIA) - 2007 e 2008


Estive duas vezes na Colômbia a trabalho, sempre passando alguns períodos na cidade de Manizales, nas montanhas, distrito de Caldas (para quem gosta de futebol, é a cidade do ONCE CALDAS, campeão da Copa Libertadores de 2004). Um bela e pequena cidade universitária de cerca de 300.000 habitantes, com muitos bares e uma vida noturna agitada.
Mas em ambas as vezes tive a chance de passar alguns dias em Bogotá. Uma cidade que nunca havia sido uma opção de viagens para mim. Mas que conquistou definitivamente meu coração. Bogotá tem surpresas a cada esquina, a cada passeio, a cada sorriso do lindo e caliente povo colombiano. O aeroporto internacional fica a cerca de 20 minutos de táxi do centro da cidade e é uma bela porta de entrada no país.
Uma boa forma de começar a conhecer a cidade é pela Praça do Palácio de Nariño, sede do Governo Colombiano. Ali você tem uma visão geral do centro da cidade e começa a conhecer a história de lutas do povo colombiano. Interessante que noite algumas pichações na praça com dizeres como “Gobierno Paramilitar”. Muitos colombianos acusam o governo de estar implantando uma “ditadura velada”com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos.

 Palácio de Nariño

Saindo da praça, ao redor, há um variado comércio de artesanato típico, roupas e souvenir em geral, ligados a cultura indígena. Caminhe cerca de 15 minutos e chegará no tradicional bairro de La Candelária. Este bairro é um dos orgulhos dos “bogotanos” pois representa a reconstrução e a retomada do espaço publico depois de anos de conflitos armados entre grupos de paramilitares e de muitas mortes pela disputa de poder político no país. Entre a boemia e a cultura, La Candelária é um lugar que vale um dia inteiro.
Para começar lá fica uma das maiores bibliotecas públicas da América do Sul, a bliblioteca Luis Angel Arango. Ela faz parte de um grande complexo cultural que compreende também o Centro Cultural do Banco da Republica, o Museo del Oro e o Museo Botero. Entrei rapidamente na Biblioteca e de cara impressiona pelo tamanho. Deixei a mochila no guarda volumes (gratuito), dou uma volta pelo espaço, todo decorado com quadros de artistas colombianos. Dali, é só atravessar a rua e adentrar no Museu Botero. 
Museo Botero
O Museu Botero é um lugar fantástico, que além de conter boa parte do acervo do maior artista plástico colombiano também expõe peças de Picasso e Dali. É um museu enorme em um antigo Casarão e vale um bom período do dia de visitas.
Ao lado, o Museo del Oro expõe peças de ouro encontradas em escavações de antigas civilizações Incas e Maias. É um passeio ao mesmo tempo deslumbrante e chocante, pois a riqueza de detalhes e a quantidade de peças deixa claro o quanto estas civilizações estavam avançadas e a frente do seu tempo. Atravessando a rua, na esquina seguinte, você encontra o Centro Cultural Gabriel Garcia Márquez. Um espaço dedicado a obra do artista colombiano que conta com uma belíssima livraria de arte e filosofia.

Centro Cultural Gabriel Garcia Márquez

Caminhando bairro acima, encontrei ruas de pedra, casarões antigos, muitos (sério, MUITOS) centros culturais independentes, com peças e apresentações artísticas diversas em cartaz e bares. Muitos bares. La Candelária tem um “quê” de Lapa com Santa Teresa, mas com mais opções que os dois bairros cariocas. A Plaza Del Choro de Quevedo é um bom ponto para começar a exploração de bares da região. 

 Plaza Del Choro de Quevedo
Claro que cada pessoa tem seu boteco de estimação e eu, em Bogotá, elegi o Atico, perto da praça, minha segunda casa. Botecao, com caixas de cerveja espalhadas, rock nos alto falantes, bom pracismo, cerveja gelada (a Club Colômbia é a minha preferida, mas a Águila  e a Costeña são as mais populares) e uma chincha maravilhosa.
Perto de La CANDELÁRIA, uma caminhada não muito grande, fica o Mirante Montserrat. Você tem acesso pela estação Las Águas do transMilenium, o sistema de ônibus interligados, tipo os “tubos” de Curitiba. Uma das atrações turísticas de Bogotá, é um complexo de turismo em uma montanha com acesso por um teleférico panorâmico. Tem restaurantes, igreja, lojas e uma vista deslumbrante de toda a cidade.

Vista do mirante de Montserrat

Nesta mesma área fica, aos Domingos, o Mercado de Pulgas San Alejo, um mercado enorme com toda a sorte de coisas e badulaques possíveis – de roupas e tapeçarias a discos e pôsteres de filmes antigos. Saindo pelo centro de Bogotá ainda é possível ver o belo Planetário da cidade e a Plaza de Toros, hoje já desativada, mas com uma fachada que lembra o Coliseum Romano. No centro você conhece uma outra Bogotá: cosmopolita, com prédios modernos, ruas amplas e muita gente caminhando nas ruas, alem de um sistema de transporte publico que flui rápido e funciona.
A noite também tive a chance de conhecer a área mais “nobre”, a chamada Zona Rosa. Lá encontrei vários bares (é cara, o colombiano é um povo que gosta – e muito – de beber) mas com um estilo bem diferente de La Candelária – mais sofisticados e com um publico jovem mais “arrumadinho”. O que não me impediu de descobrir uma pérola em suas ruas arborizadas: o maravilhoso Bogotá Beer Company, com suas “jirafas” de chopp Aguila de 5 litros gelado. E fechar a noite na bela Casa de la Cerveza, com uma variedade de cervejas artesanais linda.
Também pude ir a uma partida do time da cidade, o Milionários (ou Milos, para os "hinchas") no estadio el Campin. Um estadio de médio porte, bem equipado e de fácil acesso pela estação El Campin de onibus. Dentro do estádio há muitas variedades de comidas, mais que em estadios brasileiros. 
Bogotá é uma cidade feita para conhecer a pé. Vale caminhar por suas ruas e conhecer cada canto, cada cafeteria, cada bar e principalmente interagir com o lindo povo colombiano, o mais agradável e alegre que conheci pela América do Sul.